Câmara abre processo de cassação e São Domingos do Norte entra em ebulição política - Colatina News

Recentes


Acessos

google.com, pub-2151647549971277, DIRECT, f08c47fec0942fa0

29/04/2026

Câmara abre processo de cassação e São Domingos do Norte entra em ebulição política

Andressa corre o risco de perder o cargo

Por *Elvécio Andrade

 

A temperatura política subiu, e não foi pouco, em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo. Em uma sessão atribulada, a Câmara Municipal decidiu, por sete votos a um, abrir processo de cassação contra a vereadora Andressa Aparecida Ferreira Siqueira (MDB). O placar elástico não apenas autorizou a investigação, como também escancarou o tamanho do desgaste político que se abateu sobre a parlamentar.

 

O pedido, apresentado por um morador no último dia 15, veio embalado por um conjunto de denúncias que inclui suspeitas de corrupção, improbidade administrativa e quebra de decoro parlamentar, um combo que, por si só, já seria suficiente para abalar qualquer mandato. Entre os elementos mais sensíveis está o indiciamento por tentativa de estelionato, relacionado a um suposto cadastro irregular no programa Bolsa Família.

 

A defesa, como era de se esperar, veio rápida: Andressa nega tudo e afirma ser alvo de perseguição política. Discurso comum em cenários assim, e que, em muitos casos, encontra eco. O problema é que, desta vez, o barulho não vem só da oposição.

 

Nos bastidores da administração municipal, o ambiente já não era dos mais tranquilos. Relatos de pressões sobre servidores, abordagens consideradas inadequadas e interferências no trabalho de funcionários públicos começaram a circular, e ganharam força suficiente para entrar oficialmente na narrativa do processo.

 

O resultado? Um grupo de servidores resolveu romper o silêncio e publicou uma nota de repúdio que não deixa margem para dúvidas: “Repudiamos qualquer forma de constrangimento, intimidação ou abuso de autoridade contra servidores públicos no exercício de suas funções. O serviço público deve ser pautado pelo respeito, legalidade e ética”. Quando o funcionalismo decide falar em bloco, é sinal de que o problema já transbordou das paredes do gabinete.

 


Seguindo o rito do Decreto-Lei nº 201/1967, a denúncia foi lida e imediatamente colocada em votação. Com a aprovação, veio o sorteio da comissão processante, formada por Patrick Mota (MDB), Ivanete Kuster (Podemos) e Leonel Meneguite (MDB). Ou seja. A comissão conta com dois colegas de partido, sendo que um deles foi o único voto contrário à abertura do processo.

 

Agora, o trio tem cinco dias para dar o pontapé inicial e notificar oficialmente a vereadora. A partir daí, começa a contagem regressiva: até 90 dias, sem direito a prorrogação, para investigar, produzir relatório e levar o caso ao plenário. Se o prazo estourar, o processo morre, simples assim.

 

Se dentro da Câmara o clima foi tenso, fora dela o público deu seu recado: aplausos após a decisão de abrir o processo. Um gesto que, embora simbólico, pesa, e muito, no tabuleiro político. A soma de fatores, votação esmagadora, reação popular e posicionamento dos servidores, desenha um cenário de forte isolamento político para a vereadora. E, em política, isolamento costuma ser mais perigoso do que qualquer acusação formal.

 

Agora, o caso entra na fase mais delicada: a da prova, do contraditório e da disputa de narrativas. No fim, só há dois caminhos possíveis: cassação ou arquivamento. Até lá, São Domingos do Norte segue assistindo, de camarote, e com olhos atentos, a um dos episódios mais explosivos de sua atual legislatura.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook: @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085!

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário