Por *Elvécio Andrade
Uma engrenagem fria, distante
e desajustada pode estar custando vidas no Noroeste capixaba. E o mais
revoltante: sob o silêncio conveniente de quem deveria explicar. Moradores de
Barra de São Francisco denunciam uma situação alarmante: falhas recorrentes no
atendimento de urgência do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência),
Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, que, em vez de salvar, estão atrasando e,
em alguns casos, selando destinos trágicos.
Relatos se acumulam:
dificuldades na identificação de locais, comunicação truncada e um atraso que,
em situações críticas, não é detalhe, é sentença. Em acidentes, práticas de
crimes, incêndios ou emergências médicas, minutos não são apenas números. São
vidas.
Na manhã de segunda-feira, 04,
a tragédia deixou de ser estatística e ganhou rosto. Um idoso, figura conhecida
na cidade e pai do atual presidente da Câmara de Vereadores, foi brutalmente
atingido por uma carreta ao tentar atravessar uma avenida para encontrar o
filho. Arrastado por mais de seis metros, ele ainda estava vivo quando o
socorro foi acionado. Mas o tempo, esse que o sistema insiste em desperdiçar, não
perdoou.
O Samu e o Corpo de Bombeiros
Militar do Espírito Santo demoraram mais de 20 minutos para chegar. Vinte
minutos que, em uma ocorrência dessa gravidade, equivalem a uma eternidade. Um
policial que passava pelo local ainda tentou ajudar, mas era tarde demais para
improvisos. A vítima chegou a ser levada para um hospital em Colatina, mas não
resistiu. Para tristeza da família e amigos, morreu.
E junto com ele, cresce uma
pergunta incômoda que ecoa nas ruas, nas casas e nas rodas de conversa da
cidade: por que um Município do porte de Barra de São Francisco ainda depende
de um sistema de emergência operado por quem não conhece sua realidade? Até
agora, nenhuma resposta convincente. Nenhuma explicação técnica clara. Apenas o
silêncio, esse velho cúmplice da negligência.
Especialistas já apontam o
óbvio: centralização sem integração eficiente com equipes locais não é
modernização, é falha estrutural. E quando essa falha atinge serviços
essenciais, o problema deixa de ser administrativo e passa a ser jurídico.
Estou falando de possível violação de direitos fundamentais: saúde, segurança,
dignidade.
A insistência nesse modelo ineficaz
levanta suspeitas graves de negligência, de má gestão, de falta de
planejamento. E o pior: de normalização do inaceitável. A população está
cansada de esperar. Cobra providências urgentes do Governo do Estado, exige
transparência e, acima de tudo, respeito à vida.
Porque a realidade é dura e
direta: se nada mudar, novas tragédias não serão surpresa, serão consequência.
Diante da gravidade dos fatos, cresce a pressão para que o caso seja
investigado com rigor pelo Ministério Público e demais órgãos de controle, antes
que o próximo pedido de socorro se perca no caminho. Antes que mais uma vida
seja medida em minutos de atraso. Antes que o silêncio continue matando.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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