Por *Elvécio Andrade
A poderosa FIFA resolveu
brincar de banqueira internacional e descobriu, da pior forma possível, que nem
todo mundo está disposto a financiar a soberba suíça fantasiada de paixão esportiva.
A entidade queria a bagatela de US$ 300 milhões pelos direitos de transmissão
da Copa de 2026 na China. Trezentos milhões. Como se estivesse vendendo ouro
líquido, e não um torneio cada vez mais inflado, comercializado e distante do
futebol raiz que um dia encantou o planeta.
Mas aí entrou em cena a CCTV (China
Central Television), que respondeu da maneira mais humilhante possível: “não”. Sem
drama, sem negociação teatral e sem reverência à arrogância da FIFA. Apenas um
“não” seco, objetivo e devastador.
A FIFA então fez aquilo que
toda entidade tomada pela ganância faz quando percebe que o mercado não caiu na
chantagem emocional do “maior espetáculo da terra”: começou a baixar as calças
comerciais em praça pública. Reduziu o valor, e a China disse “não” de novo.
O silêncio da recusa chinesa
ecoou como um tapa na cara de uma entidade que passou anos acreditando que
qualquer cifra absurda seria automaticamente aceita porque envolve futebol. Só
que há um detalhe importante que a FIFA parece ignorar: paixão popular não é
cheque em branco para cartel esportivo.
No fim, veio o desfecho
constrangedor: aceitou US$ 60 milhões. Sim, sessenta. Um tombo de quase 80% em
relação ao valor originalmente exigido. Uma liquidação digna de loja falida em
fim de estoque. E o mais vergonhoso nem é o desconto colossal. O mais
humilhante é que o pacote ainda inclui outras Copas futuras. Ou seja:
entregaram mais produtos tentando salvar a dignidade de uma negociação que já
havia virado meme internacional. É quase poético.
Durante décadas, a FIFA vendeu
a imagem de entidade intocável, acima de críticas, cercada de luxo, contratos
bilionários e dirigentes vivendo como monarcas corporativos enquanto
discursavam sobre “o desenvolvimento do futebol mundial”. Na prática, transformaram
a Copa do Mundo numa máquina de arrecadação insaciável, onde cada centímetro do
esporte precisa ser monetizado até a última gota.
Só que o mundo mudou, o
público mudou e o interesse mudou. E talvez a própria Copa esteja começando a
sentir o peso da saturação comercial. Porque quando um torneio precisa expandir
seleções, multiplicar jogos e inflar contratos desesperadamente para manter
cifras astronômicas, talvez o problema não seja o mercado. Talvez seja a bolha.
A verdade é cruel: a FIFA
descobriu que nem mesmo o futebol escapa da lei mais básica da realidade
econômica, algo vale aquilo que alguém aceita pagar. E a China deixou claro que
não compraria arrogância pelo preço de joia rara.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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