Por *Elvécio Andrade
Não há uma democracia quando a
justiça se cala diante de evidências e protege quem deveria ser investigado.
Enquanto os Estados Unidos classificaram o CV e o PCC como organizações
terroristas, cresce no Brasil um movimento legítimo para que a ONU reconheça o
que muitos já sabem: bolsonarismo e milícias atuam como organizações
criminosas. Milícias espalham terror nos locais onde atuam, e o bolsonarismo
espalha ódio, medo e desinformação pelas redes sociais, e ameaçam a vida
democrática do país.
A petição que será encaminhada
à ONU pede que o bolsonarismo e grupos ligados às milícias sejam analisados e
investigados sob a ótica de organizações com características compatíveis com
terrorismo, máfia ou seita política. Os defensores da iniciativa sustentam que
episódios de violência política, ataques às instituições democráticas, traição
à pátria, disseminação sistemática de desinformação, ameaças contra opositores
e a suposta relação de setores do movimento com grupos paramilitares
justificariam uma avaliação internacional mais rigorosa.
A família Bolsonaro, com nomes
como Flávio, Jair Renan, Carlos e Eduardo Bolsonaro aparece acusada de
envolvimento em esquemas que vão da colaboração com milícias cariocas a crimes
de corrupção, lavagem de dinheiro e traição à pátria. E o Judiciário, em muitos
episódios, omite-se ou age como anteparo. Ministros indicados pelo bolsonarismo
ocupam posições-chave e, em vez de garantir neutralidade, acabam sendo acusados
de blindar interesses.
O caso é exemplar: André Mendonça, responsável por apurações como fraudes no INSS e do bolsomaster, considerado o maior escândalo de corrupção do país, e que tem Flávio Bolsonaro como principal envolvido, não decretou a quebra de seu sigilo bancário mesmo existindo indicativos claros de necessidade, e tampouco se declarou suspeito, atitude que contrasta com a rapidez aplicada contra adversários, como aconteceu no caso do Lulinha, filho do presidente, que teve o sigilo bancário quebrado sem necessidade, e nada foi encontrado de irregular.
Não é falha técnica: é política. Essa proteção institucional tem um preço concreto: impede a descoberta da verdade, preserva privilégios e legitima práticas antidemocráticas e de corrupção. Paralelamente, grupos radicais bolsonaristas usam religião, falso patriotismo e moralismo como máscara para atacar benefícios sociais a pessoas que necessitam, professores, trabalhadores, universidades públicas, jornalistas e intelectuais, defender corruptos e disseminar, com estratégia, medo e mentiras nas redes sociais.
O pedido a ser enviado à ONU não é uma
intromissão sem sentido. É um grito por investigação independente diante da
cumplicidade e omissão internas. A sociedade exige que a comunidade
internacional examine, investigue e, se for o caso, classifique e recomende
medidas, desde monitoramento até sanções, contra estruturas que funcionam como
terroristas, máfia política ou seita quando encobertas pelo aparelho de Estado.
Que se apure sem privilégios a
participação de Flávio Bolsonaro e de quaisquer envolvidos em organização
criminosa ou crimes contra a administração pública e traição à pátria. Que se
exija transparência plena, que se quebrem sigilos quando haja indícios (e no
caso de Flávio Bolsonaro há inúmeros) e que as regras valham para todos e não
só para políticos da esquerda, como vem constantemente ocorrendo. A democracia
não aguenta mais dois pesos e duas medidas.
A paciência da sociedade civil
terminou. A complacência com a blindagem judicial a uma família envolvida em
todo tipo de criminalidade não pode se transformar em impunidade. Os brasileiros
de verdade, que não batem continência para bandeira estadunidense e nem se
enrolam na bandeira do país genocida e terrorista de Israel, clamam por
investigação independente, responsabilização e medidas internacionais onde o
Estado falha. Isso não é política. É justiça. É futuro. É Brasil.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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