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09/07/2026

Grana pública no lixo. Assim como Rio Bananal, Linhares também gastará com festa inútil

A gastança será no Pontal do Ipiranga

Por *Elvécio Andrade

 

Parece que algumas administrações municipais ainda insistem em tratar dinheiro público como se fosse um recurso inesgotável. Depois de Rio Bananal, no Norte do Espírito Santo, anunciar que torrará mais de um milhão de reais em sua festa de emancipação, entre atrações artísticas e outras despesas, agora é a vez de Linhares, também no Norte, seguir o mesmo roteiro e promover, entre os dias 17 e 19 de julho, o Forró do Pontal 2026, no Balneário Pontal do Ipiranga. Antes, terá o 3º Arraiá Beach Stop acontece entre os dias 10 e 12 de julho, com atrações bem aquém do razoável e que também levarão uma boa grana em cachês.

 

A propaganda oficial anuncia, com entusiasmo, que a entrada será "gratuita" e apresenta atrações como Frank Aguiar, Hugo e Thiago, Régis Aguiar, Lucas Chaves, Os Carreteiros, Maik Clandestino, Trio Rocha o Nó, Forrozão A3, Alex dos Teclados e Jean Ferreira. O que a Prefeitura, curiosamente, não divulga é quanto custará essa festa aos cofres públicos. Também não informa os gastos com palco, som, iluminação, segurança, estrutura, logística e demais despesas, apesar de admitir que uma grande estrutura está sendo montada para receber milhares de visitantes e que novas atrações ainda poderão ser contratadas.

 

O mais impressionante é o discurso de que a entrada será "de graça". Não existe absolutamente nada de gratuito quando o dinheiro utilizado sai diretamente do bolso do contribuinte. Cada show contratado, cada equipamento alugado e cada centavo investido nessa festa será pago pelos cidadãos que trabalham, pagam impostos e convivem diariamente com problemas que permanecem sem solução.

 


Linhares possui desafios importantes nas áreas de saúde, educação, infraestrutura urbana, mobilidade e diversos outros serviços públicos que afetam a vida da população todos os dias. Diante dessa realidade, causa indignação ver recursos públicos sendo direcionados para um evento festivo sem que a população sequer tenha conhecimento do valor que será desembolsado.

 

Mais do que promover entretenimento, a administração pública tem o dever de agir com transparência e estabelecer prioridades. Gastar dinheiro público em festas enquanto necessidades básicas continuam aguardando investimentos é uma escolha política que merece ser debatida e fiscalizada pela sociedade.

 

Afinal, festa passa em poucos dias. E nesse caso nem deverá deixar saudades se levar em conta as atrações de gosto duvidoso. Já os problemas enfrentados pela população permanecem durante todo o ano. E a conta, como sempre, continuará sendo paga pelo contribuinte, que é quem trabalha, produz e sustenta a máquina pública.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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