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29/05/2026

O cidadão nunca é dono de nada: A revolta contra o IPTU e o IPVA vira PEC na Câmara

Impostos que podem deixar de existor

Por *Elvécio Andrade

 

Em um país onde o trabalhador passa a vida inteira lutando para conquistar um carro ou realizar o sonho da casa própria, cresce cada vez mais a sensação de que o cidadão brasileiro jamais consegue ser, de fato, dono do que comprou. A prova disso está na cobrança eterna de impostos como IPTU e IPVA, tributos que transformaram a propriedade em uma espécie de aluguel permanente pago ao Estado e ao Município.

 

A discussão voltou ao centro do debate nacional após o deputado federal Marcos Pollon (PL/MS) apresentar uma proposta de emenda à Constituição para extinguir completamente a cobrança do IPTU e do IPVA em todo o território nacional. Segundo o parlamentar, esses impostos representam uma injustiça contra o cidadão, já que veículos e imóveis são adquiridos com dinheiro que já sofreu pesada tributação ao longo da vida. E a pergunta que ecoa nas ruas é simples: até quando o brasileiro será obrigado a pagar repetidamente por algo que já comprou?

 

Quem financia um imóvel passa décadas pagando juros abusivos aos bancos. Depois de quitar a dívida, descobre que continuará pagando todos os anos para simplesmente permanecer dentro da própria casa. O mesmo acontece com o carro. O trabalhador compra o veículo com dinheiro descontado em impostos, paga combustível carregado de tributos, paga licenciamento, taxas, seguro obrigatório em determinadas épocas, manutenção caríssima e, ainda assim, é obrigado a entregar mais dinheiro ao Estado anualmente apenas para manter o direito de circular com aquilo que já lhe pertence.

 

Na prática, muitos enxergam nisso uma cruel inversão do conceito de propriedade privada. O cidadão compra, mas nunca deixa de pagar. Se parar, sofre multas, juros, cobrança judicial e até risco de perda do patrimônio. É como se a escritura da casa e o documento do carro jamais fossem suficientes para garantir a verdadeira posse.

 


Nas redes sociais, a proposta ganhou enorme apoio popular justamente porque toca em uma indignação antiga da população brasileira: a sensação de sufocamento tributário. Milhões de brasileiros trabalham sob uma carga de impostos gigantesca e, mesmo assim, convivem diariamente com estradas destruídas, saúde precária, insegurança e serviços públicos muitas vezes incapazes de justificar a arrecadação bilionária.

 

Por outro lado, críticos da proposta alertam que o fim do IPTU e do IPVA poderia causar forte impacto financeiro em estados e municípios, afetando investimentos em infraestrutura e manutenção dos serviços públicos. Prefeituras dependem fortemente do IPTU, enquanto estados utilizam o IPVA como importante fonte de arrecadação.

 

Mas o debate levantado vai além das contas públicas. Ele escancara uma discussão profunda sobre os limites da tributação no Brasil e sobre até que ponto o cidadão pode continuar sendo tratado como mero financiador permanente da gulosa e esfomeada máquina estatal.

 

A verdade é que o brasileiro está cansado. Cansado de pagar imposto ao comprar, cansado de pagar imposto ao usar, e, principalmente, cansado de continuar pagando imposto simplesmente por possuir aquilo que conquistou com o suor do próprio trabalho.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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