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07/05/2026

A vereadora sumiu. Quando a Justiça bate à porta, há quem prefira desaparecer pela janela

Vereadora Andressa se deu mal

Por *Elvécio Andrade

 

Em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo, a política resolveu flertar de vez com o roteiro de tragicomédia, daquelas em que o enredo é tão absurdo que beira o inacreditável. A protagonista da vez é a vereadora Andressa Aparecida Ferreira Siqueira (MDB), que, ao tentar barrar judicialmente o próprio processo de cassação, acabou colecionando derrotas em série, e, logo depois, resolveu sumir do mapa.

 

A parlamentar impetrou Mandado de Segurança na tentativa de suspender a votação que analisaria o recebimento da denúncia contra ela. Alegou de tudo um pouco: irregularidades no procedimento, ausência de justa causa, cerceamento de defesa, enfim. Um pacote clássico de argumentos que, na prática, não convenceu o Judiciário. E qual foi o resultado? Liminar indeferida.

 

Não satisfeita, recorreu ao TJES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) por meio de Agravo de Instrumento. Esperava, talvez, reverter o placar. Mas a resposta foi ainda mais direta: manutenção da decisão anterior, com o reconhecimento de que o processo seguiu rigorosamente o rito legal. Em outras palavras, não havia irregularidade nenhuma, apenas o curso normal da lei, coisa que parece incomodar quando atinge quem não esperava ser atingido.

 

E foi justamente após essa sequência de reveses que o caso ganhou um ingrediente ainda mais curioso, ou preocupante, dependendo do ponto de vista. A vereadora simplesmente desapareceu do mapa. Sumiu das sessões legislativas, dos espaços públicos e até do próprio endereço residencial. Há cerca de sete dias não dá as caras no Legislativo, dificultando inclusive sua notificação oficial dentro do processo de cassação.

 


Servidores da Câmara foram atrás, bateram à porta, procuraram em seu domicílio… nada. Nenhum sinal. Nos bastidores, o comentário corre solto: o sumiço coincide, com precisão quase cirúrgica, com o avanço do processo que pode encerrar sua carreira política de forma precoce, e nada honrosa.

 

Enquanto isso, o caso escala. Ganhou repercussão estadual após investigações da Polícia Civil apontarem o indiciamento da parlamentar por tentativa de estelionato e abuso de autoridade. As denúncias são graves: suspeitas de coação contra servidores públicos e tentativa de obtenção indevida de benefícios sociais. Um conjunto de acusações que, se confirmadas, desenha um cenário incompatível com qualquer mandato público minimamente responsável.

 

No fim das contas, o roteiro é conhecido: quando a pressão aumenta, quando a Justiça fecha o cerco e quando os fatos começam a falar mais alto que os discursos, alguns optam pelo silêncio, ou, neste caso, pelo desaparecimento.

 

Mas há um detalhe incômodo que insiste em permanecer: processos não desaparecem, investigações não evaporam e a responsabilidade, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra o seu destino, mesmo que alguém tente, desesperadamente, não ser encontrado no caminho.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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