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24/07/2026

Imobiliária rescinde contrato de locação e "pastora" violenta terá de procurar outra moradia

"Pastora" agride o entregador de móveis

Por *Elvécio Andrade

 

As coisas continuam se complicando para a pré-candidata bolsonarista Renata Vieira, que se apresenta como “pastora” e pretende disputar uma vaga de deputada estadual por Minas Gerais. Depois do episódio ocorrido no último dia 16, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no qual aparece em vídeos agredindo um entregador de móveis, agora surgem informações de que a imobiliária responsável pela locação rescindiu o contrato de aluguel do imóvel onde ela morava.

 

As imagens gravadas por testemunhas e posteriormente divulgadas nas redes sociais mostram uma mulher exaltada, agressiva e totalmente fora de controle. Nos vídeos, Renata Vieira aparece desferindo tapas contra o trabalhador, arremessando uma pedra em sua direção e tentando derrubá-lo, chegando a agarrá-lo pela camisa.

 

Mesmo diante das imagens, a pré-candidata afirmou, sem apresentar quaisquer provas, que foi vítima de chutes, socos e beliscões. O homem envolvido na confusão, segundo informações divulgadas posteriormente, é um agente da Polícia Rodoviária Federal que, durante sua folga, realizava entregas para complementar a sua renda.

 

A versão apresentada por Renata, porém, foi contestada pelas próprias testemunhas e pelas imagens que circulam nas redes sociais. De acordo com relatos, a confusão começou porque um sofá de cinco lugares não caberia no elevador. Como o entregador estava sozinho, ele informou que sairia e retornaria acompanhado de outro funcionário para concluir o serviço com segurança.

 

A espera não foi aceita pela "pastora". A discussão evoluiu e, conforme mostram os vídeos, a situação terminou em agressões contra o trabalhador. O episódio lamentável levanta uma questão que não pode ser ignorada: o que teria acontecido se ninguém estivesse filmando?

 

As imagens são justamente o elemento que permite confrontar versões e compreender melhor a sequência dos acontecimentos. Sem elas, a narrativa poderia ser completamente diferente e, diante de uma acusação de agressão, o trabalhador poderia ter enfrentado consequências graves antes mesmo que os fatos fossem devidamente esclarecidos, como acontece praticamente todos os dias.

 


Isso não significa, evidentemente, que qualquer mulher que denuncie uma agressão deva ser desacreditada. A violência contra a mulher é um problema gravíssimo e merece ser combatida com rigor. Mas também é fundamental que toda denúncia seja investigada com seriedade, que provas sejam consideradas e que ninguém seja condenado antecipadamente apenas com base em versões unilaterais. Justiça não pode funcionar com dois pesos e duas medidas.

 

O episódio envolvendo Renata Vieira também coloca em discussão a responsabilidade de quem pretende ocupar um cargo público. Quem se apresenta como liderança religiosa e busca representar milhares de mineiros precisa compreender que sua conduta pessoal também será observada pela sociedade. Poder político exige equilíbrio, responsabilidade e, acima de tudo, respeito ao próximo.

 

Uma testemunha, que afirmou ter ficado assustada com o comportamento da pré-candidata, resumiu sua preocupação: "Se ela age assim diante de testemunhas e diante das câmeras, imagine quantas pessoas ela já deve ter prejudicado e ninguém ficou sabendo. Uma pessoa dessas, se tiver poder, prejudica meio mundo."

 

A declaração é forte, mas serve como alerta para uma reflexão necessária: candidatos a cargos públicos precisam ser avaliados por suas propostas, por sua trajetória e também pela maneira como tratam as pessoas quando são contrariados. Minas Gerais não precisa de mais políticos que transformem religião em instrumento de poder, agressividade em espetáculo e redes sociais em palco permanente de conflitos. O eleitor mineiro tem o direito, e o dever, de analisar cuidadosamente quem pretende ocupar uma cadeira no Legislativo.

 

No fim das contas, as urnas são o grande tribunal da democracia. E nelas, o eleitor é quem decide quem merece confiança para representar o povo. Porque, quando alguém pede o voto para exercer poder em nome da população, não basta falar em Deus, vestir uma faixa de "pastora" ou desfilar discursos de moralidade. É preciso demonstrar, na prática, equilíbrio, respeito e responsabilidade.

 

E, diante de episódios como esse, uma pergunta permanece no ar: que tipo de representante o eleitor mineiro deseja colocar dentro da Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional? O mineiro precisa recuperar a sua capacidade de escolha para não cometer o mesmo erro das últimas eleições, que elegeram políticos imprestáveis como Cleitinho, Nikolas Ferreira, Janones, Zema e tantos outros que em suas inutilidades, nada de bom fizeram para o povo.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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