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24/09/2026

Obras realizadas em Cachoeirinha de Itaúnas desmascaram vereador Carlim da Dengue

Obras em Cachoeirinha de Itaúnas

Por *Elvécio Andrade

 

Há coisas que desafiam a lógica. Uma delas é ver um vereador eleito para representar a população transformar-se, aparentemente, em uma espécie de fiscal do retrocesso, dedicando mais energia a criticar obras e investimentos do que a cobrar novas conquistas para a comunidade que deveria defender. Em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, o caso do vereador Carlos Rubens, o Carlim da Dengue, chama atenção justamente por isso.

 

Nos últimos anos, Cachoeirinha de Itaúnas, distrito onde o vereador mora, recebeu uma série de investimentos em infraestrutura, saúde, educação, estradas, agricultura, esporte e assistência social. A própria prefeitura informa que a região vem sendo contemplada continuamente pela administração municipal, enquanto registros públicos confirmam diversas dessas intervenções. E aqui aparece uma curiosidade que merece ser lembrada.

 

Em 2023, quando ainda ocupava a função de subsecretário municipal de Agricultura, Carlim da Dengue não economizava elogios ao trabalho realizado pela administração de Enivaldo dos Anjos em Cachoeirinha. Na ocasião, destacou a construção de barraginhas, pontes e bueiros e classificou a pavimentação da ES-320 como a “cereja do bolo”. Disse, inclusive, que a região só tinha a agradecer ao prefeito pela disposição em trabalhar pelas comunidades. Pois é. Parece que alguma coisa mudou.

 

Porque hoje o discurso do vereador, segundo as críticas que vem fazendo, parece caminhar na direção oposta. O problema é que obra pública não tem partido, sobrenome ou padrinho. Quando uma ponte é construída, quem passa por ela é o cidadão. Quando uma rua é pavimentada, quem deixa de enfrentar lama e poeira é o morador. Quando uma unidade de saúde é entregue, quem ganha atendimento é a comunidade.

 

E quando uma escola recebe melhorias, quem ganha são as crianças. Então fica a pergunta: a quem interessa combater aquilo que beneficia justamente a população que o vereador deveria representar? Em Cachoeirinha de Itaúnas, os números contam uma história muito diferente daquela que qualquer discurso político possa tentar construir.

 

Foram construídas pontes de madeira, pontes ecológicas e estruturas de concreto; bueiros foram implantados para melhorar o escoamento das águas; estradas vicinais receberam serviços de patrolamento; equipamentos agrícolas foram entregues; uma ambulância zero quilômetro foi disponibilizada para a comunidade; ações de assistência social foram realizadas; ruas receberam drenagem e pavimentação; houve mutirões de limpeza, saúde e lazer.

 

Somente o projeto de barraginhas, segundo a prefeitura, chegou a 49 reservatórios em 18 propriedades rurais da região, com capacidade estimada de 7,35 milhões de litros de água. E tem mais. Cinco ruas do distrito receberam ordem de serviço para drenagem e pavimentação em 2023, com investimento municipal superior a R$ 427 mil. Entre elas estavam Prosperidade, Feliciano da Silva, José Antônio Siqueira, Malvino Francisco Nascimento e Ronaldo de Oliveira Costa.

 

A ligação rodoviária da região também entrou em outro patamar. A pavimentação da ES-320, entre Barra de São Francisco e Santa Luzia, em Mantenópolis, foi projetada para integrar ainda mais Cachoeirinha de Itaúnas, em uma obra estadual de grande porte. E a saúde ganhou uma estrutura que durante anos era reivindicada pelos moradores: a nova Unidade Básica de Saúde de Cachoeirinha foi inaugurada em junho de 2026, dentro de um conjunto de novas UBSs entregues no Município.

 


Na educação, as melhorias também chegaram. A escola da região passou por intervenções estruturais e, mais recentemente, foram instalados 12 aparelhos de ar-condicionado na escola da sede do distrito, segundo levantamento divulgado sobre as ações realizadas na região. E as máquinas continuam trabalhando. Em julho de 2026, a prefeitura realizou patrolamento em várias regiões de Cachoeirinha de Itaúnas, incluindo Córrego da Laje, Córrego da Onça, Viúva Dias e Córrego do Lagarto.

 

Até o acesso ao distrito vem recebendo melhorias. Em julho deste ano, foi concluído o recapeamento de aproximadamente 2,3 quilômetros entre Vila Landinha e a região da AABB, no sentido de Cachoeirinha e Mantenópolis. E ainda houve reforma da quadra esportiva do distrito, obra que, curiosamente, o próprio Carlim da Dengue reconheceu publicamente como importante e como uma antiga reivindicação da comunidade.

 

Diante de tudo isso, talvez seja hora de separar oposição política de oposição ao desenvolvimento. Vereador tem todo o direito de fiscalizar prefeito. Aliás, deve fiscalizar. Pode criticar, questionar gastos, pedir documentos, cobrar transparência e apontar problemas. Isso faz parte da democracia. Mas existe uma diferença enorme entre fiscalizar o poder público e transformar qualquer obra em motivo para confronto político.

 

Porque, quando a crítica deixa de ser sobre a qualidade, o custo ou a necessidade da obra e passa simplesmente a combater a obra porque foi realizada por determinado prefeito, quem acaba pagando a conta é o cidadão. E Cachoeirinha de Itaúnas não precisa de vereador torcendo contra prefeito. Precisa é de vereador torcendo a favor da população.

 

Precisa de representante que cobre mais pontes quando forem necessárias, mais ruas pavimentadas, mais atendimento médico, mais investimentos na escola, mais equipamentos para os produtores rurais, mais estradas conservadas e mais qualidade de vida. Se uma obra estiver errada, que seja denunciada; se estiver cara, que seja investigada; se houver irregularidade, que seja encaminhada aos órgãos competentes.

 

Mas se estiver beneficiando a população, combater simplesmente por combater é transformar a política em uma disputa pequena demais para um Município que precisa continuar avançando. E talvez o mais curioso de toda essa história seja justamente lembrar que aquele mesmo vereador que hoje parece enxergar problemas em tudo já esteve do outro lado do discurso. Em 2023, ele próprio reconhecia os avanços e agradecia ao prefeito pelas obras realizadas na região.

 

Portanto, fica a pergunta que o morador de Cachoeirinha de Itaúnas pode perfeitamente fazer: o que mudou nas obras ou o que mudou na política? Porque as pontes continuam sendo pontes, o asfalto continua sendo asfalto, a ambulância continua sendo ambulância, a unidade de saúde continua atendendo, a escola continua recebendo melhorias e o povo continua precisando de tudo isso.

 

Talvez seja justamente por isso que a política deveria ser menos sobre quem leva os créditos e mais sobre quem recebe os benefícios. No fim das contas, obra pública não vota. Quem vota é o povo. E o povo sabe muito bem onde a estrada melhorou, onde a rua foi calçada, onde a ponte foi construída e onde o atendimento de saúde finalmente chegou.

 

*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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