Quantas vidas ainda precisam ser destruídas até que a justiça puna políticos bandidos? - Colatina News

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01/06/2026

Quantas vidas ainda precisam ser destruídas até que a justiça puna políticos bandidos?

Será que dessa vez ele será penalizado?

Por *Elvécio Andrade

 

Será que desta vez a Justiça terá coragem de ir até o fim ou o Brasil assistirá a mais uma pizza ou a mais um capítulo da velha novela da impunidade dos poderosos? A pergunta não é gratuita. Ela nasce da revolta de quem viu episódios anteriores envolvendo o senador Magno Malta (PL), mais conhecido como Maligno Malta, terminarem envoltos em controvérsias e questionamentos.

 

Muitos ainda se lembram docaso da profissional de saúde do Distrito Federal, que o acusou de agressão e apresentou elementos que seus apoiadores consideravam relevantes para a investigação, incluindo laudo do IML. O arquivamento do caso deixou para trás uma trilha de dúvidas e uma sensação amarga de que nem todos os brasileiros são tratados da mesma forma perante a lei. Agora, porém, os ventos parecem soprar em outra direção.

 

A Justiça do Espírito Santo decidiu tornar réus Magno Malta e o delegado aposentado Márcio Lucas Malheiros de Oliveira em uma queixa-crime relacionada a publicações nas redes sociais. Pela primeira vez em muito tempo, surge a expectativa de que os fatos sejam examinados sem blindagens, sem privilégios e sem a reverência quase sagrada que certos políticos parecem despertar em seus seguidores.

 

Mas existe uma razão ainda maior para que esse processo seja acompanhado de perto. O nome de Luiz Alves Lima deveria servir como alerta permanente contra os perigos dos julgamentos precipitados e da irresponsabilidade de acusações lançadas ao vento. Em 2009, ele foi lançado ao abismo. Acusado falsamente por Maligno Malta de um crime monstruoso, foi entregue à fúria de um sistema prisional que não perdoa quem recebe esse tipo de rótulo.

 

O resultado foi devastador. Luiz foi espancado, torturado, submetido a violências indescritíveis e carregará para sempre as marcas físicas e emocionais daquele pesadelo. Sua visão foi comprometida, sua dignidade foi esmagada e sua vida foi reduzida a escombros. Tudo isso antes que a verdade viesse à tona. E a verdade veio.

 


Exames posteriores afastaram a acusação que havia servido de base para a destruição de sua existência. Sua inocência foi reconhecida. Mas o reconhecimento da inocência não reconstrói um olho perdido. Não apaga cicatrizes. Não devolve noites de sono. Não recupera anos roubados.

 

É exatamente por isso que este processo possui um significado que ultrapassa as partes envolvidas. O que está sendo testado não é apenas a responsabilidade de dois réus. O que está sendo testada é a própria credibilidade da Justiça. A sociedade quer saber se haverá o mesmo rigor reservado ao cidadão comum ou se o peso de um mandato continuará funcionando como uma armadura contra qualquer consequência.

 

Nenhum cargo político pode ser transformado em salvo-conduto moral. Nenhuma influência pode servir de escudo contra a responsabilização. Nenhum nome, por mais famoso que seja, deveria estar acima da lei. A população brasileira está cansada de assistir a escândalos que terminam em absolvições convenientes, arquivamentos polêmicos e esquecimentos oportunos. Está cansada de ver o sofrimento das vítimas desaparecer dos holofotes enquanto os poderosos seguem suas vidas como se nada tivesse acontecido.

 

Agora, a Justiça tem diante de si uma oportunidade rara: demonstrar que a verdade vale mais do que a influência, que as provas valem mais do que a fama e que a lei vale mais do que o poder. O Brasil não precisa de heróis políticos. Precisa de instituições que funcionem. E a sociedade espera que, desta vez, a verdade não seja enterrada antes da sentença, e que o senador pague por tudo que fez e que causou na vida de um trabalhador inocente. Condenação já!

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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