Por *Elvécio Andrade
Em Rio Bananal, no
Norte do Espírito Santo, os moradores aprenderam da pior forma que promessa
eleitoral não tapa buraco, só aprofunda.
O prefeito Bruno
Pella chegou ao poder embalado por um discurso simples e eficiente: resolver o
caos das estradas do interior. Não era uma promessa qualquer. Era a promessa.
Aquela que conversa direto com o produtor rural, com quem depende da terra, do
tempo e, principalmente, de um caminho transitável pra escoar o que produz.
Funcionou. Veio o
voto. Veio a vitória. E, logo depois, veio o silêncio. Hoje, no Córrego
Timirim, o cenário não é de abandono, é de desistência institucional. Estradas
esburacadas, trechos intransitáveis e uma sensação crescente de que o interior
foi empurrado para fora do mapa administrativo.
Ali, o café não
perde valor por falta de mercado. Perde por falta de estrada. E foi nesse ponto
que Betim, produtor rural, fez o que
a gestão não fez: apareceu. Gravou. Mostrou. Falou. Sem assessoria. Sem filtro.
Sem maquiagem. Disse o óbvio que ninguém na prefeitura parece disposto a
admitir: nem nas piores fases anteriores as estradas chegaram a esse nível de
abandono.
Não é elogio ao passado.
É um atestado duro sobre o presente. E quando ele encerra dizendo que o
prefeito e seus aliados não voltem mais para pedir voto, o que se ouve não é só
indignação, é desencanto, é ruptura pura e simples.
Porque há um momento
em que o eleitor para de reclamar e começa a romper. E esse momento costuma ser
irreversível. A gestão municipal parece ignorar um detalhe básico: estrada não
é favor. É obrigação. Não é obra de campanha. É infraestrutura essencial.
E quando isso falha,
não é só o tráfego que para. Para a economia local. Para a confiança. Para a
paciência. E, às vezes, para o próprio futuro político de quem prometeu e não
entregou. Porque buraco em estrada se resolve com máquina. Mas o buraco entre
promessa e realidade… esse costuma engolir mandatos inteiros.
É sempre bom frisar
que se a estrada virou problema político, é porque deixou de ser tratada como
prioridade administrativa. E quando o básico vira luxo, o erro já deixou de ser
técnico, virou escolha.
*Elvécio Andrade é radialista,
jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e
Administrativo.
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