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11/09/2026

Consumidor ribanense denuncia sucessivos defeitos e descaso após pagar mais de R$ 3 mil

Reclamação de descaso na Móveis Linhares

Por *Elvécio Andrade

 

Comprar um eletrodoméstico novo deveria significar tranquilidade. Para o consumidor Ramon Franca, de Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, significou exatamente o contrário. O que deveria ser a realização de uma necessidade importante transformou-se em um verdadeiro calvário, marcado por defeitos recorrentes, tentativas frustradas de conserto e, principalmente, pelo que ele considera um completo descaso por parte da empresa onde realizou a compra.

 

A história envolve uma geladeira Electrolux TF55, adquirida na filial ribanense da Móveis Linhares, por mais de R$ 3 mil, um valor que, segundo o consumidor, foi pago com muita dificuldade e com uma finalidade que ia muito além do simples conforto doméstico. Ele precisava do equipamento para conservar adequadamente um medicamento que utiliza e que necessita permanecer devidamente refrigerado. Como sua antiga geladeira não conseguia manter a temperatura necessária, fez um esforço financeiro para comprar um aparelho novo, acreditando estar resolvendo um problema.

 

Mal sabia que estava apenas começando outro. Segundo o relato do consumidor, apenas duas semanas depois da compra, a geladeira apresentou seu primeiro problema: praticamente todas as luzes de LED queimaram, dificultando até mesmo a utilização cotidiana do equipamento. Ele procurou a assistência autorizada e um técnico chegou a ir três vezes à residência durante a pandemia. O problema? De acordo com o consumidor, em todas as oportunidades o profissional levava uma placa que não correspondia ao equipamento.

 

Resultado: o defeito continuou e, depois da última tentativa, o técnico simplesmente não retornou. E o consumidor ficou com a geladeira defeituosa. Mas aquele seria apenas o primeiro capítulo. Pouco tempo depois, surgiu um problema ainda mais grave: a geladeira deixou de congelar. Novamente, o consumidor procurou assistência técnica. O equipamento foi reparado, mas, segundo ele, a solução durou menos de quatro meses e o defeito voltou.

 

Foi então que ele começou a pesquisar por conta própria e afirma ter encontrado milhares de reclamações relacionadas ao modelo no Reclame Aqui, inclusive relatos apontando problemas recorrentes naquela linha de refrigeradores. Ou seja: depois de gastar mais de R$ 3 mil em um equipamento que deveria proporcionar segurança e tranquilidade, o consumidor passou a descobrir que aparentemente não estava sozinho enfrentando problemas semelhantes.

 

Diante da repetição dos defeitos, o consumidor procurou o Procon em busca de ajuda. Segundo seu relato, o órgão conseguiu colocá-lo em contato com a Electrolux. Mas, conforme afirma, a fabricante acabou direcionando a questão para a Móveis Linhares. E aí vem uma das partes mais revoltantes da história. O consumidor afirma que procurou a loja, mas nem sequer teria sido recebido.

 

É difícil não perguntar: quando uma pessoa desembolsa mais de R$ 3 mil por um produto vendido dentro do estabelecimento, ela é cliente somente até o momento em que passa o cartão? Depois disso, quando aparece um problema, vira incômodo? O consumidor afirma que precisou novamente tirar dinheiro do próprio bolso para consertar a geladeira. O equipamento voltou a funcionar, mas, como uma espécie de pesadelo que insiste em não terminar, o defeito voltou.

 


E voltou novamente. E novamente. Até chegar à quarta ocorrência, segundo seu relato. Enquanto empresas discutem garantias, assistência técnica, responsabilidades e procedimentos, existe algo que muitas vezes parece ser esquecido: do outro lado está uma pessoa. Uma pessoa que trabalhou para juntar dinheiro, que comprou um produto novo justamente para não ter problemas, que precisa manter um medicamento adequadamente refrigerado.

 

E uma pessoa que, segundo seu próprio relato, passou por sucessivas tentativas de solução, gastos particulares e frustrações sem encontrar uma resposta satisfatória. O mais grave, portanto, talvez nem seja apenas a geladeira apresentar defeitos. Produtos podem apresentar problemas. O que não deveria apresentar defeito é o respeito ao consumidor. Quando alguém compra um produto caro e, diante de problemas repetidos, precisa peregrinar entre fabricante, assistência técnica, loja e Procon para tentar conseguir aquilo que entende ser seu direito, alguma coisa está profundamente errada na relação de consumo.

 

Em seu desabafo público, o consumidor é categórico ao descrever a maneira como afirma ter sido tratado pela loja. Segundo ele, sentiu-se completamente desrespeitado e chegou a afirmar que era tratado "como cachorro". Se essa é realmente a experiência de quem compra naquele estabelecimento, fica uma pergunta inevitável: é assim que uma empresa pretende tratar quem coloca seu dinheiro dentro do caixa?

 

O consumidor não está pedindo favor, não está pedindo esmola, não está querendo ganhar um presente. Ele está reclamando de um produto pelo qual pagou mais de R$ 3 mil e afirma que vem apresentando problemas sucessivos. E, sobretudo, está cobrando uma solução. Até quando? A geladeira continua sendo um problema. O prejuízo, segundo o consumidor, continua sendo dele. E a sensação de abandono também.

 

O caso serve como um alerta não apenas para a empresa envolvida, mas para todos nós que, diariamente, compramos produtos acreditando que teremos respaldo caso alguma coisa dê errado. Porque vender é fácil. Difícil é assumir responsabilidade quando o produto apresenta problema. O consumidor de Rio Bananal decidiu tornar sua indignação pública porque, segundo seu relato, não conseguiu encontrar dentro da relação comercial uma solução para aquilo que considera um problema simples: comprou uma geladeira nova e quer uma geladeira que funcione.

 

No fim das contas, fica a pergunta que deveria incomodar qualquer empresa que dependa do consumidor para existir: quanto vale um cliente depois que o dinheiro dele já está no caixa? Para o consumidor dessa história, aparentemente, muito menos do que os mais de R$ 3 mil que ele pagou pela geladeira. E é justamente aí que começa o verdadeiro problema. Veja o vídeo abaixo:

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


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