Por *Elvécio Andrade
São Félix de Minas, na Região do Vale do Rio
Doce, parece ter ganhado uma atração nova: o padre que, segundo testemunhas,
trocou o sermão pela confusão. O religioso, que não é o padre Kelmon e nem teve
o nome divulgado, se irritou com clientes de um bar localizado em frente à sua
residência. Até aí, reclamar de barulho é um direito de qualquer cidadão. O
problema é o método.
Segundo relatos, a reclamação evoluíu para água
sendo jogada nas pessoas, celular quebrado e agressão contra uma mulher. E,
como toda boa confusão que começa mal, terminou com outras pessoas também
agredindo o religioso nervosinho. É praticamente um “Amém” seguido de “corre
que lá vem confusão”.
Se o barulho estava incomodando, existiam
algumas opções bastante civilizadas, como conversar, ligar para a polícia, fechar
a janela, respirar fundo e lembrar dos ensinamentos que costuma pregar. Mas,
segundo os relatos, o padre barraqueiro escolheu a pior opção: transformar a
frente de sua casa em ringue de MMA paroquial.
E aí fica difícil não fazer uma pergunta: que
tipo de exemplo é esse? Porque de padre se espera oração, equilíbrio,
tolerância e capacidade de resolver conflitos com diálogo. O que ninguém espera
é que o homem responsável por falar de paz seja acusado de protagonizar um
episódio que terminou em pancadaria.
Uma testemunha, inclusive, classificou o
religioso como “encrenqueiro” e afirmou que ele frequentemente se envolve em
confusões. É claro: acusação é acusação, e precisa ser investigada. A polícia
foi acionada e caberá à apuração esclarecer exatamente o que aconteceu, quem
iniciou a confusão e quais responsabilidades existem. Mas se os relatos forem
confirmados, fica uma reflexão: talvez antes do próximo sermão sobre paciência,
fosse interessante fazer uma reciclagem no curso de autocontrole.
Porque, pelo que foi relatado, o padre conseguiu
uma façanha curiosa: transformar uma reclamação de barulho em ocorrência
policial. E olha que nem precisou de microfone. No fim das contas, fica a
lição: barulho se resolve com autoridade, desentendimento se resolve com
diálogo, crime se resolve na Justiça e agressão não vira aceitável só porque
quem está envolvido usa batina.
Até porque, se a paz não começa nem na porta de
casa, fica complicado pregá-la do altar. São Félix de Minas que se cuide:
aparentemente, o próximo sermão pode vir com direito a intervalo para o round 02.
E que Deus, e principalmente a Polícia, nos proteja do próximo capítulo.
*Elvécio
Andrade é radialista,
jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e
Administrativo.
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