Por *Elvécio Andrade
Em tempos em que a
memória das cidades vai sendo apagada pelo concreto, pela pressa e pela
política de conveniência, um projeto apresentado pelo cantor e vereador Elso
Alves (Podemos), resgata algo que nenhuma administração deveria esquecer: o
valor das pessoas simples que ajudaram a construir a identidade popular de uma
comunidade.
Na sessão ordinária
da última segunda-feira, dia 11, foi protocolado na Câmara Municipal um projeto
de lei propondo que o Estádio Municipal deixe de carregar o nome de Joaquim Alves de Souza para receber o nome de João Batista Justes, eternizado no coração dos francisquenses como Serraria.
E basta pronunciar
esse apelido para que uma geração inteira se lembre imediatamente de um homem
alegre, popular, presente, humano e profundamente ligado à alma de Barra de São
Francisco, no Noroeste do Espírito Santo.
Vindo de Governador
Valadares/MG há muitos anos, Serraria
chegou à cidade em busca de oportunidade, como tantos brasileiros anônimos que
atravessam estradas carregando apenas coragem e esperança. Seu primeiro
trabalho foi justamente em uma serraria, origem do apelido que acabaria se
tornando mais conhecido do que o próprio nome de batismo. Mas o tempo
transformou o forasteiro em francisquense de coração.
Serraria não foi apenas um
comerciante. Não foi apenas um churrasqueiro. Foi um personagem popular
daqueles que ajudam a escrever a história afetiva de uma cidade. Fez amizades,
participou da vida social, incentivou o esporte e transformou sua churrascaria,
instalada no Estádio Municipal, em um verdadeiro ponto de encontro regional.
Ali não se vendia apenas churrasco. Vendia-se convivência, amizade, risadas,
histórias e memória.
Por anos, gente de
Barra de São Francisco e de cidades vizinhas frequentava o local não apenas
pela comida, mas pela figura carismática que recebia todos como se fossem da
família.
Talvez por isso o
nome Serraria desperte muito mais
identificação popular do que a atual denominação do estádio, conhecida apenas
por moradores mais antigos. A proposta apresentada possui justamente esse
simbolismo: eternizar alguém que pertenceu ao povo e que foi reconhecido pelo
povo. E existe ainda uma ironia amarga nessa história.
Em 2013, Serraria acabou expulso do espaço onde
construiu parte de sua trajetória pelo então prefeito Luciano Pereira. Um
episódio que muitos jamais esqueceram, especialmente porque Serraria sempre apoiou politicamente a
família Pereira, incluindo o pai do ex-prefeito, também ex-chefe do Executivo
municipal.
Agora, após sua
morte, a cidade parece ter a oportunidade de corrigir, ao menos simbolicamente,
uma injustiça da história. Não se sabe se o projeto será aprovado. Na política,
muitas vezes faltam sensibilidade, memória e grandeza. Mas uma coisa é
impossível negar: poucos nomes representam tanto o sentimento popular
francisquense quanto Serraria.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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