Por *Elvécio Andrade
Há políticos que recebem críticas com
serenidade, apresentam argumentos, esclarecem os fatos e seguem trabalhando. E
há aqueles que, diante de uma notícia desagradável, parecem sofrer uma espécie
de urticária institucional. Ao que tudo indica, o vereador Carlos Rubens,
popularmente conhecido como Carlim da
Dengue, pertence à segunda categoria.
Bastou o Colatina News divulgar uma informação sobre a possibilidade de o
parlamentar enfrentar um processo de cassação por quebra de decoro para que o
vereador, aparentemente incomodado com a repercussão, resolvesse disparar
contra o jornalista responsável pela publicação. Como não poderia faltar nesse
espetáculo de argumentos escassos e indignação abundante, Carlim resolveu questionar o fato de o jornalista ocupar um cargo
público comissionado, insinuando que a notícia tinha sido produzida durante o
expediente.
Errou o alvo. E errou feio. Talvez o nobre edil desconheça uma
ferramenta muito utilizada por profissionais de comunicação chamada agendamento
de publicações. Funciona assim, vereador: o jornalista escreve a matéria,
programa o horário e o sistema publica automaticamente. Não é feitiçaria, não é
milagre e tampouco exige que alguém esteja sentado diante do computador no
momento em que a notícia aparece. As matérias do Colatina News são redigidas durante a madrugada e têm seus horários
de publicação previamente programados.
Compreendemos que determinadas
tecnologias possam parecer extraordinárias para quem aparentemente acredita que
toda notícia publicada às dez horas precisa, obrigatoriamente, ter sido escrita
às dez horas. Mas nunca é tarde para aprender. Na tentativa de desqualificar o
veículo, Carlim chamou o Colatina News de "jornalzinho meia
boca". Curioso! Para um jornalzinho supostamente tão insignificante, a
notícia parece ter produzido um incômodo de proporções consideráveis. O
jornalzinho que provocou um jornalzão de chiliques.
Afinal, se a publicação não merece
credibilidade, por que tamanho esforço para atacar seu responsável? O vereador
poderia simplesmente apresentar esclarecimentos sobre a informação divulgada.
Poderia explicar sua posição diante da possibilidade de um procedimento por
quebra de decoro. Poderia, inclusive, contestar objetivamente qualquer
informação que considerasse incorreta. Mas preferiu outro caminho: atacar o
mensageiro na esperança de desacreditar a mensagem.
É uma estratégia antiga. Quando
faltam argumentos para enfrentar o conteúdo, tenta-se transformar a vida do
jornalista na pauta principal. Quem tem telhado de vidro deveria evitar
campeonatos de arremesso de pedras. A tentativa de levar a discussão para o
campo pessoal merece uma reflexão. A vida privada de qualquer cidadão,
inclusive de jornalistas e vereadores, deve ser respeitada. Entretanto, a
atuação pública de quem exerce mandato eletivo está legitimamente sujeita à
fiscalização, ao questionamento e à investigação jornalística.
E isso vale para todos. Se existem
fatos relevantes relacionados à conduta pública de qualquer parlamentar, eles podem
e devem ser apurados e divulgados, desde que sustentados por elementos
verificáveis. Portanto, seria prudente que Carlim
abandonasse a estratégia dos ataques pessoais. Quem resolve transformar uma
discussão jornalística em uma guerra de acusações pode acabar abrindo espaço
para questionamentos que jamais imaginou enfrentar.
O debate público não é um poleiro
onde vence quem faz mais barulho. Vereador, fiscalizar é importante. Trabalhar
também! Ninguém questiona o direito de um vereador fiscalizar obras públicas.
Pelo contrário: essa é uma de suas atribuições constitucionais. O problema
começa quando a fiscalização parece se transformar em uma interminável excursão
em busca de defeitos, acompanhada de críticas que nem sempre apresentam
soluções. A população espera muito mais de seus representantes do que vídeos,
provocações e espetáculos nas redes sociais.
Espera projetos, propostas,
responsabilidade e compromisso com o desenvolvimento do Município. Criticar uma
obra é fácil. Apresentar alternativas, acompanhar resultados e contribuir
efetivamente para melhorar a vida da população exige um pouco mais de trabalho.
E trabalho parlamentar não deveria ser confundido com produção de conteúdo para
alimentar polêmicas. Sete anos de jornalismo não serão silenciados por um
vereador contrariado
O Colatina News continuará exercendo o trabalho que desenvolve há
sete anos: acompanhar os acontecimentos, divulgar informações de interesse
público e fiscalizar a atuação dos agentes políticos, independentemente de
partidos, cargos ou preferências eleitorais. Não reivindicamos o monopólio da
verdade, tampouco imunidade a críticas. O contraditório é legítimo e será
sempre respeitado. O que não aceitaremos é a tentativa de transformar o
exercício do jornalismo em motivo para intimidação pessoal.
Quanto à notícia sobre a
possibilidade de cassação, convém recordar que divulgar uma informação sobre
eventual procedimento parlamentar não significa decretar a culpa de ninguém.
Qualquer iniciativa dessa natureza deverá observar os trâmites legais, o
contraditório e a ampla defesa. Se o vereador considera a informação incorreta,
que apresente os fatos. Se discorda da crítica, que apresente argumentos. Se
deseja respeito, que comece respeitando.
E, finalmente, um esclarecimento ao
nobre vereador: o Colatina News não
precisa da autorização de Carlim da
Dengue para publicar notícias. O jornalismo não existe para massagear o ego
de autoridades, muito menos para servir de departamento de relações públicas de
políticos contrariados. Continuaremos atentos a Carlim e a qualquer outro agente público cuja atuação mereça
questionamento. Porque mandato não é salvo-conduto contra críticas, dinheiro
público não é propriedade particular e liberdade de imprensa não é favor
concedido por vereador.
E quanto ao tal jornalzinho meia boca, fica uma última observação: se uma simples
notícia de um jornalzinho provocou tamanha reação, imagine o que aconteceria se
o vereador resolvesse dedicar às questões do Município a mesma energia que
dedica a atacar jornalistas. Talvez a população finalmente saísse ganhando. E
guarde bem isso: jornalismo não se faz
de joelhos diante do poder.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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