Por *Elvécio Andrade
O desenvolvimento de uma região não
depende apenas da capacidade individual de cada Município. Em muitos casos, a
união de esforços permite que cidades compartilhem estruturas, reduzam custos e
viabilizem serviços que seriam muito mais difíceis de manter de forma isolada. Foi
dentro dessa lógica de cooperação que o CIM Polinorte (Consórcio Público da
Região) ampliou sua atuação na região Norte do Espírito Santo durante o período
em que Alessandro Broedel esteve à frente da presidência da instituição, entre
janeiro de 2021 a dezembro de 2024.
O modelo de gestão consorciada parte
de uma ideia simples: quando vários municípios unem demandas e recursos,
aumenta a capacidade de negociação e diminui o custo individual das ações
públicas. Entre os resultados registrados naquele período está a construção da
nova sede própria do CIM Polinorte, em Ibiraçu. O Edifício Gilson Amaro foi
inaugurado em julho de 2023, oferecendo uma estrutura própria para atividades
administrativas, reuniões técnicas e planejamento das ações conjuntas dos
municípios.
Na área da saúde, outro passo
importante foi a articulação entre os municípios para estruturar o atendimento
regionalizado do Samu 192, permitindo que recursos e esforços fossem
organizados de maneira integrada para ampliar a capacidade de atendimento de
emergência.
Também ganhou espaço a chamada compra
compartilhada. Em vez de cada prefeitura realizar isoladamente determinadas
aquisições, o consórcio passou a organizar demandas conjuntas para
medicamentos, equipamentos e materiais utilizados pelos municípios. Segundo
dados divulgados pelo próprio CIM Polinorte e pela trajetória institucional de AlessandroBroedel, o modelo chegou a representar economia de até 30% em determinadas
compras, justamente pela ampliação do volume negociado.
Outra frente foi o apoio aos
municípios menores, com a viabilização de veículos e equipamentos destinados a
serviços públicos, incluindo vans sanitárias, veículos utilitários e máquinas
utilizadas em atividades de infraestrutura. Na prática, a experiência mostra
uma característica importante da administração pública regional: nem sempre é
necessário que cada cidade tenha sua própria estrutura para executar
determinada atividade.
Em algumas situações, compartilhar recursos
pode significar economia, escala e maior capacidade de atendimento. As
iniciativas alcançaram municípios como Sooretama, Linhares, Jaguaré, Rio
Bananal, Ibiraçu, João Neiva e Aracruz, inseridos na área de atuação mencionada
para o período.
Mais do que uma discussão sobre nomes
ou disputas políticas, a experiência do CIM Polinorte coloca em evidência uma
questão administrativa que permanece atual: quando municípios deixam de agir
isoladamente e passam a trabalhar de forma coordenada, problemas regionais
podem encontrar soluções regionais. E talvez esteja aí uma das maiores lições
deixadas por experiências de consórcios públicos: cooperação entre municípios
não é apenas uma questão de gestão; pode ser também uma ferramenta para fazer o
dinheiro público render mais e os serviços chegarem mais longe.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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