O capitão fujão que abandona o navio na hora do naufrágio e os “patriotas” que se danem - Colatina News

Recentes


Acessos

google.com, pub-2151647549971277, DIRECT, f08c47fec0942fa0

29/10/2026

O capitão fujão que abandona o navio na hora do naufrágio e os “patriotas” que se danem

A fuga das galinhas, digo, de Flávio Bolsonaro


Por *Elvécio Andrade

 

Existe uma velha tradição marítima segundo a qual o capitão é o último a abandonar o navio. Na aviação, o comandante responde pela segurança de seus passageiros e no Exército, espera-se que um líder jamais abandone seus comandados à própria sorte. Mas, “no maravilhoso” universo do bolsonarismo, até a coragem parece funcionar de cabeça para baixo.

 

Ali, o discurso é de valentia, patriotismo, honra e sacrifício. Entretanto, quando chega a hora de enfrentar as consequências dos próprios atos, a retórica heroica dá lugar a uma extraordinária preocupação com a própria pele. É o patriotismo de conveniência: exige-se dos seguidores disposição para enfrentar instituições, desafiar autoridades, acreditar em conspirações e comprar brigas que sequer compreendem. Mas quem alimenta o espetáculo nem sempre demonstra a mesma disposição para pagar a conta. E que conta!

 

Durante anos, uma multidão foi estimulada a acreditar que estava participando de uma cruzada para salvar o Brasil. Alguns foram tão longe nessa devoção que trocaram o bom senso pelo fanatismo e acabaram envolvidos em episódios que os levaram às barras da Justiça. Acreditaram no mito, nas promessas e acreditaram até que bravatas de internet seriam suficientes para derrotar a Constituição. Só esqueceram de perguntar quem ficaria ao lado deles quando a Justiça batesse à porta.

 


Porque uma coisa é gritar palavras de ordem diante de uma multidão e outra, bem diferente, é sustentar a valentia diante de um processo judicial. No bolsonarismo, a coragem parece ser um produto destinado exclusivamente ao consumo dos seguidores. Os líderes vendem, os devotos compram e, quando a mercadoria apresenta defeito, não existe garantia nem assistência técnica.

 

A ironia é monumental: aqueles que passaram anos chamando adversários de covardes descobriram que coragem não se mede pelo volume dos gritos, pela quantidade de bandeiras ou pela agressividade das publicações nas redes sociais. Mede-se, sobretudo, pela disposição de assumir responsabilidades. E há uma diferença gigantesca entre um comandante de verdade e um líder que transforma seus seguidores em escudos políticos. O primeiro enfrenta a tempestade ao lado da tripulação, já o segundo faz discursos inflamados enquanto procura o bote salva-vidas.

 

No fim, sobra para os fiéis a dura descoberta de que devoção política não garante imunidade judicial. O capitão de verdade é o último a sair do navio. Já no bolsonarismo, a pergunta que não quer calar é outra: Quando o navio começa a afundar, quem fica para salvar os patriotas que acreditaram no comandante? Porque, pelo visto, no manual de sobrevivência do fanatismo político, o lema é bem simples: Salve-se quem puder. E que os seguidores aprendam a nadar, enquanto o líder corrupto foge para os Estados Unidos com o rabo entre as pernas para não ser preso por seus inúmeros crimes.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 


Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário