Por *Elvécio Andrade
A cada partida disputada pela
Seleção Brasileira, cresce entre os torcedores a sensação de que o futebol
pentacampeão do mundo está cada vez mais distante de suas glórias do passado.
As dificuldades enfrentadas contra seleções consideradas tecnicamente inferiores,
como Panamá e Egito, acendem um sinal de alerta preocupante para quem ainda
sonha com a conquista de uma nova Copa do Mundo.
O que se vê em campo é uma
equipe sem identidade, sem liderança e sem a força que durante décadas fez do
Brasil um gigante temido pelos adversários. A impressão é de que o talento foi
substituído pelas dancinhas ridículas, pelas quedas repetitivas de determinado
jogador, pelo marketing e que a camisa amarela já não intimida mais ninguém.
Entre os nomes que continuam
sendo tratados como intocáveis está Neymar Júnior. Embora seja constantemente
apresentado como o principal astro do futebol brasileiro, sua trajetória na
Seleção é marcada por frustrações. Nunca conquistou uma Copa do Mundo, nunca
foi eleito o melhor jogador do planeta e, em diversos momentos, acabou chamando
mais atenção pelas quedas exageradas e pelas polêmicas extracampo do que por
atuações decisivas em competições importantes.
A situação se torna ainda mais
preocupante diante da percepção, compartilhada por muitos torcedores, de que as
convocações nem sempre são fruto da convicção técnica dos treinadores. Há quem
enxergue a influência excessiva da velha imprensa esportiva, dos interesses
comerciais de patrocinadores e até mesmo do crescente poder das casas de
apostas, que hoje movimentam bilhões e invadem o universo do futebol de forma cada
vez mais intensa e perniciosa.
Nesse cenário, a Seleção
Brasileira parece ter perdido sua autonomia. Em vez de ser montada com base no
desempenho, na disciplina e na necessidade tática, muitos acreditam que a
equipe é construída para atender interesses que pouco têm a ver com a busca
pelo hexacampeonato.
A comparação com 2002 é
inevitável. Naquela época, o técnico Luiz Felipe Scolari enfrentou críticas
ferozes, ignorou pressões externas e convocou os atletas nos quais realmente
acreditava. O resultado foi a conquista da quinta estrela e a consagração de um
grupo que entrou para a história.
Hoje, porém, o ambiente parece
completamente diferente. A confiança da torcida está abalada, o futebol
apresentado é pobre e a sensação predominante é a de que o Brasil pode estar
caminhando para mais um vexame internacional. Se nada mudar, o longo jejum
iniciado após a conquista de 2002 poderá continuar por muitos anos,
transformando a maior potência do futebol mundial em uma mera lembrança de
tempos gloriosos que parecem cada vez mais distantes.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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