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18/09/2026

Tem candidato ao governo propondo transformar escolas em fábrica de pixulecos de farda

O atraso educacional das escolas cívico-militares no Brasil (Foto: reprodução)

Por *Elvécio Andrade

 

Parece piada, mas é proposta de governo. Enquanto a educação pública precisa de professores valorizados, escolas estruturadas, tecnologia, bibliotecas, laboratórios e ensino de qualidade, alguns candidatos ao Governo do Espírito Santo ressuscitaram a velha fórmula eleitoral: mais escolas cívico-militares!

 

É impressionante como certas mentes iluminadas conseguem transformar um problema gigantesco em uma solução de desfile. Falta professor? Bota farda. Falta estrutura? Bota farda. Baixo aprendizado? Bota farda. Evasão escolar? Bota farda. Pronto! Está resolvida a educação capixaba. Só esqueceram de combinar com o aluno, com o professor e com a realidade.

 

Disciplina é importante? Evidentemente. Respeito é importante? Sem dúvida. Mas educação não é treinamento militar. Aluno não precisa ser transformado em boneco que apenas obedece. Precisa aprender a pensar. Precisa questionar, argumentar, interpretar um texto, resolver um problema, compreender ciência, dominar tecnologia e ter condições de construir o próprio futuro.

 


Uma escola democrática não deve ter medo de aluno que pergunta "por quê?". Pelo contrário: deve formar cada vez mais alunos capazes de fazer essa pergunta. E talvez seja justamente isso que algumas propostas estejam esquecendo. Porque é muito mais fácil vender a imagem de uma escola organizada, com alunos marchando em formação, do que enfrentar os problemas verdadeiros da educação pública.

 

A farda produz fotografia, mas o conhecimento produz futuro. E eleitor não deveria aceitar que uma proposta seja considerada boa simplesmente porque parece disciplinada, bonita e militarizada. Antes de prometer mais escolas cívico-militares, seria interessante responder: qual problema educacional concreto elas vão resolver? Quais resultados comprovados justificam ampliar o modelo? Quanto custará? E o que deixará de ser feito para financiar isso?

 

Porque governar não é brincar de soldadinho de chumbo. Governar é escolher prioridades, e explicar ao eleitor por que elas foram escolhidas. No fim das contas, a pergunta continua simples: o Espírito Santo precisa de mais fardas nas escolas ou de mais investimento em educação? Farda pode impressionar. Mas é o conhecimento que liberta.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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