No Noroeste do
Espírito Santo, a linha entre mandato parlamentar e produção de conteúdo parece
ter sido atropelada, sem freio, sem noção e, agora, com inquérito policial no
encalço.
A protagonista da
vez é a vereadora bolsonarista Andressa Aparecida Ferreira Siqueira, (MDB), de São Domingos do Norte, no Noroeste capixaba, que saiu da condição de
fiscalizadora para a de investigada em um inquérito conduzido pela Polícia
Civil capixaba e analisado pela Justiça em Colatina, também no Noroeste
capixaba.
O roteiro é digno de
tragicomédia institucional: entra em unidade de saúde, grava vídeo, expõe tudo
nas redes e, no meio do caminho, esquece um detalhe básico, regra existe,
inclusive para vereadores.
Segundo o Ministério
Público do Estado do Espírito Santo, a coisa não foi tão “espontânea” assim.
Agora querem saber até quantas curtidas e visualizações renderam os vídeos da
parlamentar. Sim, o alcance digital virou prova. Porque, ao que tudo indica, a
fiscalização pode ter virado palco. E o serviço público, figurante.
Entre as cenas desse
reality show político estão
acusações de entrada em áreas restritas de unidades de saúde sem EPI,
circulação onde não devia e abordagens a servidores em tom nada amistoso.
Traduzindo: fiscalização com cara de invasão e diálogo com cheiro de
intimidação.
E não para por aí. O
Ministério Público pediu medidas cautelares. Nada de prisão, mas um puxão de
freio institucional: se quiser fiscalizar, vai ter que seguir protocolo, pedir
autorização e, pasmem, usar equipamento de proteção como qualquer mortal. E se
não cumprir as determinações, pode ser decretada a prisão preventiva. Que fase,
hem?
Ah, e tem bônus: a
vereadora já aparece em outro registro recente por desacato. Parece que o
script se repete, muda o cenário, mas o comportamento insiste. No fim, sobra a
pergunta que ninguém consegue ignorar: É representante do povo… ou influencer
de denúncia? Está mais para discípula de capitão Assunção, que na época da
pandemia invadia hospitais e nunca foi devidamente punido.
Porque fiscalizar é
dever. Agora, transformar hospital em estúdio e servidor em figurante
constrangido… aí já não é política, é espetáculo. E como todo espetáculo ruim,
uma hora a conta chega.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook:
@sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal:
@colatinanews4085!




Nenhum comentário:
Postar um comentário