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17/06/2026

Exoneração ou armação? O intrigante pedido de exoneração de quem já não era mais secretário

O decreto e o pedido com as suas datas

Por *Elvécio Andrade

 

Em Vila Valério, no Noroeste do Espírito Santo, uma situação no mínimo curiosa e, para muitos, constrangedora, vem chamando a atenção da população. O ex-Secretário Municipal de Comunicação, Jorge Ribeiro, que publicamente sustentou a versão de que havia deixado o cargo por vontade própria, agora se vê no centro de uma polêmica que levanta questionamentos sobre transparência, sinceridade e respeito à inteligência dos cidadãos.

 

Os fatos são simples e documentados. O Decreto nº 133/2026, publicado pela Prefeitura Municipal de Vila Valério no dia 12 de junho, determinou a exoneração de Jorge Ribeiro do cargo de Secretário Municipal de Comunicação. O ato administrativo tornou-se público, foi divulgado oficialmente e ficou acessível tanto à imprensa quanto à população.

 

Entretanto, mesmo após a publicação do decreto que o retirava formalmente do cargo, Jorge Ribeiro compareceu à Prefeitura na segunda-feira, dia 15, para protocolar um pedido de exoneração. Surge então uma pergunta inevitável: pedir exoneração de qual cargo, se três dias antes ele já havia sido exonerado pelo prefeito?

 

A situação beira o absurdo. Afinal, ninguém pode pedir desligamento de uma função que já não ocupa. O ato parece contradizer os documentos oficiais e gera dúvidas legítimas sobre as verdadeiras intenções por trás da iniciativa do ex-secretário. Trata-se de uma tentativa de reescrever os fatos? De construir uma narrativa diferente daquela registrada oficialmente? Ou apenas de criar uma versão conveniente para consumo político?

 


O mais grave é que a população valerIense não merece ser tratada como ingênua. Os documentos públicos existem justamente para garantir transparência e impedir versões fabricadas dos acontecimentos. Quando um decreto oficial informa uma exoneração e, dias depois, surge um pedido de exoneração do mesmo cargo, o mínimo que se espera é uma explicação convincente.

 

O comentário que circula entre políticos e moradores é que a exoneração ocorreu em razão de supostas articulações internas contra a própria administração municipal. Segundo essas conversas, Jorge Ribeiro estava se aproximando do grupo político do ex-prefeito Robinho Partelli, apontado por seus críticos como o pior prefeito da história do Município, e participando de movimentações visando fortalecer o projeto político do ex-prefeito de Vitória, o bolsonarista Lorenzo Pazolini (Republicanos), apontado como possível candidato ao Governo do Estado.

 

Se essas informações correspondem ou não à realidade, cabe aos envolvidos esclarecer. O que não pode permanecer sem resposta é a contradição objetiva entre os fatos oficiais e a narrativa apresentada posteriormente. A política já sofre demais com a falta de credibilidade. Quando agentes públicos tentam transformar documentos oficiais em meros detalhes inconvenientes, contribuem para aumentar a desconfiança da população nas instituições. E a pergunta continua sem resposta: por que alguém pediria exoneração de um cargo que já havia perdido dias antes?

 

Enquanto essa explicação não aparece, fica a impressão de que, em Vila Valério, alguns personagens políticos acreditam que uma caneta pode apagar a memória dos fatos. Mas documentos públicos têm uma característica inconveniente para quem tenta reescrever a história: eles permanecem registrados para que todos possam conferir a verdade.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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