Por *Elvécio Andrade
Em São Domingos do
Norte, no Noroeste do Espírito Santo, a política resolveu flertar de vez com o
roteiro de tragicomédia, daquelas em que o enredo é tão absurdo que beira o
inacreditável. A protagonista da vez é a vereadora Andressa Aparecida Ferreira
Siqueira (MDB), que, ao tentar barrar judicialmente o próprio processo de cassação, acabou colecionando derrotas em série, e, logo depois, resolveu sumir
do mapa.
A parlamentar impetrou
Mandado de Segurança na tentativa de suspender a votação que analisaria o
recebimento da denúncia contra ela. Alegou de tudo um pouco: irregularidades no
procedimento, ausência de justa causa, cerceamento de defesa, enfim. Um pacote
clássico de argumentos que, na prática, não convenceu o Judiciário. E qual foi
o resultado? Liminar indeferida.
Não satisfeita,
recorreu ao TJES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) por meio de Agravo de
Instrumento. Esperava, talvez, reverter o placar. Mas a resposta foi ainda mais
direta: manutenção da decisão anterior, com o reconhecimento de que o processo
seguiu rigorosamente o rito legal. Em outras palavras, não havia irregularidade
nenhuma, apenas o curso normal da lei, coisa que parece incomodar quando atinge
quem não esperava ser atingido.
E foi justamente
após essa sequência de reveses que o caso ganhou um ingrediente ainda mais
curioso, ou preocupante, dependendo do ponto de vista. A vereadora simplesmente
desapareceu do mapa. Sumiu das sessões legislativas, dos espaços públicos e até
do próprio endereço residencial. Há cerca de sete dias não dá as caras no
Legislativo, dificultando inclusive sua notificação oficial dentro do processo
de cassação.
Servidores da Câmara
foram atrás, bateram à porta, procuraram em seu domicílio… nada. Nenhum sinal.
Nos bastidores, o comentário corre solto: o sumiço coincide, com precisão quase
cirúrgica, com o avanço do processo que pode encerrar sua carreira política de
forma precoce, e nada honrosa.
Enquanto isso, o
caso escala. Ganhou repercussão estadual após investigações da Polícia Civil
apontarem o indiciamento da parlamentar por tentativa de estelionato e abuso de
autoridade. As denúncias são graves: suspeitas de coação contra servidores
públicos e tentativa de obtenção indevida de benefícios sociais. Um conjunto de
acusações que, se confirmadas, desenha um cenário incompatível com qualquer
mandato público minimamente responsável.
No fim das contas, o
roteiro é conhecido: quando a pressão aumenta, quando a Justiça fecha o cerco e
quando os fatos começam a falar mais alto que os discursos, alguns optam pelo
silêncio, ou, neste caso, pelo desaparecimento.
Mas há um detalhe
incômodo que insiste em permanecer: processos não desaparecem, investigações
não evaporam e a responsabilidade, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra o
seu destino, mesmo que alguém tente, desesperadamente, não ser encontrado no
caminho.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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