Por *Elvécio Andrade
No papel, o Hospital São José,
de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, deveria ser um lugar de cuidado,
precisão e, no mínimo, responsabilidade. Na prática, o que se viu foi um
roteiro de terror, e daqueles bem reais, sem ficção, sem exagero, sem metáfora.
Uma gestante de 20 semanas
entrou na unidade no dia 09 de março de 2026 para um exame de rotina. Saiu de
lá com uma sentença devastadora: óbito fetal. Uma vida interrompida, pelo menos
era o que diziam os papéis, assinados com a frieza burocrática de quem
aparentemente não tinha certeza nem do que estava fazendo.
Segundo o relato da própria
paciente, o exame já começou torto. Equipamentos sendo trocados no meio do
procedimento, insegurança evidente de quem conduzia a avaliação, e o detalhe
mais absurdo: o próprio profissional teria mencionado que percebia movimentos
do bebê.
Mas no laudo? Morte. Sim, você
leu certo. Movimento durante o exame. Óbito no papel. Se isso não é
negligência, está perigosamente perto de algo ainda pior. Com base nesse
diagnóstico no mínimo questionável, a engrenagem hospitalar não hesitou: a
orientação foi clara: internação imediata e início do procedimento para indução
do parto.
Sem segunda opinião. Sem
confirmação. Sem o mínimo de prudência diante de um diagnóstico que destrói
famílias. É aqui que a história deixa de ser erro e passa a ser
irresponsabilidade institucional. A gestante, em choque, sofreu uma crise de
ansiedade. Mas, no meio do desespero, fez o que o sistema não fez: duvidou. E
essa dúvida salvou uma vida.
No dia seguinte, 10 de março,
já fora daquele ambiente, a gestante buscou uma clínica particular. Novo exame.
Novo resultado. O bebê estava vivo. Batimentos cardíacos normais. Movimentos
ativos. Vida pulsando, apesar de quase ter sido interrompida por um
diagnóstico, no mínimo, grotescamente equivocado.
O caso escancara o que muita
gente já comenta nos corredores, mas poucos têm coragem de dizer em voz alta: o
hospital, que deveria formar profissionais, parece estar formando problemas. Relatos
recorrentes apontam um cenário preocupante:
Atendimento conduzido por estagiários
sem supervisão adequada, profissionais sobrecarregados ou simplesmente
descompromissados, falta de protocolos básicos em situações críticas. E quando
tudo isso se junta, o resultado é esse: quase induzir um parto de um bebê vivo.
Não é exagero. É fato.
Como um diagnóstico tão grave
é fechado com tamanha fragilidade? Onde estava a segunda avaliação obrigatória
em casos assim? Quem autorizou avançar para um procedimento irreversível sem
confirmação? E, principalmente: quantos outros casos podem ter passado sem
contestação?
O bebê está vivo. Isso é o que
importa, mas não é tudo. Fica o trauma. Fica a desconfiança. Fica a cicatriz
emocional de quem, por algumas horas, acreditou que carregava a morte dentro de
si. E fica também a pergunta mais incômoda de todas: E se essa mãe não tivesse
desconfiado? Porque aí, leitor… não estaríamos falando de denúncia. Estaríamos
falando de tragédia consumada, com assinatura, carimbo e jaleco.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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