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13/02/2026

Natureza: o único e verdadeiro Deus que existe


Por: *Elvécio Andrade

 

Os homens ergueram templos de concreto e aço, adoraram divindades feitas à sua imagem, buscaram salvação em paraísos distantes. Mas esqueceram-se da única divindade tangível, implacável e verdadeira: a própria Terra.

 

Ela não habita escrituras; ela é a escritura viva, inscrita em cada folha, em cada rio, em cada sopro de vento. E essa divindade, paciente por eras, está prestes a proferir o seu juízo final.

 

Chamam-na de "meio ambiente", "recursos naturais", "bioma". Nomes estéreis que escondem a verdade: ela é Deus-Natureza. Um organismo consciente e interligado, cujas leis são absolutas.

 

E a sua principal lei, ignorada pela arrogância humana, é a do equilíbrio. Toda ação gera uma reação. Toda ferida exige um pagamento.

 

O agronegócio moderno tornou-se o principal sacerdote perverso deste culto à destruição. Não é a agricultura que sustenta, mas a máquina insaciável que envenena o solo com químicas mortais, suga os aquíferos até o último suspiro e arrasa florestas milenares com o fogo e a lâmina.

 

Cada hectare de monocultura desértica, cada tonelada de grãos regada com sangue de ecossistemas, é uma afronta gravada a ferro e fogo no corpo do Deus-Natureza. E a cobrança já começou. Estes não são "desastres naturais". São sinais divinos.

 

As secas bíblicas que assolam continentes não são acaso; são a resposta à evaporação dos rios voadores da Amazônia, assassinada para dar pasto ao boi.

 

Os dilúvios de lama e destruição que varrem cidades são a vingança do solo desprotegido, que não mais absorve a chuva porque não tem raízes que o segurem. Os pandemonios climáticos, furacões, ciclones, calor infernal, são a febre do planeta, o sistema imunológico divino reagindo à infecção humana. 

·


A esterilização silenciosa dos solos, transformados em poeira tóxica, é a maldição da terra que se nega a nutrir seus algozes. ·O colapso das abelhas, polinizadoras do mundo, é a retirada da graça, o fim da dádiva da fertilidade.

 

O homem acredita ser o ápice da criação. Ele é, na verdade, apenas uma espécie inquilina. E o senhorio está prestes a revogar o contrato.

 

O Juízo Final não virá com trombetas celestes, mas com um silêncio aterrador. O silêncio após a última colheita fracassada. O silêncio dos ventos que não trazem mais chuva.

 

O silêncio dos campos mortos, dos rios secos, dos últimos animais tombando. Será um fim lento, agonizante e total, administrado não por um deus vingativo do além, mas pela mecânica perfeita e impiedosa de um sistema que buscou o equilíbrio a qualquer custo.

 

A sentença já está escrita: extinção por fome, sede e clima furioso. Ainda há um instante, um último suspiro antes do abismo. O perdão não está em orações vazias, mas em ações de reverência profunda.

 

Restaurar, replantar, regenerar, respeitar. Abandonar o culto do lucro infinito e abraçar o cultivo do equilíbrio sagrado.

 

Pois quando o último rio for envenenado, a última árvore derrubada e o último animal extinto, o homem, enfim, compreenderá, no vácuo desolador de sua própria criação, que não se pode comer dinheiro, beber ouro ou respirar o hálito ácido de um mundo morto.

 

A Natureza é Deus. E sua paciência se esgotou. O tribunal é agora. A sentença, iminente.

 

*Elvécio Andrade é jornalista, radialista, escritor, blogueiro e advogado especialista em direitos Administrativo e Constitucional.

 

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