Por *Elvécio Andrade
O Brasil segue ostentando um título vergonhoso: o de vitrine da crueldade contra os animais. Em pleno século XXI, seres vivos continuam sendo submetidos à dor, ao medo e ao estresse apenas para satisfazer um tipo de entretenimento que insiste em sobreviver às custas do sofrimento alheio.
E o mais revoltante é que, em muitos casos, esse espetáculo da crueldade recebe o apoio do próprio poder público, que promove ou patrocina rodeios, vaquejadas, touradas e cavalgadas, transformando a exploração animal em atração oficial.
Enquanto discursos bonitos sobre respeito e cidadania são repetidos em cerimônias e campanhas institucionais, animais continuam sendo tratados como objetos descartáveis, usados até o limite de sua resistência física e emocional para divertir plateias. Não se trata de cultura, tradição ou esporte. Trata-se de exploração. Trata-se de transformar a dor em espetáculo e o sofrimento em fonte de lucro e aplausos.
A omissão das autoridades é escandalosa. Fecham os olhos, fingem que nada acontece e deixam que pessoas inescrupulosas continuem explorando animais com a certeza da impunidade. Quem deveria fiscalizar, proteger e fazer cumprir a legislação prefere o silêncio conveniente, enquanto seres indefesos pagam a conta dessa covardia.
Também causa indignação a passividade de grande parte da sociedade. Muitos assistem a esses eventos, aplaudem ou simplesmente se calam diante de práticas que jamais aceitariam se as vítimas fossem humanos. A indiferença alimenta a continuidade dessa violência. O silêncio também contribui para perpetuar a crueldade.
Defender o fim de eventos que utilizam animais como atração não é atacar tradições; é defender respeito, dignidade e bem-estar para seres sencientes, capazes de sentir medo, dor e sofrimento. Uma sociedade verdadeiramente evoluída não mede seu progresso apenas por indicadores econômicos, mas também pela forma como trata aqueles que não têm voz para se defender.
Chegou a hora de romper com essa lógica perversa. É urgente fortalecer políticas públicas de proteção animal, combater toda forma de exploração e responsabilizar quem insiste em transformar sofrimento em diversão. Diversão jamais pode ser construída sobre a agonia de um ser vivo. Enquanto houver aplausos para a crueldade e silêncio diante da injustiça, estaremos falhando não apenas com os animais, mas com a própria humanidade.
*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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