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22/06/2026

Em Rio Bananal pichadores exibem siglas criminosas e desafiam as autoridades locais

Desrespeito às autoridades

Por *Elvécio Andrade

 

A situação no Distrito de São Jorge de Tiradentes, em Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, é alarmante e exige uma resposta firme e imediata das autoridades. O distrito, onde inclusive reside o vice-prefeito do Município, foi praticamente tomado por pichações com as siglas “P.C.” e “P.C.V.”, amplamente associadas à facção criminosa Comando Vermelho.

 

Como se não bastasse a ousadia dos criminosos em espalhar suas marcas por postes, placas, imóveis particulares e espaços públicos, em alguns locais eles chegaram ao absurdo de escrever abaixo das siglas o slogan “Paz, Justiça e Liberdade”, numa tentativa descarada de impor medo, demonstrar poder e desafiar o Estado diante dos olhos da população.

 

Segundo moradores, essa afronta não é recente. Há muito tempo as pichações se espalham pelo distrito, gerando insegurança, medo e a sensação de abandono. Muitas famílias relatam estar atemorizadas com a possibilidade de que São Jorge de Tiradentes esteja servindo como esconderijo ou base de apoio para criminosos perigosos ligados ao tráfico de drogas e ao crime organizado.

 

Tem pichação por toda parte


A preocupação da população não é infundada. Durante as investigações, policiais civis de Rio Bananal e Linhares identificaram motocicletas utilizadas na prática das pichações e em outros delitos. Dois indivíduos foram presos: Jânio Mickael Lopes da Conceição, de 22 anos, conhecido como MK, e Nilson Inácio Azevedo Kobi.

 

As investigações revelaram que os veículos utilizados para espalhar as pichações também eram empregados em cobranças de dívidas relacionadas ao tráfico de drogas e em agressões contra pessoas. Ao ser preso, MK confessou participação nas pichações que aterrorizam os moradores. Já Nilson Inácio foi identificado como condenado por tráfico de drogas e foragido do sistema prisional, após não retornar de uma saída temporária.

 

Mesmo diante da confissão, MK acabou sendo liberado, enquanto Nilson foi reconduzido ao sistema penitenciário por sua condição de foragido. O episódio escancara uma realidade preocupante: criminosos se sentiram à vontade para marcar território, intimidar cidadãos de bem e espalhar símbolos de facções pelas ruas de um distrito inteiro. A pergunta que ecoa entre os moradores é simples e direta: quantos outros envolvidos ainda estão agindo livremente?

 


A população exige providências urgentes. Não basta prender alguns responsáveis pelas pichações. É necessário identificar todos os envolvidos, remover imediatamente as marcas criminosas espalhadas pelo distrito e reforçar a presença policial na região. O que está em jogo não é apenas a estética urbana, mas a tranquilidade, a segurança e a própria sensação de autoridade do Estado.

 

Quando facções criminosas passam a exibir seus símbolos livremente em espaços públicos, o problema deixa de ser apenas vandalismo. Trata-se de uma mensagem de intimidação dirigida à sociedade. E nenhuma comunidade pode aceitar conviver com isso como se fosse algo normal.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


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