Por *Elvécio Andrade
Há coisas que desafiam a lógica. Uma
delas é ver um vereador eleito para representar a população transformar-se,
aparentemente, em uma espécie de fiscal do retrocesso, dedicando mais energia a
criticar obras e investimentos do que a cobrar novas conquistas para a
comunidade que deveria defender. Em Barra de São Francisco, no Noroeste do
Espírito Santo, o caso do vereador Carlos Rubens, o Carlim da Dengue, chama atenção justamente por isso.
Nos últimos anos, Cachoeirinha de
Itaúnas, distrito onde o vereador mora, recebeu uma série de investimentos em
infraestrutura, saúde, educação, estradas, agricultura, esporte e assistência
social. A própria prefeitura informa que a região vem sendo contemplada
continuamente pela administração municipal, enquanto registros públicos
confirmam diversas dessas intervenções. E aqui aparece uma curiosidade que
merece ser lembrada.
Em 2023, quando ainda ocupava a
função de subsecretário municipal de Agricultura, Carlim da Dengue não economizava elogios ao trabalho realizado pela
administração de Enivaldo dos Anjos em Cachoeirinha. Na ocasião, destacou a
construção de barraginhas, pontes e bueiros e classificou a pavimentação da
ES-320 como a “cereja do bolo”. Disse, inclusive, que a região só tinha a
agradecer ao prefeito pela disposição em trabalhar pelas comunidades. Pois é. Parece
que alguma coisa mudou.
Porque hoje o discurso do vereador,
segundo as críticas que vem fazendo, parece caminhar na direção oposta. O
problema é que obra pública não tem partido, sobrenome ou padrinho. Quando uma
ponte é construída, quem passa por ela é o cidadão. Quando uma rua é
pavimentada, quem deixa de enfrentar lama e poeira é o morador. Quando uma
unidade de saúde é entregue, quem ganha atendimento é a comunidade.
E quando uma escola recebe melhorias,
quem ganha são as crianças. Então fica a pergunta: a quem interessa combater
aquilo que beneficia justamente a população que o vereador deveria representar?
Em Cachoeirinha de Itaúnas, os números contam uma história muito diferente
daquela que qualquer discurso político possa tentar construir.
Foram construídas pontes de madeira,
pontes ecológicas e estruturas de concreto; bueiros foram implantados para
melhorar o escoamento das águas; estradas vicinais receberam serviços de
patrolamento; equipamentos agrícolas foram entregues; uma ambulância zero
quilômetro foi disponibilizada para a comunidade; ações de assistência social
foram realizadas; ruas receberam drenagem e pavimentação; houve mutirões de
limpeza, saúde e lazer.
Somente o projeto de barraginhas,
segundo a prefeitura, chegou a 49 reservatórios em 18 propriedades rurais da
região, com capacidade estimada de 7,35 milhões de litros de água. E tem mais. Cinco
ruas do distrito receberam ordem de serviço para drenagem e pavimentação em
2023, com investimento municipal superior a R$ 427 mil. Entre elas estavam
Prosperidade, Feliciano da Silva, José Antônio Siqueira, Malvino Francisco
Nascimento e Ronaldo de Oliveira Costa.
A ligação rodoviária da região também
entrou em outro patamar. A pavimentação da ES-320, entre Barra de São Francisco
e Santa Luzia, em Mantenópolis, foi projetada para integrar ainda mais
Cachoeirinha de Itaúnas, em uma obra estadual de grande porte. E a saúde ganhou
uma estrutura que durante anos era reivindicada pelos moradores: a nova Unidade
Básica de Saúde de Cachoeirinha foi inaugurada em junho de 2026, dentro de um
conjunto de novas UBSs entregues no Município.
Na educação, as melhorias também
chegaram. A escola da região passou por intervenções estruturais e, mais
recentemente, foram instalados 12 aparelhos de ar-condicionado na escola da
sede do distrito, segundo levantamento divulgado sobre as ações realizadas na
região. E as máquinas continuam trabalhando. Em julho de 2026, a prefeitura
realizou patrolamento em várias regiões de Cachoeirinha de Itaúnas, incluindo
Córrego da Laje, Córrego da Onça, Viúva Dias e Córrego do Lagarto.
Até o acesso ao distrito vem
recebendo melhorias. Em julho deste ano, foi concluído o recapeamento de
aproximadamente 2,3 quilômetros entre Vila Landinha e a região da AABB, no
sentido de Cachoeirinha e Mantenópolis. E ainda houve reforma da quadra
esportiva do distrito, obra que, curiosamente, o próprio Carlim da Dengue reconheceu publicamente como importante e como uma
antiga reivindicação da comunidade.
Diante de tudo isso, talvez seja hora
de separar oposição política de oposição ao desenvolvimento. Vereador tem todo
o direito de fiscalizar prefeito. Aliás, deve fiscalizar. Pode criticar,
questionar gastos, pedir documentos, cobrar transparência e apontar problemas.
Isso faz parte da democracia. Mas existe uma diferença enorme entre fiscalizar
o poder público e transformar qualquer obra em motivo para confronto político.
Porque, quando a crítica deixa de ser
sobre a qualidade, o custo ou a necessidade da obra e passa simplesmente a
combater a obra porque foi realizada por determinado prefeito, quem acaba
pagando a conta é o cidadão. E Cachoeirinha de Itaúnas não precisa de vereador
torcendo contra prefeito. Precisa é de vereador torcendo a favor da população.
Precisa de representante que cobre
mais pontes quando forem necessárias, mais ruas pavimentadas, mais atendimento
médico, mais investimentos na escola, mais equipamentos para os produtores
rurais, mais estradas conservadas e mais qualidade de vida. Se uma obra estiver
errada, que seja denunciada; se estiver cara, que seja investigada; se houver
irregularidade, que seja encaminhada aos órgãos competentes.
Mas se estiver beneficiando a
população, combater simplesmente por combater é transformar a política em uma disputa
pequena demais para um Município que precisa continuar avançando. E talvez o
mais curioso de toda essa história seja justamente lembrar que aquele mesmo
vereador que hoje parece enxergar problemas em tudo já esteve do outro lado do
discurso. Em 2023, ele próprio reconhecia os avanços e agradecia ao prefeito
pelas obras realizadas na região.
Portanto, fica a pergunta que o
morador de Cachoeirinha de Itaúnas pode perfeitamente fazer: o que mudou nas
obras ou o que mudou na política? Porque as pontes continuam sendo pontes, o
asfalto continua sendo asfalto, a ambulância continua sendo ambulância, a unidade
de saúde continua atendendo, a escola continua recebendo melhorias e o povo
continua precisando de tudo isso.
Talvez seja justamente por isso que a
política deveria ser menos sobre quem leva os créditos e mais sobre quem recebe
os benefícios. No fim das contas, obra pública não vota. Quem vota é o povo. E
o povo sabe muito bem onde a estrada melhorou, onde a rua foi calçada, onde a
ponte foi construída e onde o atendimento de saúde finalmente chegou.
*ElvécioAndrade é radialista, jornalista, escritor e advogado
especialista em direitos Constitucional e Administrativo.
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