Por *Elvécio Andrade
As coisas continuam se
complicando para a pré-candidata bolsonarista Renata Vieira, que se apresenta
como “pastora” e pretende disputar uma vaga de deputada estadual por Minas
Gerais. Depois do episódio ocorrido no último dia 16, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no qual aparece em vídeos agredindo um entregador de móveis, agora surgem informações de que a imobiliária responsável
pela locação rescindiu o contrato de aluguel do imóvel onde ela morava.
As imagens gravadas por
testemunhas e posteriormente divulgadas nas redes sociais mostram uma mulher
exaltada, agressiva e totalmente fora de controle. Nos vídeos, Renata Vieira
aparece desferindo tapas contra o trabalhador, arremessando uma pedra em sua
direção e tentando derrubá-lo, chegando a agarrá-lo pela camisa.
Mesmo diante das imagens, a
pré-candidata afirmou, sem apresentar quaisquer provas, que foi vítima de
chutes, socos e beliscões. O homem envolvido na confusão, segundo informações
divulgadas posteriormente, é um agente da Polícia Rodoviária Federal que,
durante sua folga, realizava entregas para complementar a sua renda.
A versão apresentada por
Renata, porém, foi contestada pelas próprias testemunhas e pelas imagens que
circulam nas redes sociais. De acordo com relatos, a confusão começou porque um
sofá de cinco lugares não caberia no elevador. Como o entregador estava
sozinho, ele informou que sairia e retornaria acompanhado de outro funcionário
para concluir o serviço com segurança.
A espera não foi aceita pela
"pastora". A discussão evoluiu e, conforme mostram os vídeos, a
situação terminou em agressões contra o trabalhador. O episódio lamentável
levanta uma questão que não pode ser ignorada: o que teria acontecido se
ninguém estivesse filmando?
As imagens são justamente o
elemento que permite confrontar versões e compreender melhor a sequência dos
acontecimentos. Sem elas, a narrativa poderia ser completamente diferente e,
diante de uma acusação de agressão, o trabalhador poderia ter enfrentado
consequências graves antes mesmo que os fatos fossem devidamente esclarecidos,
como acontece praticamente todos os dias.
Isso não significa,
evidentemente, que qualquer mulher que denuncie uma agressão deva ser
desacreditada. A violência contra a mulher é um problema gravíssimo e merece
ser combatida com rigor. Mas também é fundamental que toda denúncia seja
investigada com seriedade, que provas sejam consideradas e que ninguém seja
condenado antecipadamente apenas com base em versões unilaterais. Justiça não
pode funcionar com dois pesos e duas medidas.
O episódio envolvendo Renata
Vieira também coloca em discussão a responsabilidade de quem pretende ocupar um
cargo público. Quem se apresenta como liderança religiosa e busca representar
milhares de mineiros precisa compreender que sua conduta pessoal também será
observada pela sociedade. Poder político exige equilíbrio, responsabilidade e,
acima de tudo, respeito ao próximo.
Uma testemunha, que afirmou
ter ficado assustada com o comportamento da pré-candidata, resumiu sua
preocupação: "Se ela age assim diante de testemunhas e diante das câmeras,
imagine quantas pessoas ela já deve ter prejudicado e ninguém ficou sabendo.
Uma pessoa dessas, se tiver poder, prejudica meio mundo."
A declaração é forte, mas
serve como alerta para uma reflexão necessária: candidatos a cargos públicos
precisam ser avaliados por suas propostas, por sua trajetória e também pela
maneira como tratam as pessoas quando são contrariados. Minas Gerais não
precisa de mais políticos que transformem religião em instrumento de poder,
agressividade em espetáculo e redes sociais em palco permanente de conflitos. O
eleitor mineiro tem o direito, e o dever, de analisar cuidadosamente quem
pretende ocupar uma cadeira no Legislativo.
No fim das contas, as urnas
são o grande tribunal da democracia. E nelas, o eleitor é quem decide quem
merece confiança para representar o povo. Porque, quando alguém pede o voto
para exercer poder em nome da população, não basta falar em Deus, vestir uma
faixa de "pastora" ou desfilar discursos de moralidade. É preciso
demonstrar, na prática, equilíbrio, respeito e responsabilidade.
E, diante de episódios como
esse, uma pergunta permanece no ar: que tipo de representante o eleitor mineiro
deseja colocar dentro da Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional? O
mineiro precisa recuperar a sua capacidade de escolha para não cometer o mesmo
erro das últimas eleições, que elegeram políticos imprestáveis como Cleitinho,
Nikolas Ferreira, Janones, Zema e tantos outros que em suas inutilidades, nada
de bom fizeram para o povo.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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