Queda de ministro do STJ gera alerta na atuação de Mendonça, segundo seus críticos - Colatina News

Recentes


Acessos

google.com, pub-2151647549971277, DIRECT, f08c47fec0942fa0

07/08/2026

Queda de ministro do STJ gera alerta na atuação de Mendonça, segundo seus críticos

Caso Buzzi serve de alerta para Mendonça

Por *ElvécioAndrade

 

A condenação unânime do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marco Buzzi, perda do cargo por assédio e importunação sexual, anunciada em 6 de agosto, após afastamento cautelar desde 10 de fevereiro de 2026, não é só a queda de um magistrado. É um sismo nas fundações de um Judiciário que há muito vinha exibindo fissuras, mas insistia em se vender como rocha impenetrável. Que o toga mais alto de uma corte seja desalojado por crimes tão elementares de abuso de poder e de intimidade deveria ser, no mínimo, um momento pedagógico: poder demonstra caráter. Aqui, demonstrou a falta dele.

 

Os autos mostram um padrão tanto quanto vergonhoso: denúncia de importunação sexual por uma jovem de 18 anos em Balneário Camboriú, em janeiro de 2026, e relatos de assédio por parte de uma ex-funcionária do gabinete. Não é apenas a gravidade dos atos, é o lugar onde foram cometidos, no epicentro da legitimidade judicial. Quando o árbitro da lei encontra-se ele próprio fora da lei, o terreno comum da justiça treme.

 

E se a cena escancara falhas institucionais, ela aponta também para personagens que deveriam levantar cortinas, não derrubá-las sobre o público. É impossível não enxergar, com uma mistura de ironia amarga e preocupação republicana, o contorno que esse episódio desenha ao lado da atuação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. O magistrado que se apresenta como farol moral evangélico tem decidido, em casos envolvendo figuras centrais do tabuleiro político, suas decisões têm sido interpretadas por críticos como seletivas, o que provoca estranhamento público e inquietação institucional.

 

Enquanto pedidos contra filhos de políticos e aliados poderosos navegam em água serena, Mendonça tem se mostrado célere e rigoroso no tratamento de ações contra adversários políticos, como no caso envolvendo Lulinha, sem foro privilegiado para o STF, ao mesmo tempo ao mesmo tempo que é acusado por críticos de adotar uma postura excessivamente cautelosa diante de indícios contundentes contra Flávio Bolsonaro: áudios, indícios e pedidos que não resultaram em autorização para medidas como busca e apreensão. Esse contraste não é mera coincidência administrativa; é uma narrativa que cheira a preferência e erosão da imparcialidade.

 


A erosão se agrava quando a autoridade máxima da Corte começa a interferir em órgãos de investigação. Segundo críticas formuladas por integrantes da Polícia Federal, Mendonça tem extrapolado os limites da atuação jurisdicional ao interferir na condução das investigações, inclusive proibindo o diretor-geral da Polícia Federal de ter acesso aos dados das investigações, suscitando a revolta de superintendentes. Com isso ele não apenas cria atrito entre poderes, como também transforma juízo em atuação política. Há quem, nos corredores do direito penal e constitucional, compare sua postura àquele estilo "lava-jato" que misturou espetáculo midiático e ativismo judicial. A sugestão não é elogiosa: é um alerta.

 

Prognóstico sem cinismo: ou a Suprema Corte redescobre o sentido básico de isenção, a ideia de que juízes não escolhem partes nem atuam como advogados de interesses, ou corre o risco de ver seu capital institucional corroído a ponto de medidas internas mais drásticas se tornarem inevitáveis. Alguns juristas sustentam que, caso esse entendimento venha a prevalecer, podem surgir discussões sobre dois caminhos possíveis para Mendonça: isolamento crescente entre pares, com perda de influência; ou o recurso extremo, e inédito, de afastamento promovido pela própria Corte, ou até mesmo o primeiro processo de impeachment contra um ministro do STF, se a conjuntura política e legal assim demandar.

 

O país, por sua vez, não tem o luxo de assistir à degradação das instituições com paciência. A condenação de Buzzi deveria funcionar como um batismo de realidade: impunidade não é sinônimo de estabilidade; conivência não é sinônimo de ordem. Se o Judiciário quer manter a confiança pública, precisa agir com a mesma velocidade moral com que exige obediência das demais esferas do Estado. Selecionar alvos e proteger amigos é prática de rebanho, não de tribunal.

 

Em suma: o Brasil assiste ao esgarçamento de dois fios que, juntos, entrelaçam a legitimidade do poder judiciário, a conduta privada dos que o ocupam e a conduta pública de quem o dirige. Se não houver uma retomada clara do compromisso com a imparcialidade, o futuro próximo reserva mais do que manchetes embaraçosas: reserva rupturas institucionais cujos custos serão pagos por toda a sociedade, não por alguns magistrados. O país, que já tem memória de promessas quebradas, não aceitará por muito tempo que o centro do sistema de justiça vire gueto de interesses.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário