Por *Elvécio Andrade
Há algo profundamente preocupante
acontecendo em Linhares, no Norte do Espírito Santo. Um Município que, nos
últimos anos, vem convivendo com o crescimento constante da violência agora se
depara com um episódio que ultrapassa os limites da criminalidade cotidiana:
uma viatura da Polícia Militar foi alvo de uma explosão provocada por uma
mochila deixada por um motociclista ainda não identificado durante a madrugada
desta sexta-feira, 21.
Segundo as imagens de
videomonitoramento, o indivíduo surge de motocicleta, desce, faz uma dancinha, aproxima-se de uma
viatura estacionada nas proximidades de um batalhão, no Bairro José Rodrigues
Maciel, joga uma mochila sobre o capô e em seguida vai embora. Poucos
segundos depois, a mochila explode. O incêndio atingiu a viatura da Polícia
Militar e também um Fiat Toro estacionado logo atrás. O fogo precisou ser
controlado pelo Corpo de Bombeiros. A ocorrência está sendo investigada pela Dipo
(Delegacia de Infrações Penais e Outras), de Linhares, e as perícias deverão
apontar qual tipo de explosivo foi utilizado.
E é justamente aí que está a
gravidade do episódio. Não se trata apenas de um veículo incendiado. Trata-se
de um ataque contra uma instituição responsável pela segurança da população. Se
a intenção do criminoso era provocar medo, intimidar policiais ou demonstrar
que possui capacidade para atacar uma estrutura policial, o episódio precisa
ser tratado com a máxima seriedade. E se houvesse pessoas dentro daquela
viatura ou nas proximidades no momento da explosão, poderíamos estar falando de
uma tragédia ainda maior.
Linhares precisa olhar para esse
episódio não como um fato isolado, mas como mais um sinal de alerta diante do
avanço da violência no Município. Durante muito tempo, a violência foi sendo
naturalizada. Tiros, homicídios, confrontos, tráfico de drogas e outros crimes passaram
a fazer parte do cotidiano de uma população que, infelizmente, aprendeu a
conviver com o medo. Mas quando a criminalidade chega ao ponto de transformar
policiais e estruturas da própria segurança pública em alvos, alguma coisa está
muito errada.
E não adianta esperar que a situação
se agrave ainda mais para depois aparecerem discursos de indignação, promessas
de reforço policial e autoridades dizendo que estão “tomando providências”. Segurança
pública não pode funcionar apenas depois que o crime acontece. É preciso
investigar profundamente quem está por trás desse ataque, identificar o
explosivo utilizado, descobrir a motivação e, principalmente, impedir que
episódios dessa natureza se tornem recorrentes.
O criminoso que deixa uma mochila com
explosivos sobre uma viatura não está apenas destruindo patrimônio público.
Está enviando uma mensagem. E cabe ao Estado responder com investigação,
inteligência, prevenção e rigor dentro da lei. Linhares não pode aceitar que a
violência avance a ponto de fazer com que até aqueles que deveriam proteger a
população passem a ser caçados pelo crime. Porque quando a polícia vira alvo, o
problema já deixou de ser apenas da polícia. É um problema de toda a sociedade.
E o silêncio, nesse momento, seria tão perigoso quanto a própria explosão.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook
@sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal:
@colatinanews4085




Nenhum comentário:
Postar um comentário