Por *Elvécio Andrade
O Distrito de São Jorge deTiradentes, em Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, vive um momento que muitos moradores classificam como o mais preocupante de sua história recente. O
sentimento predominante já não é mais de tranquilidade, mas de insegurança,
medo e incerteza diante do avanço da criminalidade e da aparente ausência do
poder público.
De acordo com informações
obtidas pelo Colatina News,
moradores relatam preocupação com a possível atuação de integrantes de
organizações criminosas na localidade. O temor ganhou força após o surgimento
de pichações com referências ao Comando Vermelho em postes, placas, imóveis
particulares e até em prédios públicos, uma demonstração simbólica de poder que
tem causado apreensão entre famílias que, até poucos anos atrás, desfrutavam de
uma rotina pacata e segura.
A consequência desse cenário é
devastadora. Moradores afirmam que a paz desapareceu das ruas, os encontros
familiares se tornaram mais raros, o lazer foi reduzido e a sensação de
liberdade deu lugar à constante preocupação. Muitos dizem que já não conseguem
viver com a mesma tranquilidade de antes. Além disso, cresce a percepção de que
a imagem do distrito está sendo prejudicada, provocando até mesmo a
desvalorização de propriedades e afastando possíveis investidores.
Um morador, que preferiu não
se identificar por receio de represálias, relatou que São Jorge de Tiradentes
sempre foi conhecida como uma comunidade ordeira e acolhedora. Segundo ele, a
falta de investimentos públicos, a escassez de oportunidades e a fragilidade da
presença do Estado contribuiram para criar um ambiente favorável à ação de
criminosos, que enxergam na região uma oportunidade de atuação com pouca
fiscalização.
A situação se torna ainda mais
alarmante quando se observa a realidade da segurança pública em Rio Bananal.
Com uma população estimada em mais de 20 mil habitantes e uma economia fortemente
baseada na agropecuária, o Município não possui Companhia da Polícia Militar e
depende apenas de um Destacamento da PM. Segundo relatos locais, o efetivo
disponível é insuficiente para atender adequadamente toda a demanda do Município,
o que alimenta o sentimento de abandono entre os cidadãos.
Como se não bastasse, surgem
entre os moradores discussões e preocupações sobre os possíveis reflexos do
fortalecimento das ações de combate ao crime organizado no Brasil. Embora não
exista qualquer indicação de ameaça internacional contra a localidade, o
simples fato de o distrito estar associado, ainda que apenas no imaginário
popular, à presença de facções criminosas já causa enorme apreensão entre os
moradores, que temem pelo futuro de suas famílias e pela reputação da
comunidade.
São Jorge de Tiradentes não
pode continuar refém do medo. A população tem o direito de viver em paz, com
segurança, dignidade e presença efetiva do Estado. O avanço das pichações, o
sentimento de insegurança e os relatos de abandono exigem respostas urgentes
das autoridades municipais e estaduais. Ignorar os sinais de alerta pode
transformar um problema já grave em uma crise ainda maior.
Há quem tema que com a
possível classificação do CV e PCC como terrorista a pedido do senador Flávio
Bolsonaro, São Jorge de Tiradentes possa, no futuro, se nada for feito, se tornar
alvo de bombardeios por forças internacionais. Por isso a comunidade clama por
ações concretas, reforço da segurança pública, investimentos sociais e
políticas que devolvam aos moradores aquilo que lhes foi retirado nos últimos
anos: a tranquilidade de viver sem medo.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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