Por *Elvécio Andrade
O nome do senador Magno Malta
(PL/ES) volta a circular não por feitos republicanos a favor do povo e de seu
Estado, mas por mais uma sombra grave: agora, investigado por suposta agressão
e injúria contra uma técnica de radiologia em um hospital no Distrito Federal.
E o roteiro, infelizmente, não surpreende.
Estamos falando de alguém que,
lá em 2009, no auge da exposição da CPI da Pedofilia, apontou o dedo, sem prova
consistente, contra um trabalhador comum: Luiz Alves de Lima. A “evidência”?
Uma simples vermelhidão. O resultado? Um homem jogado no inferno do sistema
prisional brasileiro, rotulado como pedófilo. E aí começa o verdadeiro
escândalo, aquele que não dá palanque, nem curtida fácil.
Luiz passou nove meses sendo
moído dentro de uma cela. Torturado, espancado, submetido a choques elétricos e
afogado em tanques de gelo. Perdeu a visão de um olho e quase toda do outro.
Foi destruído física e psicologicamente. Tudo isso por uma acusação que depois
se revelou absurda. Exames comprovaram que a criança sequer havia sido abusada,
tratava-se de uma infecção comum.
A justiça? Demorou, como
sempre ocorre em virtude da grande demanda, mas chegou… tarde demais. Só em 2016 sua inocência foi
reconhecida. O Ministério Público admitiu o erro, mas o estrago já estava feito.
E, o mais revoltante: mesmo depois disso, Magno Malta seguiu chamando a vítima
de “vagabundo” em palanques, como se a verdade fosse um detalhe descartável. Agora,
anos depois, o mesmo senador reaparece em mais uma investigação. Coincidência? Padrão?
Você decide.
O que não dá mais é para
engolir esse ciclo perverso onde o cidadão comum é esmagado sem dó, enquanto
figuras com poder político, muitas delas envolvidas em crimes como corrupção
etc, parecem atravessar denúncias como quem atravessa uma porta giratória,
entram, saem… e nada acontece. A pergunta que ecoa, cada vez mais alta, é
simples e incômoda: Até quando?
Até quando o poder político
vai funcionar como blindagem para abusos? Até quando eleitores irresponsáveis
vão continuar elegendo esse tipo de gente perniciosa como o senador? Até quando
o sistema vai ser implacável com o fraco e complacente com o poderoso? Até
quando a memória coletiva vai falhar a ponto de permitir que episódios como o
de Luiz sejam esquecidos, ou pior, ignorados?
Porque não se trata apenas de
um caso. Trata-se de um retrato cruel de um país onde, muitas vezes, a verdade
apanha… e a injustiça sobe no palanque. E enquanto isso continuar sendo
tolerado, a próxima vítima já está, silenciosamente, na fila. Justiça para
tantos outros “Luiz” que existem por aí. Justiça para a Técnica de Radiologia.
Cadeia para Magno Malta, e que esse caso absurdo não seja mais uma pizza jurídica
retirada do forno da impunidade.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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