Por *Elvécio Andrade
O que deveria ser
tradição virou espetáculo de atraso. As chamadas “cavalgadas”, tão romantizadas
em cidades do interior, estão cada vez mais escancarando seu verdadeiro rosto:
um misto de crueldade contra animais, consumo desenfreado de álcool e explosões
de violência por qualquer motivo.
No sábado de
Aleluia, 04, em Mantena, no Leste de Minas Gerais, o roteiro se repetiu como um
disco arranhado: gente bêbada, confusão generalizada, mulheres descontroladas
se atracando numa briga generalizada e, mais uma vez, vexame e baixaria. O que
era para ser lazer terminou em violência, e ninguém parece surpreso. Porque, no
fundo, todo mundo já sabe como isso acaba.
Enquanto isso, os
cavalos seguem pagando a conta. Submetidos a quilômetros de caminhada sob sol
forte, carregando pessoas, muitas vezes em condições físicas que beiram o
desrespeito, os animais são tratados como meros instrumentos de diversão.
Exaustos, forçados e sem escolha. A “festa” só é boa para quem está em cima, e,
geralmente, com uma lata de cerveja na mão.
Não se trata de um
caso isolado. De Mantena ao interior de vários estados brasileiros, o padrão se
repete: bebida em excesso, discussões fúteis e brigas que começam por qualquer
motivo, seja ciúme de mulheres bêbadas e desequilibradas, disputa por atenção
ou simplesmente o velho combustível da ignorância embriagada. A pergunta que
fica é: até quando?
Até quando a
violência será tolerada em nome de uma “tradição” ridícula e ultrapassada? Até
quando o sofrimento animal será ignorado pelos promotores do evento como se
fosse parte do pacote? E até quando as autoridades vão continuar fingindo que
não veem o óbvio?
É urgente encarar a
realidade: cavalgadas, da forma como vêm sendo realizadas, deixaram de ser
cultura para se tornarem um problema de segurança pública e de maus-tratos aos
animais, que é proibido pela legislação brasileira. Falta fiscalização, sobra
omissão.
Se tradição virou
desculpa para barbárie, talvez esteja mais do que na hora de rever o que, de
fato, merece ser preservado. Porque, do jeito que está, não é festa, é
retrocesso. E quem participa e incentiva a prática dessa violência é cúmplice.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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