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20/04/2026

Barbárie urbana: cavalo na calçada vira símbolo de “vale tudo” em Barra de São Francisco/ES

Falta de respeito ou vontade de aparecer?

Por *Elvécio Andrade

 

Dizem que toda cidade tem sua própria lógica. Algumas funcionam com leis, outras com bom senso. Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, ao que tudo indica, resolveu inovar: funciona no improviso.

 

Não é de hoje. Quem anda pelas ruas já se acostumou com o concerto desafinado dos escapamentos adulterados, com o som automotivo que invade casas sem pedir licença e com o sinal vermelho que, por aqui, parece mais um enfeite urbano do que uma regra. Há quem diga que é cultural. Outros chamam de descaso. Mas, no fundo, todo mundo sabe: é a ausência escancarada de limites.

 

Aí vem a cena. Quase poética, se não fosse trágica. Uma mulher não identificada, montada em seu cavalo, desfilando calmamente pela calçada novinha da Avenida Jones dos Santos Neves, no Centro. Não na rua, veja bem, mas na calçada. O espaço do pedestre. O lugar onde, em tese, ainda restaria algum resquício de ordem.

 

O cavalo segue firme, alheio ao espanto. Talvez seja o único inocente da história. Não sabe que pisa sobre granito recém-colocado, pago com dinheiro público. Não entende de legislação, nem de urbanidade. Apenas obedece. Quem conduz é que deveria saber, mas aí já estamos exigindo demais.

 


E o mais curioso é que ninguém parece surpreso o suficiente. A cena choca, sim, mas não surpreende. Porque, no fundo, ela é só mais um capítulo de uma cidade onde o absurdo deixou de ser exceção e passou a ser rotina.

 

Lá atrás, nos anos 90, um vereador de Mantena/MG soltou a frase que ficou ecoando como provocação: “Barra de São Francisco é uma cidade sem lei”. Na época, muita gente torceu o nariz. Hoje, talvez reste apenas o silêncio, aquele silêncio raro, que só aparece quando até o barulho constante já não consegue esconder a verdade.

 

A população clama por providências mais rigorosas contra aqueles que descumprem impunimente as leis. Contra o barulho que inferniza as pessoas a qualquer hora do dia ou da noite. Contra quem anda a cavalo sobre as calaçadas. No fim das contas, a cena do cavalo na calçada não é sobre um animal fora do lugar. É sobre uma cidade que, há muito tempo, perdeu o seu.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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