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17/07/2026

Prefeito transforma reunião comunitária em palanque político e revolta moradores de Guriri

Reunião que revoltou participantes

Por *Elvécio Andrade

 

O que deveria ser uma reunião para ouvir a população de Guriri acabou se transformando em um episódio que provocou indignação e revolta entre moradores e lideranças comunitárias de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. O prefeito Marcus Azevedo Batista, o Marcus da Cozivip (Podemos), voltou a ser alvo de duras críticas após, segundo participantes, utilizar um encontro promovido pela administração municipal como palco para promover politicamente seu aliado, o deputado federal Gilson Daniel (Podemos).

 

Eleito prometendo uma profunda transformação administrativa em São Mateus, Marcus da Cozivip ainda enfrenta cobranças pelo não cumprimento de diversas promessas de campanha. Para muitos moradores, a gestão segue repetindo práticas da velha política que ele próprio dizia combater.

 

De acordo com representantes de entidades de Guriri, o convite para a reunião foi feito com a expectativa de que a Prefeitura ouviria as reivindicações da comunidade. A população compareceu preparada para discutir problemas que se arrastam há anos, como a precariedade do transporte público, falhas na limpeza urbana, o retorno da lixeira comunitária, a troca de lâmpadas queimadas e a conclusão do patrolamento da Rua 26 Norte.

 

Mas, segundo os relatos, nada disso aconteceu, e os participantes afirmam que o prefeito concentrou sua fala na apresentação e no lançamento político da candidatura à reeleição de Gilson Daniel. Encerrado o discurso, a reunião também terminou. O prefeito deixou o local apressadamente, e as lideranças comunitárias sequer tiveram a oportunidade de apresentar suas demandas.

 

"Fomos chamados para falar da comunidade, mas servimos apenas de plateia para um ato político, o que acho um desrespeito não só conosco representantes do bairro, mas com foda a população de São Mateus", resumiu um dos participantes, inconformado com o desfecho do encontro.

 


A denúncia é ainda mais grave porque, segundo os presentes, o evento foi organizado pela estrutura da Prefeitura, com toda a condução feita pela assessoria de comunicação do Município. Em vez de um espaço democrático de diálogo, o que se viu, segundo eles, foi um roteiro previamente definido, sem abertura para ouvir quem convive diariamente com os problemas do balneário.

 

O episódio levanta questionamentos que merecem atenção dos órgãos de fiscalização, principalmente do Ministério Público. A legislação eleitoral estabelece limites para a utilização da estrutura pública em benefício de candidaturas, justamente para preservar a igualdade de oportunidades entre os concorrentes. Caberá às autoridades competentes verificar se os fatos narrados configuram eventual irregularidade ou abuso de poder político.

 

Enquanto isso, cresce o sentimento de decepção entre os moradores de Guriri. A população esperava soluções para problemas reais, mas saiu do encontro sem respostas, sem diálogo e com a impressão de que os interesses políticos voltaram a ocupar o espaço que deveria ser reservado exclusivamente ao interesse público.

 

Quando um governante deixa de ouvir a comunidade para priorizar a promoção de aliados políticos, a principal derrotada é a própria democracia. Afinal, quem governa deve prestar contas ao povo, e não transformar eventos públicos em instrumentos de conveniência eleitoral.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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