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11/06/2026

Bolsonarismo e milícias podem ser declarados terroristas, máfia ou seita religiosa pela ONU

A família toda acusada de praticar crimes

Por *Elvécio Andrade

 

Não há uma democracia quando a justiça se cala diante de evidências e protege quem deveria ser investigado. Enquanto os Estados Unidos classificaram o CV e o PCC como organizações terroristas, cresce no Brasil um movimento legítimo para que a ONU reconheça o que muitos já sabem: bolsonarismo e milícias atuam como organizações criminosas. Milícias espalham terror nos locais onde atuam, e o bolsonarismo espalha ódio, medo e desinformação pelas redes sociais, e ameaçam a vida democrática do país.

 

A petição que será encaminhada à ONU pede que o bolsonarismo e grupos ligados às milícias sejam analisados e investigados sob a ótica de organizações com características compatíveis com terrorismo, máfia ou seita política. Os defensores da iniciativa sustentam que episódios de violência política, ataques às instituições democráticas, traição à pátria, disseminação sistemática de desinformação, ameaças contra opositores e a suposta relação de setores do movimento com grupos paramilitares justificariam uma avaliação internacional mais rigorosa.

 

A família Bolsonaro, com nomes como Flávio, Jair Renan, Carlos e Eduardo Bolsonaro aparece acusada de envolvimento em esquemas que vão da colaboração com milícias cariocas a crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e traição à pátria. E o Judiciário, em muitos episódios, omite-se ou age como anteparo. Ministros indicados pelo bolsonarismo ocupam posições-chave e, em vez de garantir neutralidade, acabam sendo acusados de blindar interesses.

 

O caso é exemplar: André Mendonça, responsável por apurações como fraudes no INSS e do bolsomaster, considerado o maior escândalo de corrupção do país, e que tem Flávio Bolsonaro como principal envolvido, não decretou a quebra de seu sigilo bancário mesmo existindo indicativos claros de necessidade, e tampouco se declarou suspeito, atitude que contrasta com a rapidez aplicada contra adversários, como aconteceu no caso do Lulinha, filho do presidente, que teve o sigilo bancário quebrado sem necessidade, e nada foi encontrado de irregular.



Não é falha técnica: é política. Essa proteção institucional tem um preço concreto: impede a descoberta da verdade, preserva privilégios e legitima práticas antidemocráticas e de corrupção. Paralelamente, grupos radicais bolsonaristas usam religião, falso patriotismo e moralismo como máscara para atacar benefícios sociais a pessoas que necessitam, professores, trabalhadores, universidades públicas, jornalistas e intelectuais, defender corruptos e disseminar, com estratégia, medo e mentiras nas redes sociais.

 

O pedido a ser enviado à ONU não é uma intromissão sem sentido. É um grito por investigação independente diante da cumplicidade e omissão internas. A sociedade exige que a comunidade internacional examine, investigue e, se for o caso, classifique e recomende medidas, desde monitoramento até sanções, contra estruturas que funcionam como terroristas, máfia política ou seita quando encobertas pelo aparelho de Estado.

 

Que se apure sem privilégios a participação de Flávio Bolsonaro e de quaisquer envolvidos em organização criminosa ou crimes contra a administração pública e traição à pátria. Que se exija transparência plena, que se quebrem sigilos quando haja indícios (e no caso de Flávio Bolsonaro há inúmeros) e que as regras valham para todos e não só para políticos da esquerda, como vem constantemente ocorrendo. A democracia não aguenta mais dois pesos e duas medidas.

 

A paciência da sociedade civil terminou. A complacência com a blindagem judicial a uma família envolvida em todo tipo de criminalidade não pode se transformar em impunidade. Os brasileiros de verdade, que não batem continência para bandeira estadunidense e nem se enrolam na bandeira do país genocida e terrorista de Israel, clamam por investigação independente, responsabilização e medidas internacionais onde o Estado falha. Isso não é política. É justiça. É futuro. É Brasil.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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