Por *Elvécio Andrade
O último fim de semana em Governador
Lindenberg, no Noroeste do Espírito Santo, aquela típica cidade pequena onde,
em tese, nada acontece, resolveu contrariar a própria fama, mas da pior forma
possível. Duas mulheres protagonizaram uma briga violenta em plena via pública, no Bairro Brasília, transformando o asfalto em ringue improvisado e a população em plateia sedenta
por entretenimento barato.
Não foi discussão de esquina,
nem troca de farpas: foi pancadaria sem freio. Tapas estalando, puxões de
cabelo dignos de cena de novela das oito, chutes desordenados e gritos
histéricos ecoando pela rua. As duas se revezavam no chão, num verdadeiro
“rola-rola” urbano que mais parecia luta de MMA, só que sem juiz, sem regra e,
principalmente, sem qualquer noção.
E como todo espetáculo precisa
de público, rapidamente a rua se encheu. Mas não de gente disposta a apartar.
Nada disso. O que se viu foi um festival de celulares erguidos, gente gritando,
incentivando, filmando, como se a dignidade alheia fosse atração de circo. A
passividade virou cumplicidade, e o caos ganhou plateia.
Curiosamente, ou talvez
simbolicamente, o único ser que demonstrou algum senso de humanidade (ou seria
“caninidade”?) foi um cachorro de rua, que tentou, em vão, separar as duas
brigonas. Enquanto isso, humanos bem alimentados e racionais preferiam registrar
o barraco para as redes sociais.
Depois de longos minutos de
vergonha coletiva, dois homens finalmente intervieram para encerrar o
espetáculo deprimente. Mas nem aí houve dignidade completa: uma das mulheres,
ainda transtornada, insistia em continuar a briga e acabou sendo agredida por
um dos próprios “pacificadores” que a jogou no chão. Ou seja, violência
combatida com mais violência, a lógica torta de sempre.
O motivo? Mistério. Nos
bastidores, corre o velho enredo que nunca sai de moda: disputa por macho.
Verdade ou fofoca, ninguém sabe. E, convenhamos, dificilmente saberá, porque
esse tipo de história costuma morrer na mesma velocidade em que viraliza.
O que também chama atenção é o
silêncio absoluto das autoridades. Nenhuma informação sobre intervenção
policial, registro de ocorrência ou qualquer providência. Como se nada tivesse
acontecido. Como se a barbárie fosse apenas mais um episódio banal na rotina.
No fim das contas, fica o
retrato incômodo: uma briga selvagem de mulheres sem noção, uma multidão omissa
e um cachorro que, ironicamente, foi o único a tentar agir com algum bom senso.
Em Governador Lindenberg, pelo visto, até os animais estão dando aula de
civilidade. Veja o vídeo abaixo:
*Elvécio Andrade é radialista,
jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e
Administrativo.
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