Distrito de São Jorge de Tiradentes vive sob o domínio do medo e do abandono - Colatina News

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24/06/2026

Distrito de São Jorge de Tiradentes vive sob o domínio do medo e do abandono

Tem pichação por todo lado

Por *Elvécio Andrade

 

O Distrito de São Jorge deTiradentes, em Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, vive um momento que muitos moradores classificam como o mais preocupante de sua história recente. O sentimento predominante já não é mais de tranquilidade, mas de insegurança, medo e incerteza diante do avanço da criminalidade e da aparente ausência do poder público.

 

De acordo com informações obtidas pelo Colatina News, moradores relatam preocupação com a possível atuação de integrantes de organizações criminosas na localidade. O temor ganhou força após o surgimento de pichações com referências ao Comando Vermelho em postes, placas, imóveis particulares e até em prédios públicos, uma demonstração simbólica de poder que tem causado apreensão entre famílias que, até poucos anos atrás, desfrutavam de uma rotina pacata e segura.

 

A consequência desse cenário é devastadora. Moradores afirmam que a paz desapareceu das ruas, os encontros familiares se tornaram mais raros, o lazer foi reduzido e a sensação de liberdade deu lugar à constante preocupação. Muitos dizem que já não conseguem viver com a mesma tranquilidade de antes. Além disso, cresce a percepção de que a imagem do distrito está sendo prejudicada, provocando até mesmo a desvalorização de propriedades e afastando possíveis investidores.

 

Um morador, que preferiu não se identificar por receio de represálias, relatou que São Jorge de Tiradentes sempre foi conhecida como uma comunidade ordeira e acolhedora. Segundo ele, a falta de investimentos públicos, a escassez de oportunidades e a fragilidade da presença do Estado contribuiram para criar um ambiente favorável à ação de criminosos, que enxergam na região uma oportunidade de atuação com pouca fiscalização.

 


A situação se torna ainda mais alarmante quando se observa a realidade da segurança pública em Rio Bananal. Com uma população estimada em mais de 20 mil habitantes e uma economia fortemente baseada na agropecuária, o Município não possui Companhia da Polícia Militar e depende apenas de um Destacamento da PM. Segundo relatos locais, o efetivo disponível é insuficiente para atender adequadamente toda a demanda do Município, o que alimenta o sentimento de abandono entre os cidadãos.

 

Como se não bastasse, surgem entre os moradores discussões e preocupações sobre os possíveis reflexos do fortalecimento das ações de combate ao crime organizado no Brasil. Embora não exista qualquer indicação de ameaça internacional contra a localidade, o simples fato de o distrito estar associado, ainda que apenas no imaginário popular, à presença de facções criminosas já causa enorme apreensão entre os moradores, que temem pelo futuro de suas famílias e pela reputação da comunidade.

 

São Jorge de Tiradentes não pode continuar refém do medo. A população tem o direito de viver em paz, com segurança, dignidade e presença efetiva do Estado. O avanço das pichações, o sentimento de insegurança e os relatos de abandono exigem respostas urgentes das autoridades municipais e estaduais. Ignorar os sinais de alerta pode transformar um problema já grave em uma crise ainda maior.

 

Há quem tema que com a possível classificação do CV e PCC como terrorista a pedido do senador Flávio Bolsonaro, São Jorge de Tiradentes possa, no futuro, se nada for feito, se tornar alvo de bombardeios por forças internacionais. Por isso a comunidade clama por ações concretas, reforço da segurança pública, investimentos sociais e políticas que devolvam aos moradores aquilo que lhes foi retirado nos últimos anos: a tranquilidade de viver sem medo.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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