Por *Elvécio Andrade
Em tempos em que tantos nomes
são colocados em prédios públicos por conveniência política, acordos de
gabinete ou simples vaidade de poder, Barra de São Francisco, no Noroeste do
Espírito Santo, tem diante de si uma oportunidade rara: fazer justiça à própria
história popular.
A recente morte de João
Batista Justes, o inesquecível Serraria,
deixou um vazio impossível de medir apenas com palavras. Porque Serraria não era apenas um cidadão
comum. Era daqueles personagens humanos que ajudam a construir a alma de uma
cidade. Um homem simples, querido, folclórico, autêntico, daqueles que
carregavam no sorriso, na conversa e no jeito de viver a identidade
francisquense.
Irmão do lendário cantor José
Geraldo, Serraria escreveu sua
própria história em Barra de São Francisco sem precisar de fama nacional para
conquistar respeito. Ele fez isso vivendo entre o povo. Na juventude, esteve
nos gramados da cidade, jogando futebol ao lado de figuras históricas do
esporte local. Frequentou clubes, participou da vida esportiva e ajudou a
construir uma época em que o futebol ainda era movido por amizade, raça e
paixão verdadeira pela camisa.
Mas foi atrás da churrasqueira
que Serraria se tornou praticamente
uma instituição municipal. Durante anos, sua famosa churrascaria instalada
dentro do estádio municipal virou ponto obrigatório para moradores e
visitantes. O cheiro da carne assando parecia atravessar fronteiras. Gente de
cidades vizinhas do Espírito Santo e até de Mantena/MG chegava a Barra de São
Francisco para comer o churrasco do Serraria.
Não era apenas comida. Era encontro, amizade, resenha, memória afetiva.
O Estádio Municipal, durante vários
anos, teve a alma daquele homem circulando entre as arquibancadas, os
jogadores, os torcedores, clientes e a fumaça da churrasqueira. Só saiu de lá
porque o ex-prefeito Luciano Pereira, não permitiu sua presença. Por isso,
talvez tenha chegado a hora de Barra de São Francisco compreender algo
essencial: homenagens públicas precisam representar o sentimento do povo, e não
apenas decisões políticas do passado.
Renomear o atual Estádio
Municipal Prefeito Joaquim Alves de Souza para Estádio Municipal João Batista Justes, Serraria seria mais do que
uma troca de placas. Seria um gesto de reconhecimento popular. Um ato de
humanidade. Uma homenagem legítima a alguém que realmente viveu o estádio,
respirou o futebol local e marcou gerações.
Porque, convenhamos: poucos
prefeitos conseguem deixar uma lembrança tão viva quanto um homem que alimentou
amizades, acolheu visitantes e se transformou em símbolo afetivo da cidade. Serraria não governou Município, não
ocupou gabinete, não fez discursos em palanque. Fez algo muito mais raro:
conquistou carinho verdadeiro.
E talvez seja exatamente esse
tipo de nome que mereça permanecer eternamente gravado na entrada de um estádio
municipal. Há homens que passam pelo poder. E há homens que permanecem para
sempre no coração do povo. Serraria
pertence à segunda categoria.
*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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