Por: *Elvécio
Andrade
Os homens ergueram templos de concreto e aço,
adoraram divindades feitas à sua imagem, buscaram salvação em paraísos
distantes. Mas esqueceram-se da única divindade tangível, implacável e
verdadeira: a própria Terra.
Ela não habita escrituras; ela é a escritura
viva, inscrita em cada folha, em cada rio, em cada sopro de vento. E essa
divindade, paciente por eras, está prestes a proferir o seu juízo final.
Chamam-na de "meio ambiente",
"recursos naturais", "bioma". Nomes estéreis que escondem a
verdade: ela é Deus-Natureza. Um organismo consciente e interligado, cujas leis
são absolutas.
E a sua principal lei, ignorada pela arrogância
humana, é a do equilíbrio. Toda ação gera uma reação. Toda ferida exige um
pagamento.
O agronegócio moderno tornou-se o principal
sacerdote perverso deste culto à destruição. Não é a agricultura que sustenta,
mas a máquina insaciável que envenena o solo com químicas mortais, suga os
aquíferos até o último suspiro e arrasa florestas milenares com o fogo e a
lâmina.
Cada hectare de monocultura desértica, cada
tonelada de grãos regada com sangue de ecossistemas, é uma afronta gravada a
ferro e fogo no corpo do Deus-Natureza. E a cobrança já começou. Estes não são
"desastres naturais". São sinais divinos.
As secas bíblicas que assolam continentes não
são acaso; são a resposta à evaporação dos rios voadores da Amazônia,
assassinada para dar pasto ao boi.
Os dilúvios de lama e destruição que varrem cidades são a vingança do solo desprotegido, que não mais absorve a chuva porque não tem raízes que o segurem. Os pandemonios climáticos, furacões, ciclones, calor infernal, são a febre do planeta, o sistema imunológico divino reagindo à infecção humana.
·
A esterilização silenciosa dos solos, transformados em poeira tóxica, é a maldição da terra que se nega a nutrir seus algozes. ·O colapso das abelhas, polinizadoras do mundo, é a retirada da graça, o fim da dádiva da fertilidade.
O homem acredita ser o ápice da criação. Ele é,
na verdade, apenas uma espécie inquilina. E o senhorio está prestes a revogar o
contrato.
O Juízo Final não virá com trombetas celestes,
mas com um silêncio aterrador. O silêncio após a última colheita fracassada. O
silêncio dos ventos que não trazem mais chuva.
O silêncio dos campos mortos, dos rios secos,
dos últimos animais tombando. Será um fim lento, agonizante e total,
administrado não por um deus vingativo do além, mas pela mecânica perfeita e
impiedosa de um sistema que buscou o equilíbrio a qualquer custo.
A sentença já está escrita: extinção por fome,
sede e clima furioso. Ainda há um instante, um último suspiro antes do abismo.
O perdão não está em orações vazias, mas em ações de reverência profunda.
Restaurar, replantar, regenerar, respeitar.
Abandonar o culto do lucro infinito e abraçar o cultivo do equilíbrio sagrado.
Pois quando o último rio for envenenado, a
última árvore derrubada e o último animal extinto, o homem, enfim,
compreenderá, no vácuo desolador de sua própria criação, que não se pode comer
dinheiro, beber ouro ou respirar o hálito ácido de um mundo morto.
A Natureza é Deus. E sua paciência se esgotou.
O tribunal é agora. A sentença, iminente.
*Elvécio
Andrade é jornalista, radialista, escritor, blogueiro e advogado
especialista em direitos Administrativo e Constitucional.
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