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27/10/2026

Carlim da Dengue sente a “marretada” da notícia, perde a elegância e ataca o jornalista

Carlim da Dengue sentiu a marretada

Por *Elvécio Andrade

 

Há políticos que recebem críticas com serenidade, apresentam argumentos, esclarecem os fatos e seguem trabalhando. E há aqueles que, diante de uma notícia desagradável, parecem sofrer uma espécie de urticária institucional. Ao que tudo indica, o vereador Carlos Rubens, popularmente conhecido como Carlim da Dengue, pertence à segunda categoria.

 

Bastou o Colatina News divulgar uma informação sobre a possibilidade de o parlamentar enfrentar um processo de cassação por quebra de decoro para que o vereador, aparentemente incomodado com a repercussão, resolvesse disparar contra o jornalista responsável pela publicação. Como não poderia faltar nesse espetáculo de argumentos escassos e indignação abundante, Carlim resolveu questionar o fato de o jornalista ocupar um cargo público comissionado, insinuando que a notícia tinha sido produzida durante o expediente.

 

Errou o alvo. E errou feio. Talvez o nobre edil desconheça uma ferramenta muito utilizada por profissionais de comunicação chamada agendamento de publicações. Funciona assim, vereador: o jornalista escreve a matéria, programa o horário e o sistema publica automaticamente. Não é feitiçaria, não é milagre e tampouco exige que alguém esteja sentado diante do computador no momento em que a notícia aparece. As matérias do Colatina News são redigidas durante a madrugada e têm seus horários de publicação previamente programados.

 

Compreendemos que determinadas tecnologias possam parecer extraordinárias para quem aparentemente acredita que toda notícia publicada às dez horas precisa, obrigatoriamente, ter sido escrita às dez horas. Mas nunca é tarde para aprender. Na tentativa de desqualificar o veículo, Carlim chamou o Colatina News de "jornalzinho meia boca". Curioso! Para um jornalzinho supostamente tão insignificante, a notícia parece ter produzido um incômodo de proporções consideráveis. O jornalzinho que provocou um jornalzão de chiliques.

 

Afinal, se a publicação não merece credibilidade, por que tamanho esforço para atacar seu responsável? O vereador poderia simplesmente apresentar esclarecimentos sobre a informação divulgada. Poderia explicar sua posição diante da possibilidade de um procedimento por quebra de decoro. Poderia, inclusive, contestar objetivamente qualquer informação que considerasse incorreta. Mas preferiu outro caminho: atacar o mensageiro na esperança de desacreditar a mensagem.

 

É uma estratégia antiga. Quando faltam argumentos para enfrentar o conteúdo, tenta-se transformar a vida do jornalista na pauta principal. Quem tem telhado de vidro deveria evitar campeonatos de arremesso de pedras. A tentativa de levar a discussão para o campo pessoal merece uma reflexão. A vida privada de qualquer cidadão, inclusive de jornalistas e vereadores, deve ser respeitada. Entretanto, a atuação pública de quem exerce mandato eletivo está legitimamente sujeita à fiscalização, ao questionamento e à investigação jornalística.

 

E isso vale para todos. Se existem fatos relevantes relacionados à conduta pública de qualquer parlamentar, eles podem e devem ser apurados e divulgados, desde que sustentados por elementos verificáveis. Portanto, seria prudente que Carlim abandonasse a estratégia dos ataques pessoais. Quem resolve transformar uma discussão jornalística em uma guerra de acusações pode acabar abrindo espaço para questionamentos que jamais imaginou enfrentar.

 


O debate público não é um poleiro onde vence quem faz mais barulho. Vereador, fiscalizar é importante. Trabalhar também! Ninguém questiona o direito de um vereador fiscalizar obras públicas. Pelo contrário: essa é uma de suas atribuições constitucionais. O problema começa quando a fiscalização parece se transformar em uma interminável excursão em busca de defeitos, acompanhada de críticas que nem sempre apresentam soluções. A população espera muito mais de seus representantes do que vídeos, provocações e espetáculos nas redes sociais.

 

Espera projetos, propostas, responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento do Município. Criticar uma obra é fácil. Apresentar alternativas, acompanhar resultados e contribuir efetivamente para melhorar a vida da população exige um pouco mais de trabalho. E trabalho parlamentar não deveria ser confundido com produção de conteúdo para alimentar polêmicas. Sete anos de jornalismo não serão silenciados por um vereador contrariado

 

O Colatina News continuará exercendo o trabalho que desenvolve há sete anos: acompanhar os acontecimentos, divulgar informações de interesse público e fiscalizar a atuação dos agentes políticos, independentemente de partidos, cargos ou preferências eleitorais. Não reivindicamos o monopólio da verdade, tampouco imunidade a críticas. O contraditório é legítimo e será sempre respeitado. O que não aceitaremos é a tentativa de transformar o exercício do jornalismo em motivo para intimidação pessoal.

 

Quanto à notícia sobre a possibilidade de cassação, convém recordar que divulgar uma informação sobre eventual procedimento parlamentar não significa decretar a culpa de ninguém. Qualquer iniciativa dessa natureza deverá observar os trâmites legais, o contraditório e a ampla defesa. Se o vereador considera a informação incorreta, que apresente os fatos. Se discorda da crítica, que apresente argumentos. Se deseja respeito, que comece respeitando.

 

E, finalmente, um esclarecimento ao nobre vereador: o Colatina News não precisa da autorização de Carlim da Dengue para publicar notícias. O jornalismo não existe para massagear o ego de autoridades, muito menos para servir de departamento de relações públicas de políticos contrariados. Continuaremos atentos a Carlim e a qualquer outro agente público cuja atuação mereça questionamento. Porque mandato não é salvo-conduto contra críticas, dinheiro público não é propriedade particular e liberdade de imprensa não é favor concedido por vereador.

 

E quanto ao tal jornalzinho meia boca, fica uma última observação: se uma simples notícia de um jornalzinho provocou tamanha reação, imagine o que aconteceria se o vereador resolvesse dedicar às questões do Município a mesma energia que dedica a atacar jornalistas. Talvez a população finalmente saísse ganhando. E guarde bem isso: jornalismo não se faz de joelhos diante do poder.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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