Por *Elvécio Andrade
A mais recente mudança
promovida pelo prefeito Renzo Vasconcelos (PSD) na administração de Colatina,
no Noroeste do Espírito Santo, levanta um questionamento inevitável: será que
uma cidade do porte e da importância de Colatina realmente não possui uma única
pessoa qualificada para comandar a Secretaria de Cultura?
Após a saída da então
secretária Loressa Campostrini, a solução encontrada pelo prefeito foi entregar
a pasta ao secretário municipal de Saúde, o médico Raul Amicci, que agora
acumula duas áreas completamente distintas. Saúde e Cultura possuem desafios,
objetivos e demandas próprias, exigindo dedicação integral e conhecimentos
específicos.
Ninguém questiona a
competência do secretário na área médica. O problema é outro: quais são as
credenciais para administrar a política cultural do Município? Afinal, gerir
hospitais, unidades de saúde e campanhas de prevenção é uma missão
completamente diferente de fomentar artistas, preservar o patrimônio histórico,
incentivar manifestações culturais e desenvolver políticas públicas para o
setor.
A decisão transmite uma
mensagem preocupante. Ou a administração admite, na prática, que não conseguiu
encontrar um nome minimamente preparado para assumir a Cultura, ou considera
que qualquer secretaria pode ser administrada por qualquer pessoa,
independentemente da formação, da experiência ou da afinidade com a área.
Há ainda um aspecto prático
que não pode ser ignorado. A Secretaria de Saúde, sozinha, já exige dedicação
praticamente exclusiva, diante dos inúmeros desafios enfrentados diariamente
pela população. Como esperar que o mesmo gestor consiga oferecer atenção e
eficiência também à Cultura sem que uma das duas áreas seja inevitavelmente
relegada a segundo plano?
A acumulação pode até parecer
uma solução administrativa conveniente, mas dificilmente representa uma solução
eficiente. No fim das contas, quem corre o risco de pagar a conta dessa escolha
são os cidadãos de Colatina, que precisam de uma saúde bem administrada e de
uma política cultural valorizada, e não de uma gestão improvisada, baseada na
sobreposição de funções que, na prática, dificilmente poderão receber a mesma
dedicação e qualidade.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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