Por *Elvécio Andrade
O brasileiro realmente
transforma qualquer coisa em motivo para uma aposta. Vale dinheiro, vale
churrasco, vale refrigerante, vale cortar o cabelo, e vale até o canequinho de couro. Mas, em Araripina,
no sertão de Pernambuco, resolveram elevar a criatividade a um nível que nem os
roteiristas de novela mexicana conseguiriam imaginar.
Um homem e uma mulher
apostaram no resultado da partida entre Brasil e Noruega. Se a Noruega
vencesse, ele entregaria sua motocicleta. Se o Brasil ganhasse, ela passaria
uma noite inteira com o vencedor, com "todos os direitos" previstos
no curioso acordo. Veio o apito final. A seleção brasileira perdeu. E, junto
com ela, foi embora a coragem do apostador.
Com a derrota do Brasil, o
homem rapidamente amarelou e disse que tudo não passava de uma
"brincadeira". O problema é que a mulher não achou graça nenhuma.
Convicta de que aposta é aposta, procurou a polícia, registrou um boletim de
ocorrência e ainda espalhou faixas pela cidade exigindo que o cidadão cumprisse
o que havia prometido, pois ela estava preparada para cumprir, caso tivesse
perdido. Inclusive já tinha comprado um baby doll vermelho como precaução.
A história virou o principal
assunto de Araripina. A aposta passou a ser comentada em todos os principais
pontos da cidade, principalmente nos botecos, nas barbearias, nos salões de
beleza, nas lanchonetes, nas redes sociais, nas portas das igrejas, nos
velórios e, segundo dizem, até nos terreiros de macumba. Só faltou interromper
a previsão do tempo e virar pauta do Jornal Nacional.
Entretanto por mais engraçada
que a situação pareça, ela deixa uma lição importante: apostar sem pensar pode
transformar uma simples diversão em um enorme constrangimento. Quando a emoção
fala mais alto que a razão, o resultado costuma ser uma boa dose de
arrependimento. E, em alguns casos, até dor de cabeça com a polícia.
Da próxima vez, talvez seja
mais prudente apostar apenas um fardo de cerveja, de refrigerante, uma pizza ou
quem vai lavar a louça. Afinal, perder um jogo já é ruim. Pior ainda é perder a
vergonha, a paz e ainda virar motivo de piada para uma cidade inteira.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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