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19/05/2026

A copa do desespero: Quando a FIFA descobriu que a ganância também tem VAR

FIFA, o maior cartel esportivo do planeta

Por *Elvécio Andrade

 

A poderosa FIFA resolveu brincar de banqueira internacional e descobriu, da pior forma possível, que nem todo mundo está disposto a financiar a soberba suíça fantasiada de paixão esportiva. A entidade queria a bagatela de US$ 300 milhões pelos direitos de transmissão da Copa de 2026 na China. Trezentos milhões. Como se estivesse vendendo ouro líquido, e não um torneio cada vez mais inflado, comercializado e distante do futebol raiz que um dia encantou o planeta.

 

Mas aí entrou em cena a CCTV (China Central Television), que respondeu da maneira mais humilhante possível: “não”. Sem drama, sem negociação teatral e sem reverência à arrogância da FIFA. Apenas um “não” seco, objetivo e devastador.

 

A FIFA então fez aquilo que toda entidade tomada pela ganância faz quando percebe que o mercado não caiu na chantagem emocional do “maior espetáculo da terra”: começou a baixar as calças comerciais em praça pública. Reduziu o valor, e a China disse “não” de novo.

 

O silêncio da recusa chinesa ecoou como um tapa na cara de uma entidade que passou anos acreditando que qualquer cifra absurda seria automaticamente aceita porque envolve futebol. Só que há um detalhe importante que a FIFA parece ignorar: paixão popular não é cheque em branco para cartel esportivo.

 


No fim, veio o desfecho constrangedor: aceitou US$ 60 milhões. Sim, sessenta. Um tombo de quase 80% em relação ao valor originalmente exigido. Uma liquidação digna de loja falida em fim de estoque. E o mais vergonhoso nem é o desconto colossal. O mais humilhante é que o pacote ainda inclui outras Copas futuras. Ou seja: entregaram mais produtos tentando salvar a dignidade de uma negociação que já havia virado meme internacional. É quase poético.

 

Durante décadas, a FIFA vendeu a imagem de entidade intocável, acima de críticas, cercada de luxo, contratos bilionários e dirigentes vivendo como monarcas corporativos enquanto discursavam sobre “o desenvolvimento do futebol mundial”. Na prática, transformaram a Copa do Mundo numa máquina de arrecadação insaciável, onde cada centímetro do esporte precisa ser monetizado até a última gota.

 

Só que o mundo mudou, o público mudou e o interesse mudou. E talvez a própria Copa esteja começando a sentir o peso da saturação comercial. Porque quando um torneio precisa expandir seleções, multiplicar jogos e inflar contratos desesperadamente para manter cifras astronômicas, talvez o problema não seja o mercado. Talvez seja a bolha.

 

A verdade é cruel: a FIFA descobriu que nem mesmo o futebol escapa da lei mais básica da realidade econômica, algo vale aquilo que alguém aceita pagar. E a China deixou claro que não compraria arrogância pelo preço de joia rara.

 

*Elvécio Andrade é radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos Constitucional e Administrativo.

 

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