Por *Elvécio Andrade
O que aconteceu recentemente em
Vitória, capital do Espírito Santo, não pode ser tratado como uma simples
confusão. As imagens que circularam nas redes sociais revelam uma cena brutal,
revoltante e incompatível com qualquer sociedade que se pretenda civilizada.
Um motorista do sistema
Transcol, cujo nome não foi divulgado, foi flagrado agredindo violentamente uma
mulher que aparenta ser moradora de rua, no Bairro Santa Lúcia, na Reta da
Penha. O vídeo, gravado por passageiros e testemunhas, mostra uma sequência de
agressões que causa indignação e revolta em qualquer pessoa minimamente
comprometida com a dignidade humana.
Socos, empurrões, puxões de
cabelo e uma perseguição covarde contra uma mulher visivelmente vulnerável.
Como se não bastasse, as imagens registram o momento em que a vítima tenta
fugir do agressor e acaba sendo atingida por um golpe que a derruba
violentamente contra o meio-fio, batendo a cabeça no chão. Uma cena chocante,
humilhante e extremamente perigosa, que poderia ter terminado em tragédia.
Independentemente do que tenha
motivado a discussão, existe um princípio básico que não pode ser relativizado:
ninguém tem o direito de espancar outra pessoa. Muito menos um homem agredir
dessa forma uma mulher indefesa em plena via pública, diante de dezenas de
testemunhas.
Tão revoltante quanto a
violência é assistir algumas pessoas incentivando as agressões enquanto a
vítima era atacada. A banalização da brutalidade e a transformação da violência
em espetáculo revelam uma preocupante degradação dos valores de respeito e
humanidade.
O GVBus informou que repudia o
ocorrido e que está trabalhando para identificar o motorista e tomar as medidas
cabíveis. A manifestação é necessária, mas a sociedade espera mais do que notas
de repúdio. Espera investigação rigorosa, responsabilização exemplar e
transparência sobre as providências adotadas.
Também causa estranheza a
ausência de informações sobre eventual atuação das autoridades policiais.
Diante da gravidade das imagens, a pergunta que fica é inevitável: haverá
investigação séria ou mais um caso chocante acabará sendo esquecido após alguns
dias de repercussão?
A violência registrada em
Vitória exige resposta firme por parte das autoridades, sem o costumeiro
protecionismo que grassa nesses casos. Não se trata apenas de um episódio
isolado. Trata-se de um ato de covardia praticado contra uma mulher vulnerável,
diante de inúmeras testemunhas, em plena luz do dia.
Se as imagens mostram o que
mostram, não há espaço para omissão. A sociedade capixaba tem o direito de
exigir justiça. E justiça, neste caso, significa identificar o agressor, apurar
os fatos com rigor e aplicar as punições previstas em lei, para que fique claro
que a barbárie não pode ser normalizada e que a violência contra mulheres não
será tolerada sob nenhuma circunstância. Veja o vídeo abaixo:
*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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