Por *Elvécio Andrade
Tem coisa que nem roteirista
de série sobre corrupção teria coragem de inventar. Mas o Brasil resolveu
abolir a ficção e transformar o absurdo em rotina administrativa. O novo
capítulo dessa tragicomédia tropical envolve uma mansão de R$ 3,6 milhões em
Arlington, no Texas, comprada por um fundo ligado ao advogado de Eduardo
Bolsonaro, o famoso Dudu Bananinha,
patriota de aeroporto que decidiu atacar o Brasil morando confortavelmente nos
Estados Unidos.
E o detalhe mais “coincidente”
de todos? O mesmo fundo aparece ligado ao dinheiro de André Esteves Vorcaro,
aquele empresário citado na história dos R$ 61 milhões e do célebre pedido para
“fazer um filminho”. Sim, um “filminho”. Porque aparentemente no Brasil
contemporâneo, milhões de reais circulam com a naturalidade de quem compra
pipoca no cinema.
A casa milionária foi comprada
em Arlington. Quem assinou? André Porciúncula, ex-secretário do governo Bolsonaro
e sócio de Eduardo em outra empresa. Tudo muito familiar, muito íntimo, muito
aconchegante. Uma verdadeira confraria imobiliária patriótica instalada em solo
estadunidense.
E quando perguntaram quem mora
na casa? A resposta foi digna de prêmio de cinismo do ano: “Essa informação não
é de interesse público”. Claro. O dinheiro circula, o imóvel aparece, os
personagens se repetem, os vínculos empresariais surgem, mas saber quem mora na
mansão virou assunto confidencial. Transparência, pelo visto, só vale quando é
para atacar adversários políticos.
Enquanto isso, a Polícia
Federal investiga se parte desse dinheiro teria servido para bancar a luxuosa
temporada estadunidense de Eduardo Bolsonaro, o Poka Rola, como é conhecido nas redes sociais, justamente no
período em que fazia lobby contra o STF diretamente dos Estados Unidos.
Patriotismo gourmet é isso: fala-se em soberania nacional tomando café no
Texas.
E como se não bastassem os R$
134 milhões ligados ao escândalo envolvendo aposentados e pensionistas do INSS,
velhinhos roubados enquanto discursam sobre moralidade, ainda aparece a
prefeitura de São Paulo despejando mais R$ 100 milhões de dinheiro público
nessa nebulosa engrenagem. A conta chega a R$ 234 milhões. Duzentos e trinta e
quatro milhões. Não é política. Já está parecendo franquia cinematográfica.
“Interestelar” ficou pequeno. O próximo passo é lançar “Velozes e furiosos: Lavagem em Arlington”.
O mais revoltante não é apenas
o volume de dinheiro. É a naturalização da obscenidade. Uma família que começou
cercada por denúncias de rachadinha, depois descobriu talentos extraordinários
no mercado imobiliário e agora aparentemente encontrou ouro no ramo do
entretenimento político-financeiro.
A meritocracia brasileira
realmente é fascinante. Uns estudam a vida inteira para financiar um apartamento
em 35 anos. Outros transformam “filminhos” em mansões milionárias nos EUA. E o
povo? Ah, o povo segue ouvindo discurso sobre corrupção seletiva, patriotismo e
defesa da família enquanto cifras astronômicas atravessam fronteiras como se
fossem bagagem diplomática.
O cheiro disso tudo não é de
escândalo comum. É odor industrial. Tem aparência de lavanderia gigante
funcionando em rotação máxima. E não vai existir detergente suficiente no
planeta para limpar tamanha sujeira caso as investigações avancem até o fim. A
pergunta que fica é simples: Até quando o Brasil continuará tratando absurdos
monumentais como se fossem apenas “polêmicas de internet”?
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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