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04/06/2026

Bikes elétricas sem controle: Quantas mortes ainda serão necessárias para que haja fiscalização?

As bicicletas elétricas viraram um problema

Por *Elvécio Andrade

 

O Espírito Santo está diante de um problema que cresce a cada dia e que já não pode mais ser ignorado pelas autoridades. Os números são alarmantes: somente neste ano, duas pessoas perderam a vida e 205 acidentes envolvendo bicicletas elétricas foram registrados até abril. O aumento é assustador: cerca de 500% em relação ao mesmo período de 2024.

 

O que deveria ser uma alternativa de mobilidade urbana está se transformando em um fator de insegurança no trânsito. A popularização das bicicletas elétricas trouxe benefícios para muitos usuários, mas também escancarou um cenário preocupante de imprudência, desrespeito às regras de trânsito e completa ausência de fiscalização.

 

Não é difícil encontrar relatos de motoristas que quase se envolveram em acidentes graves por causa de ciclistas trafegando na contramão, avançando cruzamentos sem qualquer cuidado ou atravessando repentinamente à frente dos veículos sem sinalizar suas intenções. Em muitos casos, a sensação é de que determinadas pessoas acreditam estar acima das regras de trânsito simplesmente porque conduzem uma bicicleta elétrica.

 

A indignação popular cresce porque, diferentemente dos automóveis e motocicletas, muitos desses veículos circulam sem qualquer mecanismo eficaz de identificação. Não são poucos os cidadãos que defendem a implantação obrigatória de placas para bicicletas elétricas, mesmo que não haja exigência de CNH. O argumento é simples: quando houver identificação do veículo, haverá responsabilização. E quando houver responsabilização, multas e punições poderão atingir quem insiste em colocar vidas em risco.

 


A preocupação se torna ainda maior quando se observa a quantidade de menores de idade conduzindo esses veículos. Adolescentes de 12, 13 ou 14 anos circulam pelas ruas em equipamentos capazes de atingir velocidades consideráveis, muitas vezes sem qualquer conhecimento das normas de trânsito. O resultado é uma combinação perigosa de inexperiência, imprudência e ausência de fiscalização.

 

Também cresce a cobrança para que os chamados veículos autopropelidos de maior porte sejam submetidos a regras mais rígidas, incluindo emplacamento e exigência da ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor) ou da CNH categoria A, assim como ocorre com motocicletas e ciclomotores. Afinal, se o veículo possui potência e velocidade suficientes para causar acidentes graves ou fatais, é razoável exigir que seu condutor tenha preparo mínimo para utilizá-lo.

 

A verdade é que o poder público parece não estar correndo atrás do prejuízo. Enquanto a tecnologia avança e esses veículos se multiplicam pelas ruas, a legislação e a fiscalização permanecem lentas e insuficientes. E quem paga essa conta é a população, que convive diariamente com situações de risco, colisões e, cada vez mais, tragédias.

 

A pergunta que fica é incômoda, mas necessária: quantos acidentes, quantos feridos e quantas mortes ainda serão necessários para que as autoridades finalmente regulamentem, fiscalizem e imponham regras claras para o uso das bicicletas elétricas? Porque os números já demonstram que o problema deixou de ser uma simples questão de mobilidade e passou a ser uma questão de segurança pública.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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