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01/10/2026

Candidato Pazolini cria nova modalidade de turismo médico: a colonoscopia uterina

Lorenzo Pazolini e a deficiência intelectual

Por *Elvécio Andrade

 

Para disputar o Governo de um Estado, talvez fosse razoável exigir do candidato alguma coisa além de vontade política, discurso pronto e microfone na mão. Um pouquinho de conhecimento sobre os assuntos que pretende administrar também não faria mal. Ou, pelo menos, a disposição de pesquisar antes de falar diante das câmeras.

 

Mas, no debate entre os candidatos ao Governo do Espírito Santo, realizado na terça-feira, 29, o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) conseguiu transformar uma questão de saúde pública em uma verdadeira viagem pelo desconhecido, e, de quebra, criou uma nova especialidade médica.

 

Ao falar sobre atendimento às mulheres, Pazolini afirmou que, em seu governo, haveria atendimento para aquelas que precisassem fazer “exame de colonoscopia no útero”. Sim, caro leitor. Você não leu errado. Colonoscopia no útero. A medicina, aparentemente, acaba de ganhar um novo capítulo.

 

Para quem não conhece anatomia, talvez seja importante explicar que o útero e o intestino grosso não são exatamente vizinhos com porta de comunicação. A colonoscopia é um exame destinado à avaliação do intestino grosso. Já o útero pertence ao sistema reprodutor feminino. Ou seja: Pazolini conseguiu colocar a colonoscopia no lugar errado.

 

E não foi numa conversa de boteco, num áudio de WhatsApp ou numa roda de amigos depois de algumas cervejas estupidamente geladas. Foi num debate eleitoral transmitido ao vivo para o público, diante dos demais candidatos e dos eleitores capixabas. A internet, naturalmente, não perdoou.

 


As redes sociais rapidamente transformaram a declaração em motivo de piada, memes e comentários, afinal, quando um candidato pretende governar um Estado, mas começa confundindo órgãos do corpo humano, fica difícil para o eleitor não imaginar o que mais poderá ser confundido pelo caminho. Imagine o programa de governo: Saúde: resolvida. Educação: encaminhada. Segurança: em estudo. Anatomia: melhor não perguntar.

 

O episódio também serve para uma reflexão bem simples: debate eleitoral não é concurso de improvisação. Quem pretende comandar um Estado precisa conhecer minimamente os problemas que está se propondo a enfrentar. Saúde pública, por exemplo, exige muito mais do que frases de efeito. Exige conhecimento, planejamento, equipe técnica e, principalmente, cuidado com a informação.

 

Porque errar uma palavra pode acontecer com qualquer pessoa, mas transformar o útero em endereço alternativo do intestino grosso diante de uma audiência estadual é um daqueles momentos em que o candidato provavelmente gostaria de poder pedir ao mediador: “Tem como voltar a fita e começar essa resposta de novo?” Não dá, a internet já salvou.

 

E agora, graças ao debate, talvez o Espírito Santo tenha descoberto uma nova modalidade de turismo médico: a colonoscopia uterina. Só falta descobrir onde fica a clínica. E, por favor, alguém avise ao candidato antes que, no próximo debate, ele resolva procurar o coração no fígado.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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