Colatina: quando o copo d’água vira luxo e a gestão pública evapora - Colatina News

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16/04/2026

Colatina: quando o copo d’água vira luxo e a gestão pública evapora

Qual receberá o troféu de pior administrador?


Por Elvécio Andrade

 

Em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, parece que a sede não é apenas de água, é de gestão. E, pelo visto, está em falta nos dois casos.

 

A cidade, que já viveu dias melhores (ou menos constrangedores), agora assiste a um espetáculo deprimente: postos de saúde capengando, bairros largados à própria sorte e uma população que começa a perceber que trocou promessa por frustração. O nome da vez? Renzo Vasconcelos.

 

As redes sociais viraram um verdadeiro mural de lamentações. E não é exagero, é desabafo mesmo. Uma internauta resumiu o nível da situação com uma cena que parece piada, mas não é: “Vai na prefeitura? Leva o copo de casa. Lá não tem. E ainda fica em pé esperando atendimento. Vergonha é pouco”.

 

Se faltar copo já é simbólico, imagine o resto. E como toda tragédia administrativa costuma vir acompanhada de comparações inevitáveis, o fantasma de Sérgio Meneguelli voltou a assombrar o imaginário popular. Não como saudade, mas como alerta.

 


“É a reencarnação do Serginho”, disparou uma moradora, sem rodeios. “Enquanto pintava meio-fio e desenhava amarelinhas nas calçadas, a prefeitura ficava largada às traças, totalmente abandonada”. Parece que Colatina saiu do governo Meneguelli que maquiava calçadas para outro que esqueceu até o básico dentro dos prédios públicos.

 

No meio do caos, ainda há quem lembre, com certo saudosismo pragmático, de Guerino Balestrassi: “Tinha defeitos, claro. Mas posto de saúde sem material? Isso não existia. A cidade andava, as coisas funcionavam e as obras sempre estavam presentes”. Hoje, segundo moradores, a cidade continua andando, mas é para trás.

 

Um residente do Bairro Ayrton Senna foi além e mirou direto na raiz do problema: o voto. “Enquanto o povo cair nesse papo de ‘novo’, ‘diferente’, sem olhar o histórico do candidato, vai continuar elegendo aventureiro. Depois paga a conta”. E paga caro, às vezes com dignidade, às vezes com saúde, e às vezes… levando copo de casa para beber água na prefeitura.

 

Até agora, a administração de Colatina segue em silêncio, talvez esperando que as críticas evaporem como a água que falta nos copos públicos. Mas a população já entendeu: quando o básico vira luxo, não é só descuido.  É sintoma de algo muito maior. E mais grave.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

Uma das reclamações de internautas


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