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14/07/2026

Justiça de faz de conta: racista ameaça matar, persegue com faca e sai pela porta da frente

Sociólogo Roberto Barcelos, desequilibrado


Por *ElvécioAndrade

 

A revolta da população diante de decisões como essa é cada vez mais compreensível. Um homem é acusado de praticar injúria racial, chamar a vítima de "macaco", persegui-la com uma faca, ameaçar matá-la e ainda atacar outras pessoas antes da confusão. É preso em flagrante... e, poucas horas depois, volta para casa. Essa é a imagem de uma Justiça que muitos brasileiros enxergam: rápida para libertar, lenta para punir.

 

O caso aconteceu na Rua da Lama, em Jardim da Penha, em Vitória. Segundo o relato da vítima, um servidor público de 40 anos, tudo começou quando ele tentou impedir que sociólogo Roberto Barcelos Ferrante, 47 anos, importunasse uma pessoa LGBTQIAPN+.

 

A atitude de defesa terminou em uma sequência de ofensas racistas, uma cadeira arremessada contra ele e uma perseguição com faca, enquanto o agressor, que por mais de 15 anos interpretou o personagem Jesus no Auto da Paixão de Cristo encenado na Capital, dizia que iria matá-lo. Em vídeo gravado pela própria vítima, o acusado aparece exaltado, afirmando ser "branco da raça" e fazendo ameaças.

 

Diante de fatos tão graves, o que muitos esperavam era uma resposta firme do Judiciário. No entanto, após a audiência de custódia, Roberto foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares, como não sair da Grande Vitória sem autorização judicial, comparecer aos atos do processo, manter endereço atualizado, proibição de frequentar bares, boates, prostíbulos e assemelhados, e não manter contato com a vítima.

 


Na prática, a sensação que fica para boa parte da sociedade é de impunidade. Afinal, quem sofreu as agressões continuará convivendo com o trauma e o medo, enquanto o acusado seguirá em liberdade. A pergunta que muitos fazem é inevitável: se uma pessoa acusada de cometer injúria racial, ameaçar de morte e perseguir alguém com uma faca não permanece presa, o que mais precisa acontecer para que a prisão seja considerada necessária? Matar a vítima?

 

É importante lembrar que, pela Constituição, toda pessoa é presumida inocente até condenação definitiva e que a prisão preventiva depende dos requisitos previstos em lei. Ainda assim, decisões como essa alimentam a percepção de que o sistema de Justiça tem sido excessivamente complacente com autores de crimes graves, especialmente quando as vítimas são obrigadas a confiar apenas em medidas cautelares para se sentirem protegidas.

 

Enquanto isso, a sociedade continua assistindo à repetição de um roteiro que parece não ter fim: a polícia prende, a Justiça solta, e a população perde, mais uma vez, a confiança de que o crime será enfrentado com o rigor que espera. Para quem vive com medo da violência, essa sensação de impunidade é tão preocupante quanto o próprio crime. Veja o vídeo abaixo:

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


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