Por *Elvécio Andrade
Enquanto milhões de
brasileiros acordam antes do sol nascer, pegam ônibus lotado, enfrentam
jornadas exaustivas e voltam para casa sem ter sequer tempo para viver, parte
da bancada federal capixaba resolveu mostrar mais uma vez de que lado realmente
está: do lado do patrão, do lucro e da exploração.
Os deputados federais Evair
Melo, Amaro Neto, conhecido por muitos como Amaro Gengiva de Égua,
Messias Donato e Da Vitória assinaram emendas que podem empurrar por até 10
anos mudanças importantes para os trabalhadores brasileiros, como a redução da
jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, uma das formas mais cruéis de
exploração trabalhista ainda normalizadas no país.
E não para por aí. As
propostas apoiadas pelos parlamentares ainda abrem brecha para jornadas
semanais de até 52 horas. Isso mesmo. Cinquenta e duas horas. Em pleno 2026,
enquanto países desenvolvidos discutem semana de quatro dias, saúde mental e
qualidade de vida, certos deputados brasileiros parecem querer transformar
trabalhador em peça descartável de fábrica do século XIX.
As emendas são de autoria dos
deputados Tião Medeiros, o Tião Gavião,
e Sérgio Turra, ambos do PP (só podia ser), e tentam desmontar a proposta de
redução da jornada semanal. Na prática, criam exceções tão amplas que quase
tudo pode virar “atividade essencial”. Saúde, segurança, transporte, energia,
logística, abastecimento, agropecuária… Ou seja: o trabalhador continua
sacrificando a própria vida enquanto políticos seguem com seus salários
milionários, auxílios generosos, recessos e privilégios intocáveis.
O discurso usado para
justificar essa barbaridade é o velho teatro do “impacto econômico” e da
“proteção da sociedade”. Curioso como o impacto brutal na saúde física e mental
do trabalhador nunca entra na conta. Curioso como nunca há preocupação com o
pai que quase não vê os filhos, com a mãe exausta que trabalha seis dias
seguidos, com o trabalhador que vive apenas para sobreviver.
Mais revoltante ainda é ver
parlamentares eleitos pelo povo capixaba atuando contra justamente quem os
colocou lá. O Espírito Santo, mais uma vez, entrega cadeiras no Congresso para
políticos sacanas e descompromissados com o povo, que parecem enxergar
trabalhador apenas como combustível da máquina econômica.
E depois ainda aparece
político fazendo vídeo populista, fingindo defender “o cidadão de bem”,
enquanto nos bastidores assina proposta para prolongar jornada de trabalho e
adiar direitos básicos. Na campanha eleitoral, apertam mãos, tiram fotos em
feira, comem pastel e falam em “família”. Em Brasília, ajudam a manter o povo
preso numa rotina desumana.
O eleitor capixaba precisa
aprender, urgentemente, a guardar nomes. Política não pode continuar sendo
torcida organizada nem concurso de quem fala mais alto na internet. Voto tem
consequência. E quem apoia ataques contra trabalhadores precisa receber a resposta
mais dura possível: a derrota nas urnas.
Porque deputado que trabalha
para piorar a vida do povo não merece mandato. Merece voltar para casa. Que os
eleitores capixabas guardem bem esses nomes: Evair Melo, Amaro Neto, conhecido
por muitos como Amaro Gengiva de Égua, Messias Donato e Da
Vitória, e nas próximas eleições mostrem que o trabalhador tem sua arma de
defesa contra políticos bandidos: o voto.
*Elvécio Andrade é
radialista, jornalista, escritor e advogado especialista em direitos
Constitucional e Administrativo.
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