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06/05/2026

Magno Malta: O símbolo da impunidade que beneficia pessoas blindadas pelo poder político

Magno Malta aposta na impunidade

Por *Elvécio Andrade

 

O nome do senador Magno Malta (PL/ES) volta a circular não por feitos republicanos a favor do povo e de seu Estado, mas por mais uma sombra grave: agora, investigado por suposta agressão e injúria contra uma técnica de radiologia em um hospital no Distrito Federal. E o roteiro, infelizmente, não surpreende.

 

Estamos falando de alguém que, lá em 2009, no auge da exposição da CPI da Pedofilia, apontou o dedo, sem prova consistente, contra um trabalhador comum: Luiz Alves de Lima. A “evidência”? Uma simples vermelhidão. O resultado? Um homem jogado no inferno do sistema prisional brasileiro, rotulado como pedófilo. E aí começa o verdadeiro escândalo, aquele que não dá palanque, nem curtida fácil.

 

Luiz passou nove meses sendo moído dentro de uma cela. Torturado, espancado, submetido a choques elétricos e afogado em tanques de gelo. Perdeu a visão de um olho e quase toda do outro. Foi destruído física e psicologicamente. Tudo isso por uma acusação que depois se revelou absurda. Exames comprovaram que a criança sequer havia sido abusada, tratava-se de uma infecção comum.

 

A justiça? Demorou, como sempre ocorre em virtude da grande demanda, mas chegou… tarde demais. Só em 2016 sua inocência foi reconhecida. O Ministério Público admitiu o erro, mas o estrago já estava feito. E, o mais revoltante: mesmo depois disso, Magno Malta seguiu chamando a vítima de “vagabundo” em palanques, como se a verdade fosse um detalhe descartável. Agora, anos depois, o mesmo senador reaparece em mais uma investigação. Coincidência? Padrão? Você decide.

 


O que não dá mais é para engolir esse ciclo perverso onde o cidadão comum é esmagado sem dó, enquanto figuras com poder político, muitas delas envolvidas em crimes como corrupção etc, parecem atravessar denúncias como quem atravessa uma porta giratória, entram, saem… e nada acontece. A pergunta que ecoa, cada vez mais alta, é simples e incômoda: Até quando?

 

Até quando o poder político vai funcionar como blindagem para abusos? Até quando eleitores irresponsáveis vão continuar elegendo esse tipo de gente perniciosa como o senador? Até quando o sistema vai ser implacável com o fraco e complacente com o poderoso? Até quando a memória coletiva vai falhar a ponto de permitir que episódios como o de Luiz sejam esquecidos, ou pior, ignorados?

 

Porque não se trata apenas de um caso. Trata-se de um retrato cruel de um país onde, muitas vezes, a verdade apanha… e a injustiça sobe no palanque. E enquanto isso continuar sendo tolerado, a próxima vítima já está, silenciosamente, na fila. Justiça para tantos outros “Luiz” que existem por aí. Justiça para a Técnica de Radiologia. Cadeia para Magno Malta, e que esse caso absurdo não seja mais uma pizza jurídica retirada do forno da impunidade.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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