Por *Elvécio Andrade
Toda vez que um pré-candidato começa uma verdadeira peregrinação por templos religiosos em período pré-eleitoral ao invés de apresentar propostas de governo, o sinal de alerta deve ser ligado pelos eleitores em geral. O roteiro já é conhecido pelos brasileiros e, infelizmente, as lembranças tenebrosas que ele desperta estão longe de serem positivas.
Agora, o pré-candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolline (Republicanos), seguindo o roteiro de um ex-presidente, intensifica sua presença em encontros com pastores e lideranças evangélicas. Recentemente participou de um grande encontro no Maanaim de Carapina, na Serra, e, nos últimos dias, também esteve nos espaços da Igreja Cristã Maranata em Domingos Martins e Marechal Floriano. Coincidência ou mais um capítulo da velha estratégia de transformar a fé em plataforma eleitoral?
O problema não é um político professar sua religião. Isso faz parte da liberdade de crença garantida a qualquer cidadão pela Constituição Federal. O que preocupa é a instrumentalização da religião para conquistar votos, criando a perigosa impressão de que um projeto político possui uma espécie de selo divino. Misturar púlpito com palanque sempre foi um caminho perigoso para a democracia.
O Brasil já viveu essa experiência. O discurso moralista, a aproximação intensa com segmentos religiosos e a promessa de uma salvação política acabaram produzindo um período marcado por profundas divisões, ataques às instituições, radicalização e inúmeros retrocessos principalmente na economia do país. A história recente deveria servir de lição, e não de roteiro a ser repetido.
O Espírito Santo não pode correr o risco de trocar o debate sobre propostas concretas por demonstrações cuidadosamente planejadas de religiosidade em época de eleição. O Estado precisa de gestores preparados para enfrentar os desafios da saúde, da educação, da segurança e da geração de empregos, e não de campanhas de oportunismo sustentadas pela exploração da fé do povo.
Política e religião possuem papéis distintos. Quando uma invade o espaço da outra, quem perde é a democracia, a liberdade religiosa e o próprio Estado, que deve permanecer laico para garantir igualdade a todos os cidadãos, independentemente de sua crença.
O eleitor capixaba precisa permanecer vigilante. Afinal, promessas feitas diante de altares podem render votos, mas são as decisões tomadas nos gabinetes que determinam o futuro de um Estado inteiro. E o Espírito Santo não pode se permitir quatro anos de retrocessos provocados por um projeto político que aposta mais na emoção religiosa do que na apresentação de soluções para os reais problemas da população.
*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
Siga-nos no Instagram: @colatinanews2019, no Facebook: @sitecolatinanews, no TikTok: @colatinanews e se inscreva no nosso canal: @colatinanews4085





Nenhum comentário:
Postar um comentário