Por *Elvécio Andrade
Parece que algumas
administrações municipais ainda insistem em tratar dinheiro público como se
fosse um recurso inesgotável. Depois de Rio Bananal, no Norte do Espírito
Santo, anunciar que torrará mais de um milhão de reais em sua festa de
emancipação, entre atrações artísticas e outras despesas, agora é a vez de
Linhares, também no Norte, seguir o mesmo roteiro e promover, entre os dias 17
e 19 de julho, o Forró do Pontal 2026, no Balneário Pontal do Ipiranga. Antes, terá o 3º Arraiá Beach Stop acontece entre os dias 10 e 12 de julho, com atrações bem aquém do razoável e que também levarão uma boa grana em cachês.
A propaganda oficial anuncia,
com entusiasmo, que a entrada será "gratuita" e apresenta atrações
como Frank Aguiar, Hugo e Thiago, Régis Aguiar, Lucas Chaves, Os Carreteiros,
Maik Clandestino, Trio Rocha o Nó, Forrozão A3, Alex dos Teclados e Jean
Ferreira. O que a Prefeitura, curiosamente, não divulga é quanto custará essa
festa aos cofres públicos. Também não informa os gastos com palco, som,
iluminação, segurança, estrutura, logística e demais despesas, apesar de
admitir que uma grande estrutura está sendo montada para receber milhares de
visitantes e que novas atrações ainda poderão ser contratadas.
O mais impressionante é o
discurso de que a entrada será "de graça". Não existe absolutamente
nada de gratuito quando o dinheiro utilizado sai diretamente do bolso do
contribuinte. Cada show contratado, cada equipamento alugado e cada centavo
investido nessa festa será pago pelos cidadãos que trabalham, pagam impostos e
convivem diariamente com problemas que permanecem sem solução.
Linhares possui desafios
importantes nas áreas de saúde, educação, infraestrutura urbana, mobilidade e
diversos outros serviços públicos que afetam a vida da população todos os dias.
Diante dessa realidade, causa indignação ver recursos públicos sendo
direcionados para um evento festivo sem que a população sequer tenha
conhecimento do valor que será desembolsado.
Mais do que promover
entretenimento, a administração pública tem o dever de agir com transparência e
estabelecer prioridades. Gastar dinheiro público em festas enquanto
necessidades básicas continuam aguardando investimentos é uma escolha política
que merece ser debatida e fiscalizada pela sociedade.
Afinal, festa passa em poucos
dias. E nesse caso nem deverá deixar saudades se levar em conta as atrações de
gosto duvidoso. Já os problemas enfrentados pela população permanecem durante
todo o ano. E a conta, como sempre, continuará sendo paga pelo contribuinte,
que é quem trabalha, produz e sustenta a máquina pública.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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