Por *Elvécio Andrade
Se alguém ainda acreditava que
a delegacia de polícia era o lugar mais seguro contra a criminalidade, talvez
seja melhor rever esse conceito. Afinal, quando até um policial tem o celular
furtado dentro da própria delegacia, fica difícil convencer o cidadão de que
existe algum lugar realmente protegido.
A cena, digna de uma comédia
pastelão, aconteceu em Taguatinga, no Distrito Federal. Uma jovem de 19 anos,
levada à delegacia após ser flagrada dirigindo sem habilitação, resolveu
transformar o plantão policial em um verdadeiro espetáculo. Depois de discutir
com um policial ela levantou-se, foi até onde estava outro policial filmando,
arrancou o celular de suas mãos e saiu correndo como se estivesse participando
de uma prova olímpica de 100 metros rasos.
O desfecho beirou o cinema.
Dois policiais civis correram atrás da criminosa, mas acabaram trombando um no
outro, enquanto um deles foi ao chão de maneira nada elegante. Tudo isso sob as
lentes de outro policial, que também estava filmando toda arruaça provocada na
delegacia pela fugitiva improvisada.
A tentativa de fuga terminou
frustrada, e a mulher acabou presa em flagrante, acumulando uma extensa lista
de acusações: dano ao patrimônio público, resistência, desobediência, desacato,
furto de celular e injúria racial. Depois de ouvida e autuada em flagrante, ela
foi encaminhada ao Sistema Prisional.
O episódio até arranca risadas
pelo absurdo, mas revela um problema preocupante. Se uma pessoa consegue
protagonizar essa confusão e furtar um aparelho dentro de uma delegacia,
justamente o local que simboliza a autoridade do Estado, fica inevitável a
pergunta: se nem ali a segurança inspira confiança, o que sobra para o cidadão
comum do lado de fora?
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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