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24/04/2026

Barra de São Francisco: quando o silêncio das autoridades fala mais alto que o uivo de dor

Um dos cães mortos em Barra de São Francisco

Por *Elvécio Andrade

 

Em Barra de São Francisco, no Noroeste capixaba, a semana não terminou, ela apodreceu. Não por falta de sol, nem por excesso de chuva, mas por algo muito mais cruel: o veneno espalhado nas ruas e a indiferença espalhada nos gabinetes.

 

Três cães mortos. Três. E não foi morte rápida, dessas que a natureza às vezes impõe. Foi morte lenta, agonizante, daquelas que fazem o animal se contorcer, espumar, implorar com os olhos por um socorro que não vem. Uma execução covarde, silenciosa e, até aqui, impune.

 

E o mais assustador não é o criminoso em si. Esse, escondido na própria sombra, já mostrou do que é capaz. O mais perturbador é o eco vazio das instituições que deveriam agir. Nenhuma resposta firme. Nenhuma investigação visível. Nenhuma pressa. Como se o recado fosse claro: “era só cachorro”.

 

Mas não. Não é “só cachorro”. A legislação brasileira, mesmo com todas as suas limitações, diz exatamente o contrário. A Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), em seu artigo 32, já criminaliza maus-tratos. E, para quem insiste em fingir que não sabe, a chamada Lei Sansão (Lei n° 14.064/2020) endureceu o jogo: para cães e gatos, a pena pode chegar a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição de guarda.

 


A lei existe. Está escrita. Está assinada. Está publicada. Só não está sendo aplicada. Porque lei que não sai do papel vira ornamento jurídico. E justiça que não chega vira incentivo ao crime. As mortes foram registradas em ruas do Bairro Irmãos Fernandes.

 

A sensação que paira nas ruas de Barra de São Francisco é a de abandono moral. Como se a vida, quando não fala, não vota e não paga imposto, valesse menos. Hoje são cães de rua. Amanhã, quem garante que não será algo pior? A escalada da violência costuma começar onde a punição não chega.

 

E enquanto isso, alguém segue andando pelas mesmas ruas, carregando veneno no bolso e a certeza de que nada vai acontecer. A cidade observa. Os animais sofrem. E as autoridades… bem, essas parecem ter escolhido o papel mais confortável de todos: o de espectadoras. Até quando?

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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