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04/07/2026

Falta gente ou critério? Secretário de Saúde acumula Secretaria de Cultura em Colatina

Raul acumula secretarias de Saúde e Cultura

Por *Elvécio Andrade

 

A mais recente mudança promovida pelo prefeito Renzo Vasconcelos (PSD) na administração de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, levanta um questionamento inevitável: será que uma cidade do porte e da importância de Colatina realmente não possui uma única pessoa qualificada para comandar a Secretaria de Cultura?

 

Após a saída da então secretária Loressa Campostrini, a solução encontrada pelo prefeito foi entregar a pasta ao secretário municipal de Saúde, o médico Raul Amicci, que agora acumula duas áreas completamente distintas. Saúde e Cultura possuem desafios, objetivos e demandas próprias, exigindo dedicação integral e conhecimentos específicos.

 

Ninguém questiona a competência do secretário na área médica. O problema é outro: quais são as credenciais para administrar a política cultural do Município? Afinal, gerir hospitais, unidades de saúde e campanhas de prevenção é uma missão completamente diferente de fomentar artistas, preservar o patrimônio histórico, incentivar manifestações culturais e desenvolver políticas públicas para o setor.

 


A decisão transmite uma mensagem preocupante. Ou a administração admite, na prática, que não conseguiu encontrar um nome minimamente preparado para assumir a Cultura, ou considera que qualquer secretaria pode ser administrada por qualquer pessoa, independentemente da formação, da experiência ou da afinidade com a área.

 

Há ainda um aspecto prático que não pode ser ignorado. A Secretaria de Saúde, sozinha, já exige dedicação praticamente exclusiva, diante dos inúmeros desafios enfrentados diariamente pela população. Como esperar que o mesmo gestor consiga oferecer atenção e eficiência também à Cultura sem que uma das duas áreas seja inevitavelmente relegada a segundo plano?

 

A acumulação pode até parecer uma solução administrativa conveniente, mas dificilmente representa uma solução eficiente. No fim das contas, quem corre o risco de pagar a conta dessa escolha são os cidadãos de Colatina, que precisam de uma saúde bem administrada e de uma política cultural valorizada, e não de uma gestão improvisada, baseada na sobreposição de funções que, na prática, dificilmente poderão receber a mesma dedicação e qualidade.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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