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22/04/2026

Vereadora vira caso de polícia e transforma posto de saúde em cenário de Instagram

Vereadora Andressa extrapolou e se deu mal


 

No Noroeste do Espírito Santo, a linha entre mandato parlamentar e produção de conteúdo parece ter sido atropelada, sem freio, sem noção e, agora, com inquérito policial no encalço.

 

A protagonista da vez é a vereadora bolsonarista Andressa Aparecida Ferreira Siqueira, (MDB), de São Domingos do Norte, no Noroeste capixaba, que saiu da condição de fiscalizadora para a de investigada em um inquérito conduzido pela Polícia Civil capixaba e analisado pela Justiça em Colatina, também no Noroeste capixaba.

 

O roteiro é digno de tragicomédia institucional: entra em unidade de saúde, grava vídeo, expõe tudo nas redes e, no meio do caminho, esquece um detalhe básico, regra existe, inclusive para vereadores.

 

Segundo o Ministério Público do Estado do Espírito Santo, a coisa não foi tão “espontânea” assim. Agora querem saber até quantas curtidas e visualizações renderam os vídeos da parlamentar. Sim, o alcance digital virou prova. Porque, ao que tudo indica, a fiscalização pode ter virado palco. E o serviço público, figurante.

 


Entre as cenas desse reality show político estão acusações de entrada em áreas restritas de unidades de saúde sem EPI, circulação onde não devia e abordagens a servidores em tom nada amistoso. Traduzindo: fiscalização com cara de invasão e diálogo com cheiro de intimidação.

 

E não para por aí. O Ministério Público pediu medidas cautelares. Nada de prisão, mas um puxão de freio institucional: se quiser fiscalizar, vai ter que seguir protocolo, pedir autorização e, pasmem, usar equipamento de proteção como qualquer mortal. E se não cumprir as determinações, pode ser decretada a prisão preventiva. Que fase, hem?

 

Ah, e tem bônus: a vereadora já aparece em outro registro recente por desacato. Parece que o script se repete, muda o cenário, mas o comportamento insiste. No fim, sobra a pergunta que ninguém consegue ignorar: É representante do povo… ou influencer de denúncia? Está mais para discípula de capitão Assunção, que na época da pandemia invadia hospitais e nunca foi devidamente punido.

 

Porque fiscalizar é dever. Agora, transformar hospital em estúdio e servidor em figurante constrangido… aí já não é política, é espetáculo. E como todo espetáculo ruim, uma hora a conta chega.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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