Prefeito de Marechal Floriano é cassado por unanimidade e promete recorrer da decisão na justiça - Colatina News

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25/09/2026

Prefeito de Marechal Floriano é cassado por unanimidade e promete recorrer da decisão na justiça

Lidiney foi casado por unanimidade

Por *Elvécio Andrade

 

Em Marechal Floriano, no Sul do Espirito Santo, a sexta-feira, 25 de setembro, começou com Antônio Lidiney Gobbi sentado na cadeira de prefeito e terminou com a mesma cadeira ocupada pelo seu então vice, Paulo Lovatti Júnior. No meio do caminho, cinco horas de julgamento, uma denúncia que se arrastava desde novembro de 2025 e um resultado que dispensa calculadora: todos os vereadores votaram pela cassação. Sim, todos.

 

A Câmara Municipal julgou procedente a denúncia contra Gobbi em um processo que apurou irregularidades relacionadas a procedimentos de licitação. Entre os pontos questionados estavam alterações em datas de publicações oficiais, fracionamentos de despesas e execução de serviços antes da formalização dos contratos.

 

A própria Câmara havia informado, quando instaurou a Comissão Processante, que o procedimento apuraria possíveis infrações político-administrativas e que o prefeito ia ter prazo para apresentar defesa. E ele apresentou. Nesta sexta-feira, Gobbi esteve na sessão e fez sua defesa oral antes da votação. Mas, depois de aproximadamente cinco horas de discussão, veio o placar que ninguém precisa interpretar: cassado por unanimidade.

 

É aquela situação em que até a calculadora resolve tirar folga. A história, entretanto, não começou hoje. A denúncia foi recebida pela Câmara em novembro do ano passado. Depois vieram comissão processante, defesa, documentos, decisões judiciais, suspensão e retomada do procedimento. Em setembro, o TJES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) autorizou a Câmara a retomar o processo que havia sido suspenso por uma liminar. A decisão do Tribunal Pleno foi unânime, e a Câmara retomou.

 

Agora, o resultado está posto. O prefeito perdeu o mandato no julgamento político-administrativo. Mas calma: a história ainda não acabou. Lidiney Gobbi afirmou que vai recorrer. Portanto, a decisão da Câmara não deve ser confundida com uma condenação judicial definitiva. O caminho jurídico ainda pode produzir novos capítulos. E é justamente aí que está uma das partes mais interessantes dessa novela política.

 


Porque, enquanto políticos costumam passar anos discutindo quem ganhou ou perdeu uma eleição, em Marechal Floriano a discussão agora é outra: quem vai conseguir permanecer sentado na cadeira? Gobbi aposta nos recursos, Lovatti Júnior já assumiu e a população assiste. No fim das contas, fica uma lembrança incômoda para qualquer administrador público: licitação não é brincadeira de criança, contrato não é detalhe de papelaria e data de publicação não é enfeite de portal.

 

Quando uma administração começa a ser questionada justamente nesses pontos, a explicação precisa ser cristalina, porque dinheiro público não aceita criatividade demais. E, quando a criatividade administrativa passa a ser investigada por uma Comissão Processante, o problema deixa de caber numa simples planilha. Pode acabar cabendo numa cassação.

 

Foi exatamente isso que aconteceu nesta sexta-feira. Dez meses depois de a denúncia chegar à Câmara, Marechal Floriano trocou de prefeito. Agora começa outra batalha: a judicial. E nessa segunda etapa, ao contrário da votação na Câmara, não existe placar de unanimidade antecipado. A Justiça ainda vai falar.

 

Até lá, Marechal Floriano fica com um prefeito cassado, um vice que assumiu e uma pergunta que certamente continuará ecoando pelos corredores da política local: como uma história envolvendo licitações conseguiu terminar custando o mandato de quem comandava a prefeitura? A resposta definitiva, agora, não estará mais apenas nas mãos dos vereadores. O próximo capítulo será escrito nos tribunais.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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