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25/07/2026

Cães de rua provocam massacre em Rio Bananal e nenhuma providência é tomada pela prefeitura

O massacre realizado no galinheiro

Por *Elvécio Andrade

 

A situação dos cães abandonados em Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, parece ter chegado a um ponto em que não é mais possível fingir que nada está acontecendo. Enquanto a administração municipal, comandada pelo prefeito Bruno Pella (Podemos), permanece sem apresentar uma solução efetiva para o problema, a população convive com ataques, riscos à segurança e prejuízos que poderiam ser evitados com políticas públicas sérias e permanentes de proteção animal.

 

O mais grave é que o problema não é novo e, segundo moradores, já vem sendo denunciado há muito tempo. Ainda assim, a impressão que fica é de que a Prefeitura prefere assistir de camarote ao crescimento das matilhas pelas ruas, como se os animais tivessem surgido do nada e como se a responsabilidade pela situação não fosse também do poder público.

 

Recentemente, uma senhora de 42 anos, que terá a identidade preservada, foi atacada por dois cães em frente ao Supermercado Locatelli, no Bairro Santo Antônio, e precisou ser socorrida e encaminhada para atendimento hospitalar. O episódio, por si só, já seria motivo suficiente para provocar uma reação imediata da administração municipal. Mas os problemas continuam.

 

Em outro caso recente, um grupo de cães de rua invadiu um galinheiro cuja porta estava entreaberta e matou mais de 30 aves. O prejuízo e a indignação do proprietário são absolutamente compreensíveis. Afinal, não se trata apenas de números: são animais mortos e um cidadão que sofreu uma perda que poderia ter sido evitada se o Município tivesse uma política eficiente de controle populacional e acolhimento de animais abandonados.

 

É importante deixar claro: a culpa não é dos cães. Os animais não escolheram ser abandonados. Não decidiram viver nas ruas. Não são responsáveis pela irresponsabilidade de pessoas que os descartam como objetos. Famintos, assustados e expostos a todo tipo de perigo, eles apenas lutam pela própria sobrevivência. Como resumiu um morador, a culpa não é dos animais, mas de quem os abandona e, principalmente, da ausência de uma resposta pública eficiente diante de um problema que já é conhecido.

 


E aqui está o ponto central da questão: quando uma administração pública tem conhecimento de um problema que coloca pessoas e animais em risco e nada faz, a omissão deixa de ser apenas incompetência administrativa e passa a representar uma grave falha no cumprimento do dever público.

 

A situação também precisa ser analisada à luz das obrigações constitucionais de proteção ao meio ambiente e à fauna. O STF (Supremo Tribunal Federal) já consolidou o entendimento de que a proteção dos animais e a adoção de medidas contra o abandono e os maus-tratos não podem ser tratadas simplesmente como uma questão de conveniência ou de escolha política do gestor.

 

Não basta realizar ações pontuais, como castrações isoladas, e depois abandonar os animais à própria sorte. É necessário desenvolver políticas públicas permanentes, com estrutura adequada para acolhimento, tratamento veterinário, recuperação e adoção responsável, além de campanhas de conscientização e mecanismos efetivos para combater o abandono.

 

O Município precisa agir. É preciso encontrar uma solução que proteja a população, evite novos ataques, reduza a proliferação descontrolada de animais nas ruas e, ao mesmo tempo, garanta dignidade e proteção aos próprios cães e gatos abandonados. E no caso de omissão, caberá ao Ministério Público exigir o cumprimento da decisão do STF.

 

O que não pode continuar é essa situação absurda em que ninguém parece ser responsável por nada. Quando ocorre um ataque, a vítima sofre. Quando um animal é atropelado, ele sofre. Quando uma matilha provoca prejuízos, o cidadão paga. Quando animais são abandonados, eles ficam à própria sorte. E, enquanto isso, a administração pública permanece inerte, como se o problema não existisse.

 

Rio Bananal não precisa de discursos bonitos nem de ações meramente paliativas. Precisa de política pública séria, planejamento, responsabilidade e atitude. Porque administrar uma cidade não significa apenas organizar festas, inaugurar obras ou anunciar investimentos. Também significa enfrentar problemas difíceis, proteger a população e cumprir as obrigações que a lei impõe ao poder público.

 

E, no caso dos animais abandonados, a pergunta que fica é inevitável: até quando a Prefeitura de Rio Bananal vai esperar que aconteça uma tragédia maior para finalmente tomar uma providência? A população merece respostas. Os animais também. Veja o vídeo abaixo:

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


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