Por *Elvécio Andrade
Durante muito tempo, a
sociedade acostumou-se a enxergar a violência doméstica apenas por um único
ângulo. Mas um caso inusitado ocorrido em Medellín, na Colômbia, mostrou que o
sofrimento dentro de casa também pode atingir os homens, e, às vezes, de uma forma
que ninguém imagina.
Uma mulher, de nome não
divulgado, foi presa após o marido denunciar que era obrigado a cumprir uma
verdadeira "jornada extra de trabalho conjugal". Segundo o relato, a
esposa exigia relações sexuais até seis vezes por dia e, quando o cidadão
alegava cansaço, dores nas costas, sono ou simplesmente vontade de assistir
televisão em paz, a resposta vinha em forma de agressões, ameaças e pressão
psicológica.
O homem, que havia se
transformado em um escravo sexual nas mãos da mulher gulosa, procurou as
autoridades após sofrer ferimentos, inclusive lesões na cabeça. Pelo visto,
além de dizer "sim" no casamento, ele também estava sendo obrigado a
dizer "sim" em regime de plantão permanente, e não tinha ovo de
codorna com pasta de amendoim que desse conta.
Brincadeiras à parte, o caso
levanta um debate importante. Violência doméstica não escolhe sexo, idade ou
classe social. Homens também podem ser vítimas de agressões físicas,
psicológicas, patrimoniais e emocionais. O problema é que muitos ainda têm
vergonha de denunciar por medo do ridículo, do preconceito ou de não serem
levados a sério. A sociedade precisa entender que relacionamento saudável não
funciona na base da intimidação, da chantagem ou da violência. Amor não é
obrigação, e casamento não é contrato de trabalho com meta diária de
produtividade.
Portanto, fica o alerta: se
alguém está sofrendo agressões, humilhações ou qualquer forma de abuso dentro
de casa, deve procurar ajuda. Porque, no fim das contas, violência doméstica
continua sendo violência doméstica, mesmo quando a vítima é o homem que, depois
de um dia inteiro de trabalho, só queria deitar no sofá, tomar uma cervejinha
gelada e assistir ao jogo em paz.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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