Por *Elvécio Andrade
Parece piada, mas é proposta de
governo. Enquanto a educação pública precisa de professores valorizados,
escolas estruturadas, tecnologia, bibliotecas, laboratórios e ensino de
qualidade, alguns candidatos ao Governo do Espírito Santo ressuscitaram a velha
fórmula eleitoral: mais escolas cívico-militares!
É impressionante como certas mentes
iluminadas conseguem transformar um problema gigantesco em uma solução de
desfile. Falta professor? Bota farda. Falta estrutura? Bota farda. Baixo
aprendizado? Bota farda. Evasão escolar? Bota farda. Pronto! Está resolvida a
educação capixaba. Só esqueceram de combinar com o aluno, com o professor e com
a realidade.
Disciplina é importante? Evidentemente. Respeito é importante? Sem dúvida. Mas educação não é treinamento militar. Aluno não precisa ser transformado em boneco que apenas obedece. Precisa aprender a pensar. Precisa questionar, argumentar, interpretar um texto, resolver um problema, compreender ciência, dominar tecnologia e ter condições de construir o próprio futuro.
Uma escola democrática não deve ter
medo de aluno que pergunta "por quê?". Pelo contrário: deve formar
cada vez mais alunos capazes de fazer essa pergunta. E talvez seja justamente
isso que algumas propostas estejam esquecendo. Porque é muito mais fácil vender
a imagem de uma escola organizada, com alunos marchando em formação, do que
enfrentar os problemas verdadeiros da educação pública.
A farda produz fotografia, mas o conhecimento
produz futuro. E eleitor não deveria aceitar que uma proposta seja considerada
boa simplesmente porque parece disciplinada, bonita e militarizada. Antes de
prometer mais escolas cívico-militares, seria interessante responder: qual
problema educacional concreto elas vão resolver? Quais resultados comprovados
justificam ampliar o modelo? Quanto custará? E o que deixará de ser feito para
financiar isso?
Porque governar não é brincar de soldadinho de chumbo. Governar é escolher prioridades, e explicar ao eleitor por que elas foram escolhidas. No fim das contas, a pergunta continua simples: o Espírito Santo precisa de mais fardas nas escolas ou de mais investimento em educação? Farda pode impressionar. Mas é o conhecimento que liberta.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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