Por *Elvécio Andrade
Existe um imposto que
simboliza como poucos o peso da carga tributária brasileira sobre quem
trabalha, economiza e consegue comprar um veículo. Trata-se do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), uma cobrança anual que, para
milhões de brasileiros, representa a sensação de pagar indefinidamente por um
bem que já foi adquirido com uma carga gigantesca de impostos.
A origem dessa cobrança
remonta à antiga TRU (Taxa Rodoviária Única), criada em 1969, durante a
ditadura militar, no governo de Emílio Garrastazu Médic, sob o argumento de
financiar a construção e a manutenção das rodovias. Naquela época, ao menos
havia uma vinculação obrigatória entre a arrecadação e a infraestrutura viária.
Com o fim da ditadura, a TRU
foi substituída pelo IPVA, que passou a ser arrecadado pelos estados. Mas houve
uma mudança decisiva: o dinheiro deixou de ter destinação obrigatória para as
estradas e passou a integrar o caixa geral dos governos estaduais, podendo ser
utilizado em diversas áreas da administração pública.
É justamente aí que cresce a
indignação de milhões de proprietários de veículos. Afinal, ao comprar um
carro, uma motocicleta, um caminhão ou um ônibus, o cidadão já desembolsa uma
fortuna em tributos embutidos no preço. Depois vêm combustível altamente
tributado, licenciamento, taxas diversas, pedágios, manutenção e, como se não
bastasse, a cobrança anual do IPVA simplesmente pelo fato de continuar sendo
dono do veículo.
Para muitos contribuintes,
isso se transformou em um verdadeiro símbolo da voracidade arrecadatória do
Estado. A crítica é simples: o cidadão paga para comprar, paga para abastecer,
paga para circular e continua pagando apenas para manter a propriedade de um
bem que já lhe pertence. Ou seja, o cidadão adquire o bem, mas continua pagando
aluguel para usar o que é seu.
A revolta é crescente. Há quem
classifique essa cobrança como uma forma de perpetuar a tributação sobre um
patrimônio já amplamente taxado, enquanto outros chegam a compará-la a uma
extorsão institucionalizada, sustentando que o Estado nunca deixa de cobrar
pelo mesmo bem.
Diante desse cenário, aumenta
a pressão para que deputados, senadores e governadores enfrentem o debate sobre
a existência do IPVA. Para seus críticos, chegou a hora de discutir seriamente
se é justo obrigar milhões de brasileiros a renovar, ano após ano, um imposto
cuja cobrança parece não ter fim.
Agora é o momento de o povo se
unir e só votar naquele candidato que se comprometer em lutar pela extinção
desse imposto injusto. Enquanto isso não acontece, o contribuinte segue fazendo
aquilo que o Estado conhece muito bem: abrir a carteira. Afinal, no Brasil, até
o direito de continuar sendo dono do próprio carro parece ter prazo de validade
anual.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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