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12/09/2026

Padre barraqueiro cria confusão com clientes de boteco, agride mulher e leva porradas

O padre barraqueiro agrediu uma mulher

Por *Elvécio Andrade

 

São Félix de Minas, na Região do Vale do Rio Doce, parece ter ganhado uma atração nova: o padre que, segundo testemunhas, trocou o sermão pela confusão. O religioso, que não é o padre Kelmon e nem teve o nome divulgado, se irritou com clientes de um bar localizado em frente à sua residência. Até aí, reclamar de barulho é um direito de qualquer cidadão. O problema é o método.

 

Segundo relatos, a reclamação evoluíu para água sendo jogada nas pessoas, celular quebrado e agressão contra uma mulher. E, como toda boa confusão que começa mal, terminou com outras pessoas também agredindo o religioso nervosinho. É praticamente um “Amém” seguido de “corre que lá vem confusão”.

 

Se o barulho estava incomodando, existiam algumas opções bastante civilizadas, como conversar, ligar para a polícia, fechar a janela, respirar fundo e lembrar dos ensinamentos que costuma pregar. Mas, segundo os relatos, o padre barraqueiro escolheu a pior opção: transformar a frente de sua casa em ringue de MMA paroquial.

 

E aí fica difícil não fazer uma pergunta: que tipo de exemplo é esse? Porque de padre se espera oração, equilíbrio, tolerância e capacidade de resolver conflitos com diálogo. O que ninguém espera é que o homem responsável por falar de paz seja acusado de protagonizar um episódio que terminou em pancadaria.

 


Uma testemunha, inclusive, classificou o religioso como “encrenqueiro” e afirmou que ele frequentemente se envolve em confusões. É claro: acusação é acusação, e precisa ser investigada. A polícia foi acionada e caberá à apuração esclarecer exatamente o que aconteceu, quem iniciou a confusão e quais responsabilidades existem. Mas se os relatos forem confirmados, fica uma reflexão: talvez antes do próximo sermão sobre paciência, fosse interessante fazer uma reciclagem no curso de autocontrole.

 

Porque, pelo que foi relatado, o padre conseguiu uma façanha curiosa: transformar uma reclamação de barulho em ocorrência policial. E olha que nem precisou de microfone. No fim das contas, fica a lição: barulho se resolve com autoridade, desentendimento se resolve com diálogo, crime se resolve na Justiça e agressão não vira aceitável só porque quem está envolvido usa batina.

 

Até porque, se a paz não começa nem na porta de casa, fica complicado pregá-la do altar. São Félix de Minas que se cuide: aparentemente, o próximo sermão pode vir com direito a intervalo para o round 02. E que Deus, e principalmente a Polícia, nos proteja do próximo capítulo.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


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